sexta-feira, setembro 29, 2006

O "caso" do pato laqueado

A VS Escala instituiu um prêmio de incentivo que consistia no seguinte: a pessoa que ganhasse o título de melhor, mais empenhado e os escambal funcionário do mês, tinha direito a um jantar em qualquer restaurante à sua escolha. Depois, o contemplado trazia a notinha fiscal e a contabilidade reembolsava. E tanto era uma idéia do caralho, que, em homenagem ao Lula, o prêmio foi batizado de "Prêmio Ducaralho", assim mesmo, do jeito que ele se expressava quando via um anúncio ou uma campanha da gente que o agradasse.

Bom. O prêmio ainda era conferido no final de uma festa mensal (cuja produção, a cargo da Léa Penteado era de fazer inveja a qualquer maitre de hotel da C’ôte D’azur) que tinha direito a tudo, inclusive show de sapateado do Fernando Farah e o famoso show de quem-come-quem de fim de festa de empresa.

A coisa era esperada por todo mundo com muita ansiedade, pois somente no último minuto da festa, no apagar das luzes, o Valdir, o Lula ou o Carlão anunciavam o grande vencedor. E o felizardo já ficava a imaginar onde iria jantar bem, mas bem "pra caralho" mesmo, como já dizia o nome do prêmio.

Eu me lembro que quando eu ganhei, fui com a Virgínia no L,’Argent, então o melhor restaurante francês do Rio, e degustamos em grande estilo um daqueles menus complets, com direito a sorvetinho entre um prato e outro, queijinhos no final, e outras coisas que a gente não encontra sempre no fast food mais próximo.

Daí, teve o mês que o Manolo ganhou. O espanhol ficou exultante. Pulava de alegria. E era alegria mesmo. A mais pura, porque o afinal de contas, o Manolo era um dos fundadores dos Alcoólicos Anônimos. Soltou uma das suas mais famosas frases em portunhol do tipo: "crejo que gané el dia honestamente", e se mandou.

Dois dias depois, uma daquelas polvorosas inesquecíveis. Gente xingando pra cá. O Aías Lopes espumando pelos corredores, o Lula, o Carlão se dirigindo para a sala de reunião. Um auê de proporções apavorantes. "Será que perdemos a conta do Citibank?". "Será que a Fleishmann Royal vai deixar a agência?", perguntei aos meus botões. Aquele ti-ti-ti danado na agência. Cada um dizia uma coisa. Cada um especulava alguma história mais escabrosa.

Finalmente. Convocação de toda a criação para reunião na sala do Lula.

"É, o bicho pegou", concluí com os meus botões. Enfim, fomos todos mais do que rápidamente para lá, saber o que afinal de contas estava se passando.

O Lula, com aquele jeitão calmo e irônico que lhe é peculiar, tomou a palavra e começou a explicar pra gente que a partir daquele momento, prêmio "Ducaralho", só para o casal. Que, decisão da diretoria, em hipótese alguma poder-se-ia levar mais que a esposa, companheira, namorada, a mãe, o pai, ou seja lá o nome que tenha a pessoa que o acompanharia.

E aí contou a história do "pato laqueado", que, garantia o Manolo, era caro daquele jeito porque tinha que ser encomendado de véspera, que é um prato especial, etc, etc. E, concluiu todo o mundo que o Manolo tinha levado a família, a vizinhança e o papagaio para o restaurante chinês.
Dois meses depois, o prêmio "Ducaralho" passou definitivamente para a história da VS e da propaganda.

terça-feira, setembro 26, 2006

O "caso" das quartas sem lei

A Livre Propaganda Brasileira é um caso muito especial na minha vida profissional. Era uma agência poética, solta, livre mesmo, como dizia o seu sugestivo nome.

O meu caso com a Livre estendeu-se por muitos meses de paquera, e depois um curto casamento. Bom, isto porque, característica do mercado mineiro, conta de governo é um negócio que sustentava naquela época cerca de 70% do mercado. No caso da Livre, era mesmo 99,9%. E acontece que a Livre, numa dessas desastrosas mudanças políticas, ficou com seu 0,01% de contas privadas e ela obviamente naufragou. O que não quer dizer que os oito meses que lá passei não tenham sido realmente inesquecíveis.

