sexta-feira, agosto 25, 2006

O "caso" da virada do balanço

O que não falta na vida da gente é virada. Acho que desde que comecei em propaganda as noitadas acompanham a minha vida profissional. Eu me lembro da primeira. Eu ainda era estagiário na McCann, e pintou uma campanha de um prospect. Foi a minha primeira grande virada. Mas foi também uma festa para mim.

Daí em diante, a coisa virou meio rotina. Chegou a um ponto que uma viradinha qualquer nem era registrada. Para sê-lo, precisava ser uma coisa estupenda. Dessas de você contar e as pessoas exclamarem.

Hoje em dia, quando eu tento registrar quais foram as grandes viradas da minha vida, fora a primeira, porque esta a gente nunca esquece, eu me lembro de umas duas ou três. Teve aquela na DM9/Rio, que foi de cerca de quarenta e oito horas, e que no final era tanto pastup, tanto pedacinho de papel espalhado pra todo lado, que culminou com o acontecimento, sem dúvida marcante, da Lilian - a tráfego da agência - achando um retalho de composição às cinco da matina do último dia da esticada em meio a um intrincado emaranhado de recortes no chão. Isso, claro, depois de uma hora ou mais agachada no chão, e ciscando pedacinho de papel por pedacinho de papel, na sua persistência nipônica.

Teve também aquela do balanço do Credireal na Asa, em Belo Horizonte. Esta foi de setenta e tantas horas. E teve uma particularidade. Como foi o primeiro balanço realizado após o Plano Cruzado, além daquela confusão toda de composição pra lá, composição pra cá, ainda tinha dentro da agência o pessoal da "Boucinhas & Não Sei Que Lá Ltda", fazendo uma consultoria e convertendo toda a operação financeira. Era todo o estúdio da agência - que tinha mais de seis montadores -, e sabe deus quantos free-lancers envolvidos na operação. Um tumulto daqueles dignos de não se esquecer para o resto da vida. Uma intrincada operação de guerra que teve por trás, além de mim, o Carlos Areias, que foi incansável e heróico, e o Alexandre, o popular "Pé-de-milho", que era o chefe de estúdio.

Mas, houve uma que culminou com um fato muito engraçado. Aconteceu na Sinal, aquela quase house do Nacional.

Foi também um balanço. E, como todo balanço, aquela confusão de números, revisões e outros balacobacos. Não durou mais de vinte e quatro horas, mas foi exaustiva e desgastante, até porque nossa equipe era muito enxuta, e não se contratou fre-lance algum. O Zé Augusto, que era o nosso produtor gráfico, no final fazia também o papel de boy, saindo madrugada adentro pra ir buscar composição no fornecedor. Uma verdadeira loucura. E foi com o Zé que aconteceu o caso mais engraçado.

Quando terminamos, o dito produtor ainda foi cuidar do material para os veículos. Quer dizer, o trabalho da gente acabou no sábado tipo onze da manhã e o cara ainda teve que se mandar para a Quimigráfica. Bom, na segunda-feira, a gente na agência, rememorava o acontecimento (isso faz parte de qualquer boa virada), quando chega o Zé. "E aí, Zé, como é que foi o seu fim de semana?", perguntou um de nós. O Zé, virou-se pra gente e falou, com uma expressão um tanto quanto azêda: "Fim de semana? Olha, quando eu cheguei em casa já era sábado de noite. Aí desmontei na cama. Gente, o pior de tudo é que quando eu acordei, eu escutei aquela musiquinha ‘...é Fantástico...’, o programa estava acabando.

E o fim de semana dele também, claro!

Um comentário:

Anônimo disse...

Legal mesmo. Quem viveu este mundo da propaganda nos idos do pastup sabe o quanto era duro...