quarta-feira, agosto 30, 2006

O "caso" da paella

Era aniversário do Lula Vieira. O pessoal da então VS Escala, resolveu comemorar no Clube Espanhol. Era bem pertinho da agência, que nessa época ficava alí na Humaitá.

Daí, fizeram uma reserva para cinqüenta pessoas mais ou menos. E encomendaram paella para todos. Era comida pra dedéu.

Meio dia e meia. Aquele bando de gente deslocou-se a pé para o local escolhido. Muito papo, alegria, descontração geral. Subimos as amplas escadas e estavam lá as mesas formando um gigantesco retangulo. Praticamente fechamos o restaurante do clube. O maitre, feliz da vida com a casa cheia, anotando os pedidos de cervejas, caipiras, e, naturalmente generosas doses de uísque escocês. Uma festa! Papos descontraídos, risadas. O ambiente cada vez mais etílico.

Chegam os panelões de paellas. Hummm! Afinal era o Clube Espanhol! Não era uma paella qualquer, mas a autêntica. E por sinal maravilhosa mesmo. Óbviamente, comemos de nos entupir. Isso tudo, magistralmente regado, a essa altura, por um bom vinho e o impecável portunhol do Manolo a falar apaixonadamente de sua terra natal, justamente Valencia, o berço da mais famosa das paellas, e também de Barcelona, de Gaudi, da Sagrada Família, de Miró. Uma autêntica viagem pelas maravilhas da península.

Sobremesas mil. A turma já pesada... ufff!

Lá pras tantas, entra o garçon e dirige-se ao Aías, o diretor financeiro, o homem do dinheiro.

- Telefone pro senhor...

O Aías retirou-se para atender o telefone lá dentro.

Olha, eu juro que me pegaram de surpresa. Mas, instantaneamente fui brifado do que estava acontecendo. Alguém tinha combinado de chamar o Aías ao telefone só para que, durante a sua ausência, todo mundo saísse correndo e o deixasse sozinho para pagar a rechonchuda conta. É bom lembrar que naquele tempo ainda não tinha telefone celular.

Rapidamente levantou-se a imensa galera, que disparou, em velocidade estonteante (até porque o álcool ajudava neste aspecto) qual uma horda desvairada. Foi uma correria dos diabos. E eu me ria muito de ver toda aquela gente, em disparada, primeiro escadas abaixo, depois pela rua Maria Eugênia, e, em seguida entrando em algazarra, pelo portão de entrada da agência. Uma verdadeira loucura.Mas o melhor mesmo foi ver o Aías chegar, pau da vida, esbravejando, e até ameaçando descontar no final do mês, no contra-cheque de cada um dos participantes e, quem sabe até nos pró-labores dos sócios proprietários. Coisa que naturalmente não passou de ameaças.

Ficaram mesmo a recordação dos sabores de um momento hilariante, de uma autêntica paella valenciana, e, principalmente daquela inesquecível VS Escala.

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