Começou quando eu estava na ASA. Com a saída do Zuim, o pessoal da Livre precisava de um novo diretor de criação. E começaram a me sondar. Foram alguns meses de papo, algumas negativas e, finalmente, aquela famosa "de uma boa cantada ninguém escapa".

Arrumei minhas malas e lá fui eu para a Livre. Uma agência sui generis, que tinha um boxer perambulando pelas suas dependências, um papagaio e um pátio interno que mais parecia uma miniatura do paraíso. Tinha fogão de lenha, muitas plantas e uma frondosa mangueira. Uma equipe que eu achava perfeita: o Boca, o Alvinho, o Wanderley. Depois ainda veio o Tonico Mercador para reforçar esse time. No RTVC o Juninho e sua assistente, a Claudinha, que além de competente era um colírio para os olhos.

A Livre era uma agência tão dupirú, que todo mês tinha lá um regabofe sortido e fartamente mineiro, repleto de chopp e cachaça da melhor em torno do seu fogão de lenha. E o melhor é que o pessoal que ia lá com freqüência, além dos clientes era nada mais nada menos do que a turma do "Clube da Esquina". Eles mesmos, Toninho Horta, Milton Nascimento e outros. Gente da pesada, porque a Livre tinha surgido como Quilombo, e depois desdobrou-se. O Marcinho, um dos seus sócios prematuramente desaparecido, continuava inclusive como produtor musical e a Quilombo continuava a existir numa casa próxima a ela, e que também tinha papagaio, cachorro, e um ambiente que mais parecia um quadro da Djanira.

A propósito, os outros sócios eram o Murilo Antunes, um poeta, um performático, um intelectual mineiro de primeiro time e o Pardal, pintor, uma figuraça.

Mas, embora da Livre eu tenha outros casos, que um dia sem dúvida eu conto, tem um que é marcante que é o das quartas sem lei. "Segunda sem lei" era o título de um programa da Bandeirantes que só passava faroestes e fazia sucesso. Pelo menos para os fãs do gênero.
Mas na Livre o negócio era um pouquinho diferente. Quando chegava o final das quartas-feiras, a turma já começava a ficar meio ouriçada esperando o que ia acontecer. E em geral o que acontecia mesmo era que um dos sócios poetas, pintores ou músicos pegar um extintor de incêndio e começar a disparar aquela geringonça numa guerra contra os outros sócios, que naturalmente respondiam na mesma moeda.

Era uma zorra, um corre-corre e uma gritaria geral. Uma das maiores loucuras coletivas de que já participei na minha vida. Algo realmente ducacete.

Vale aqui uma observação importante. A Livre Propaganda Brasileira era uma agência séria. O trabalho era tocado com muita, mas com muita responsabilidade. E a enorme quantidade de prêmios que ela acumulou nos breves anos de sua vida estão lá, nos anais da propaganda mineira.

É que criação é isso aí. Quanto mais livre, melhor.

sábado, setembro 23, 2006

O “caso” da contratação

Corria o ano de 1982, Toninho Lima estava em Salvador. Ele trabalhava na DM9, naquela cidade, e esta agência precisava de um diretor de arte. Daí, entrou em contato comigo e começamos a negociação.

Um dia ele me ligou. “Jonga, falei com Duda a seu respeito. Ele quer que você venha aqui à Bahia para conversar com ele”. Combinamos, então, que a agência mandaria uma passagem para mim.
Acertado o dia, voei pra Salvador.

Como era fim-de-semana, fiquei sabendo logo ao chegar, que Duda estava na sua casa de praia em Mar Grande, na ilha de Itaparica. Fiquei sabendo também, que nós o encontrariamos lá no dia seguinte, ou seja, no domingo, dia aliás em que eu voltaria para o Rio.

O sábado foi extremamente agradável. Passeamos pela cidade inteira, fizemos um passeio turístico completo, e, claro, não podiamos deixar de finalizar a saborear um bom acarajé na Pituba.

Apesar de soteropolitano (é assim que se chama quem nasce em Salvador), tinha uns bons anos que não ia naquela cidade. Assim, muita coisa era novidade para mim. Outras, claro, uma recordação dos bons tempos de adolescente em que passava férias naquela cidade.

Chegou o domingo. E de manhã cedinho nos aprontamos para ir a Itaparica. Conosco, “tio Clício”, o Clício Barroso, que também era diretor de arte na DM9, e Selma, sua esposa. Fomos para o ferry-boat que faz a travessia da baía de Todos-os-Santos.

Pensando nas longas filas de automóveis, que, pelo menos naquela época demandavam horas e horas de sofrimento na fila, Duda achou melhor que nós deixássemos o carro no estacionamento e fôssemos como passageiros, o que agilizaria muito a operação. Do outro lado, pegaríamos uma kombi de aluguel que nos levaria até a sua casa em Mar Grande.

Correu tudo às mil maravilhas. E realmente, lá pelas dez nós já estavamos na casa de Duda. Aliás, uma casa agradabilíssima. Ficava a poucos metros da praia, um paraíso repleto de coqueiros, um mar azul de águas cristalinas e calientes. E bem na frente, um deck maravilhoso cheio de confortáveis espreguiçadeiras. Foi ali aliás, que começamos a bebericar uma lourinha estupidamente gelada, devidamente acompanhada de estupendas patas de caranguejos gigantes. Uma coisa imperdível!

O resto da manhã transcorreu assim, no mais perfeito relaxamento, alternando patas de caranguejo e outras delícias, cervejas e mergulhos, ora na piscina, ora no mar. Uma vidinha daquelas que se pediu a deus.

Lá pras tantas, serviram o almoço. Depois do almoço, aquela pachorra, aquele relax. Redes por todo lado. Cada um procurando o seu canto.

Em determinado momento eu me lembrei que teria que voltar a Salvador e ainda por cima ao aeroporto. Mas cadê o Duda? É, cadê o Duda? Afinal, eu tinha ido até lá para acertar salário, condições de mudança e essas coisas todas que envolviam uma troca de emprego, acrescida da mudança de estado. E com família a tiracolo. Mas o Duda havia desaparecido.

Depois de algum tempo, alguém que não me lembro quem descobriu que ele havia ido dormir. Putz! Ferrou, pensei. Depois daquelas patas de caranguejo todas, de todas aquela cervejinhas... Bom, que fazer? Bobeira tinha sido a minha de não ter falado antes. Agora talvez fosse tarde demais. O Duda ia ferrar no sono, e eu ia ficar a ver navios. E foi o que eu fui fazer na varanda, de frente para o mar.

Resumo da história: quem me salvou mesmo foi o Clício, que conseguiu falar com Duda, que desceu uns quinze minutos depois com uma cara de sono danada.

Quando embarquei de volta para o Rio, já estava contratado pela DM9.

quarta-feira, setembro 20, 2006

O "caso" da mijada

Acho que é um dos casos mais lembrados da propaganda mineira, por isto mesmo não poderia deixar de contar, muito embora não o tenha presenciado. Mas de fato, a historinha é tão famosa que já foi contada das mais diversas formas e até com pessoas trocadas. Talvez, quem sabe, a que vou contar também não seja a verdade verdadeira, mas, pelo menos a ouvi de fontes mais ou menos confiáveis.

Naqueles "bons tempos" da prancheta, cola de sapateiro e do pastup, o Ajuricaba Brasil, que então trabalhava no estúdio da Asa, preparava-se para varar uma daquelas memoráveis “madrugadas inesquecíveis” de anúncios de varejo, quando de repente surge o diretor de marketing da conta que mais uma vez estava provocando aquele habitual tumulto de sexta-feira.

O cliente começou naquela de dar um palpitezinho aqui, outro ali, em suma, cumprindo o papel de todo ‘cliente pentelho e incherido’. Lá pras tantas, o cliente vira-se para o nosso herói e comenta:

- É, cara, acho que se eu morresse, você iria dar uma mijadinha no meu túmulo, não é?

O Ajuricaba, olhou prum lado, olhou pro outro, e calmamente virou-se para o cliente arrematando:

- Que nada... eu detesto filas.

segunda-feira, setembro 18, 2006

O "caso" da miss Caxambu

O Lula Vieira tinha uma dessas historinhas curiosas, que só ele consegue contar. Era um poeminha ou coisa no gênero, mas que no final das contas resumia que o grande lugar para se comer um cu, era Caxambú.

E vivia o Lula a repetir esta historinha, por ironia, por gozação. Quando ele podia, ele atacava com o tal poema. E todo mundo se divertia com a brincadeira, que, afinal era realmente (desde que contada por ele) muito engraçada mesmo. Na ocasião, ainda na inesquecível VS Escala da Maria Eugênia, eu fazia dupla com o Marcos Vinícius Ferraz.

Uma manhã, este, sabendo que naquela semana era aniversário do Lula, combinou com a Patrícia Aguiar (RTVC da agência) pregar-lhe uma peça. A idéia era abrir o jornal, contratar uma daquelas putas de classificados, vesti-la de miss - Caxambú é claro - e enviar de presente para o Lula, na sua sala, no final da tarde. E, obviamente, no dia do seu aniversário.

Chegada a véspera do tão esperado dia, os dois realmente começaram a procurar a tal rameira nos classificados dos jornais. Mas o negócio é que algumas eram muito caras. Daí surgiu o aprimoramento da idéia. Quanto mais escrota, melhor. Era pegar uma bem escrachada. E foi o que aconteceu. Chegou uma dessas “breguérrimas”. Varizes e celulites pelo corpo todo, falhas nos dentes. Levaram-na para um local da agência, trocaram a roupa dela, ou melhor tiraram, já que ela não tinha maiô, deixando a dita cuja de calcinha e sutiã. Penduraram na vagabunda uma faixa idem, dessas de papel de bloco de layout com as inscrições Miss Caxambú, e colocaram em sua cabeça uma coroa de papel duplex. Para arrematar, nas mãos um tosco cetro de cartão Paraná.

Feito isto, se dirigiram para a sala do Lula.

Tchan-tchan-tchan-tchan!! Quando abriram a porta da sala com ‘miss’ Caxambu a tiracolo, o dito cujo estava com uma visita. Daí, pintou um clima. Foi um mal-estar geral. O Lula, ficou sem graça dum jeito que nunca se havia visto.

Foram momentos de suspense, um ambiente pesado. Até que, relaxando houve aquela risadaria geral. Toda a criação, o estúdio, e a esta altura quase a agência inteira empoleirada pelas escadas, tentando saber o que se passava na sala do Lula. Com puta e tudo, que, claro, não poderia ter deixado de dar um beijinho no aniversariante antes de se retirar, porque afinal, isto fazia parte do contrato.

sábado, setembro 16, 2006

O "caso" da modelo estreante

Quando eu trabalhava na Provarejo (leia-se Grupo Mesbla), fui dirigir uma foto para a chamada Linha Branca.

Na verdade, o anúncio ‘Linha Branca’ era um página dupla veiculado todos os anos pelo Magazine Mesbla na primeira contra capa e na página ao lado da revista Veja. Uma senhora colocação. Também um senhor problema, porque a contra capa era impressa em processo diferente da primeira página, além do que em papéis também diferentes. Isso sempre dava uma diferença brutal nas cores, na textura. Detalhes de uma profissão cheia deles.

O anúncio tinha esta denominação porque era composto de várias modelos – quase sempre eram só mulheres – todas vestidas de branco. A veiculação era na última edição do ano da revista, e, portanto as modelos sugeriam um clima de passagem de ano.

O layout que eu apresentara e fora aprovado tinha umas seis modelos, todas com taça de champanhe na mão. As cores ficavam por conta de serpentinas e confetes caindo, compondo um ambiente, cujo fundo de um azulado mais escuro realçava a cor branca das roupas. Essas, o produto. A razão de ser do anúncio.

Cheguei mais cedo no estúdio, que era em Santa Teresa. E, com o fotógrafo, começamos a adiantar o cenário e outros detalhes, como luz, angulação e outros detalhes. Além de acomodar a maquiadora, a produtora.

Sempre pensei o quanto as pessoas não sabem o trabalho que dá produzir uma foto, por mais simples que possa parecer.

Lá para as tantas, começaram a chegar as modelos. Conhecia algumas, como a Elzinha, que na época era casada com o filho do Clício Barroso, por acaso também Clício, e era então uma super badalada modelo. Haviam outras que eu conhecia de fotos ou de catálogos de agências. Porém, algumas nem isso. Era gente nova mesmo.

Uma dessas me chamou uma atenção especial. Era linda. Devia ter uns vinte aninhos, se tanto. Um rostinho vivo. E um corpo que sai da frente. Estava mais para uma ilustração do Benício do que para algo real. Um sonho de menina. Além do mais, a roupa que ‘caiu’ para ela era extremamente sensual.

Durante os preparativos a gente vai conversando, descontraindo, trocando idéias. Normalmente o diretor de arte tem que passar para as modelos o que quer delas, o clima da foto, etc. E tentar deixa-las bem à vontade para poderem render o máximo na hora do clic.
Em determinado momento estava eu conversando com a tal lindézima criatura descrita acima. Perguntei o nome dela. Antes de qualquer coisa ela disse:

- Eu sou irmã da Ísis de Oliveira... conhece?

Claro que eu conhecia. Naquela época, a Ísis era atriz da Globo, e estava na crista da onda.
- Estou começando agora nesta profissão... Acrescentou timidamente, desviando o olhar para os lados. Ai, que coisa mais linda! E continuou:

- ... o meu nome é Luma.

Não sei se foi aquela a sua estréia como modelo, mas, tenho certeza de que foi uma das primeiras vezes que pousou.

quinta-feira, setembro 14, 2006

O "caso" sem rodeios

Meu amigo e brilhante redator Maurilo Andreas tem um blog: http://pastelzinho.blogspot.com/
Neste, ele conta um caso do também amigo e brilhante redator Jackson Drumond Zuim. Um caso que vale a pena reproduzir.

Que grussuuuuuuuuuuura

O Zuim, além de um dos maiores redatores que já passaram por estas Minas Gerais, era famoso por suas tiradas. Pois um dia, num acesso de grossura sem precedentes, o Zuim chega pra uma colega de trabalho cujo nome eu sempre esqueço e manda, na maior tranquilidade, com aquela sua voz de baixo profundo:

"Ô, Fulana, pelo tempo que a gente trabalha junto já era pra eu ter comido você, não era não?"
Fecha o pano rapidinho.

quarta-feira, setembro 13, 2006

O "caso" do Capitão Aza

O Capitão Aza (assim com zê mesmo), era aquele cara que na TV Tupi concorria com o Capitão Furacão da TV Globo. Costumava aparecer na televisão num suposto avião, com capacete, nuvenzinhas e tudo a que tinha direito. Além do que, como seu principal rival, apresentava os principais desenhos animados e demais entretenimentos para a garotada de então.

Eram figuras folclóricas naquela época. E tinham, ambos, casos muito estranhos. Conta-se, que o Capitão Furacão num determinado dia sorteou alguns dos seus ‘grumetes’ para navegar numa escuna pelos mares da vida. O Capitão Furacão era caracterizado como um velho ‘lobo do mar’, e tinha como sua principal ajudante uma garotinha, a Elisangela. Sim, aquela mesma!

Pois bem. Começada a tal viagem, o tal do ‘comandante’, começou a enjoar, passar mal, e no final foi resgatado por um helicóptero em alto mar. Um puta dum vexame!

Mas, voltando ao Capitão Aza. Era uma figura. Fazia propaganda da FAB. Enaltecia a ‘gloriosa força aérea’, era um estardalhaço. E, até dava o maior dos ibopes.

Bom. Um determinado dia, nosso colega Victor Kirowsky trafegava em sua inconfundível Variant de cor vinho, quando esbarrou num Puma. Esbarrou é o modo de se dizer. Bateu mesmo. Abriu-se a porta e sai de lá o comandante in self. Começa então uma discussão de quem era ou não o culpado do incidente. Dizem que o capitão era meio violento. Até contavam as más línguas que ele era membro do SNI. O Vic, certamente, com o seu cachimbo à boca, no melhor estilo Jacques Tati, ouviu a presopopéia toda do apresentador televisivo, que no final, virou-se para ele e falou em altos brados:

- Sabe com quem está falando? Com o Capitão Aza!!!.

Victor Kirovisky baforou seu cachimbinho, olhou para o cara e respondeu:

- Prazer... Capitão Marvel.

Fechou a porta da Variant e arrancou sem dizer mais nada.

segunda-feira, setembro 11, 2006

O "caso" da mãe galinha

Ah! As particularidades desta nossa língua! Realmente são muito sutís. Mas, eu sempre me batia com os portugueses que a maior questão é que eles não falam a sua própria língua tão bem quanto deveriam falar. Ou, pelo menos não a escutam como deveriam escutar. E, obtive a prova máxima disto, no período em que ainda morava lá. Um dia, estava eu a ver “tulvisão”*, quando surge uma reportagem sobre a explosão de uma fábrica de fogos de artifício em Braga. Ora pois, lá pras tantas aparece um cartaz escrito a mão, ao lado do vigia. E o que dizia o cartaz? Nada mais nada menos que: “Prigo, explosivos”. Óbviamente que o gajo escreveu do jeito que saiu-lhe aos ouvidos.

E as diferenças? Tipo registro que é registo, equipe que é equipa. Um dia entrei no estúdio procurando um durex, e foi aquele ti-ti-ti. A Ana, que era uma semi-virgem lusitana, enrusbeceu-se toda. Depois vim a saber que durex lá é camisinha. E que o que eu procurava vinha a ser a tal da fita-cola. Tão natural gentem! Indo mais adiante, toca-fitas é leitor de cassetes. Isopor é esferovite, e faquinha olfa é chisato (que vem da marca x-ato, também japonesa, e que foi a primeira a aportar por aquelas bandas).

A criação na nossa lusagência tripeira**, era brasileira. Mas, em determinado momento contratamos uma dupla júnior portuguesa. Afinal, nada melhor do que quem fale o dialeto local para que as coisas possam ficar mais claras.

Um dos primeiros anúncios que eles fizeram foi para uma franquia de roupas de bebê (lá é bebé). Era um anúncio para vender a coleção (ou colecção) de inverno da referida loja. Passado o briefing, e dada aquela margem necessária a uma dupla júnior iniciante na agência, lá fui eu à sala deles saber como iam as coisas. E, para minha surpresa já estavam com o rough prontinho. Quando batí o olho no título, juro que levei um susto ao deparar de supetão com um “Neste inverno as mães galinhas...”. Cara! Pensei eu, “quequiéisso?” E depois de muito papo pra lá e papo prá cá, eles me convenceram que “mãe galinha”, do lado de lá do Atlântico, é nada mais nada menos que uma mãe coruja. Sem galinhagem alguma.

* É assim que eles falam televisão.

** Tripeiro é quem nasce na cidade do Porto.

O "caso" do grito de carnaval

Foi numa reunião de pré-produção que o Cyll Farney, o velho galã da chanchada nacional, revelou-me que não conseguia decorar textos maiores que vinte palavras. “Você pode reparar...”- dizia-me ele - “...em filmes, eu sempre que falava um texto grande, tinha um vaso de plantas na frente... ou alguma coisa do gênero”. De fato, dias depois assisti “Carnaval Atlândida”, na TV, e lá estava o Cyll, com uma tapadeira na frente, e, sem dúvida o texto alí, de cola. E naquele tempo nem existia teleprompter. Era duro mesmo.

Nesta mesma reunião, em que também estava presente o Carlos Manga, surgiram assuntos memoráveis. O Manga a falar das suas experiências e inovações nos tempos de TV Excelsior, no Rio de Janeiro. Coisas do arco da velha. Coisas que hoje são até comuns, mas naqueles idos de setenta eram mesmo audazes e inovadoras, como os finais de noite sexy que ele lançou e marcou época.

Mas, voltando ao Cyll, ele contou casos de quando fez uma série na antiga TV Tupi, ali na Urca. O nome da referida série era “O jovem dr. Ricardo”. Olha gente, eu juro que, apesar de na época ser garoto, ainda me lembro da série. Começava com uma ambulância subindo a rua Alice, fazendo aquelas curvas todas. E depois finalmente, começava o capítulo, naquele improviso que era a televisão de então. A televisão dos tempos do “Falcão Negro” e dos “Patrulheiros Toddy”, do “Repórter Esso” e do “Teatrinho Trol”.

Vi um cenário da série “Falcão Negro” despencar quando o vilão da história esbarrou nele. E o pior: era a parede de ‘pedra’ de um castelo. Claro que pintada em compensado. Ainda trocaram de câmera, mas a gente ouviu aquele barulhão da coisa batendo no chão.

Mas, conta o Cyll Farney, que no primeiro capítulo da tal série, ele estava nervoso pra cacête (detalhe importante, naquela época não existia VT. O negócio era pra valer. Ali, no ato... e pimba!), e tinha que entrar em cena se apresentando. Então era só dizer: “Eu sou o dr. Ricardo!”. Não é que o nosso herói entra em cena, abre a porta e diz no ar, alto e bom som: “Eu sou o Cyll Farney!”. Coisas do futebol!

Um bom tempo depois desses acontecimentos, e eu estava na Provarejo, aquela agência que atendia o grupo Mesbla inteiro. Eu fui pra lá como supervisor de criação e era uma trabalheira dos diabos. Uma hiperagência, num tempo de hipernúmeros. Putz! A gente saia de lá hipermassacrado. Mas, juro que era divertido às pampas. Um dia, perto do carnaval, a gente inventou o “grito de carnaval”. Convidou a agência inteira para assistir às tantas horas um grito de carnaval na criação. Chegada a tal hora, todo mundo começou a chegar perto da criação, aquela expectativa toda. E, de repente, todas as duplas gritaram em coro: “CARNAVAAAAAAAAAAL!” Estava dado o tal grito.

Não tinha nada a ver com “Carnaval Atlântida”, mas é um caso que quem viveu não pode se esquecer.

sexta-feira, setembro 08, 2006

O "caso" do táxi

Conheci o Ney D’Azambuja Ramos, ou simplesmente Ney Azambuja nos bons tempos de L&M. Uma das características mais marcantes do Ney é o seu apurado senso de humor. E, neste particular, recordo-me de passagens memoráveis. Aquela de entupir os cachimbos do Victor Kirowisky com cola de borracha era uma delas.

Um dia ele sorrateiramente acendeu um fósforo no traseiro do Saulo, um ilustrador, na época ainda estagiário. A chama foi queimando devagarinho até que o Saulo deu um pulo de susto. Aos berros, queria até chegar às vias de fato. Teve que ser contido pela galera enquanto o Ney rolava no chão de tanto rir.

Coisas desse tipo me faziam o Ney lembrar o ‘primo Altamirando’, ou simplesmente ‘Mirinho’, famoso personagem do Stanislaw Ponte Preta.

Criativo, escreveu a letra de ‘Rua Ramalhete’, música do Tavito, sem nunca ter pisado os pés em Belo Horizonte. Tudo a partir de um briefing do parceiro. Nas horas vagas era piloto de teco-teco.

Mas entre os muitos casos do Ney, tem um que realmente pode ser considerado memorável.
Às vezes, quando saia do trabalho, pegava o seu fusquinha, e ali, bem ali onde tem um “Santo Antônio” para os caronas se segurarem em casos de freiadas bruscas, curvas fechadas, ou aceleradas mais audazes, ele ocasionalmente acendia uma lanterna dessas de mão. O fato é que ficava parecendo um taxímetro. Afinal, à noite todos os gatos são pardos mesmo. Além disso, naquele tempo, táxi não tinha cor definida, o que confundia mais ainda. Segundo o Ney, era divertido demais ver os menos avisados fazendo sinal para o carro. E ele não parando, claro.

Até que uma noite, uma velhinha acenou. E o Ney, pensou com os seus botões que ia fazer a boa ação do dia. Parou o carro, abriu a porta e ela entrou. Sentou no banco e pediu-lhe que fosse para o Bairro Peixoto. Bom, ele tacou ficha, como se um táxi fosse.

Chegando ao seu destino, a dona abriu a bolsa e perguntou quanto tinha sido a corrida. O Ney, esboçando um sorriso, disse que não era nada porque afinal de contas ele não era táxi e só queria mesmo ter dado uma “carona” para ela; fazer um obséquio.

A velha senhora não se conformou. Olhou para ele, olhos esbugalhados, atônita, não acreditando naquilo, e foi saindo desconfiada do que pensara ser um táxi. Deu a volta, olhou bem a placa do carro e realmente certificou-se de que aquele papo estranho era mesmo a pura verdade. Saiu correndo o mais depressa que pode. E deve ter passado um bom tempo conferindo placas antes de pegar outro táxi.

terça-feira, setembro 05, 2006

O "caso" da dedicatória

Outra história rapidinha.

Hélio Faria foi diretor de criação da Asa durante um longo tempo, antes de partir para sua própria agência, a L&F.Tem um "caso" muito engraçado que aconteceu com ele e um diretor de arte mineiro (que não me ocorre o nome).

A ASA tinha muitos livros de publicidade. Diversos deles eram do próprio Hélio, não da agência. Um belo dia ele descobriu que sua coleção particular estava diminuindo a cada dia que passava.
É que tal diretor de arte pegava os livros do Hélio, que já estavam devidamente assinados na primeira página, e colocava acima: "Para o fulano de tal, com um abraço do..." e aproveitava a sua assinatura.

O "caso" do mendigo

João Moacyr de Medeiros foi muito importante na história da propaganda. Não somente a carioca, como também a brasileira. Sem dúvida alguma, a sua JMM constituiu-se, já na década de cinqüenta, uma das agências pioneiras na reformulação da comunicação no Brasil, e também na procura de novos caminhos para o negócio da propaganda. Principalmente pelo trabalho desenvolvido para o Banco Nacional, que naqueles tempos respondia pelo nome de BNMG (sigla de Banco Nacional de Minas Gerais).

Existem pérolas da criatividade publicitária nos moldes de então. Como por exemplo o filme do personagem que vai envelhecendo, a barba crescendo, e criando teias de aranha nas mãos, como também no corpo todo por ficar esperando ser atendido em um banco qualquer. Depois, o filme terminava dizendo que no Nacional, não era nada disso, que num banco moderno você é atendido rapida e eficientemente, e por aí a fora. O que era verdade. O Nacional foi o primeiro banco a instituir o atendimento direto ao caixa.

E a campanha do José? José era o gerente do banco, de um banco que facilitava a vida de todo mundo. No final, o filme sempre terminava com a frase: “José, você é um santo!”. Surgia uma aureolazinha na cabeça do José, seguida de um “plim”, e este olhava para cima com aquele ar dócil. O José, era nada mais nada menos que o Zacarias (aquele mesmo dos Trapalhões), sem peruca. Um doce de campanha.

Anteriormente, a JMM já havia desenvolvido conceitos e campanhas bastante inovadores, como as da Real Aerovias, uma companhia aérea, ou das Casas Masson, uma joalheria do Rio.

Bom, é claro que o Medeiros estava escorado, e muito bem escorado pelo Cid Pacheco, um puta dum profissional de comunicação. Professor, o Cid fez escola na criação e no atendimento, pela sua cultura, pelo seu conhecimento da história da propaganda, pelo seu domínio do marketing.
Tive o prazer de conviver com o Cid, quando o Favilla e eu fomos para a Sinal, agência criada para atender o Banco Nacional em 1979. Os primeiros dias daquela agência foram na JMM, até ela mudar-se em definitivo para Botafogo, onde ocupou uma parte da Esquire, cujo espaço era muito maior, em um palacete de Botafogo; pois o Medeiros era sócio do Fernando Barbosa Lima, também um dos sócios da Esquire.

Mas, o fato é que têm coisas que ocorreram com o Cid, e quem para o conheceu, sabe que só podiam ter acontecido com o Cid. Tem por exemplo o caso da campanha “sob medida”. Ou da “campanha planejada”, ou seja o nome que seja dado a este caso.

Teria, na ocasião, combinado com o Lula Vieira, então diretor de criação da agência: “Vamos fazer como fazem os estadunidenses! Uma campanha com prazos, dentro de um cronograma perfeito. Nada de ‘correria’, nada de coisas feitas na última hora”. E começou a traçar uma estratégia. E, claro que a coisa correu às mil maravilhas. Uma semana antes da apresentação da referida campanha - que por sinal era uma concorrência -, estava tudo pronto. Tudo nos ‘trinques’. E o velho Cid, passava pelos corredores da agência, cumprimentando toda a equipe envolvida no trabalho, parabenizando o Lula e todos aqueles que realizaram uma tarefa impecável.

Chegou o dia da apresentação, que era em São Paulo. O Cid embarca com o embrulho das peças a serem apresentadas. A apresentação tinha hora marcada. Cada agência entraria a seu tempo. Mas, no íntimo, Cid Pacheco exibia um sorriso de confiança.

Perto da hora marcada, Cid começa a desembrulhar tranqüilamente o pacote, e eis que... um susto! Não estavam ali as peças da campanha, e sim as artes finais de outro trabalho, de outro cliente. Resultado: liga pro Rio, manda o boy embarcar rapidinho no aeroporto, não só para trazer o que teria que estar lá, como também para devolver o que não deveria estar. No final da história, a tão planejada apresentação aconteceu. Mas com mais de três horas de atraso. Uf!!!

Agora, de todas as histórias da JMM, a mais folclórica, a mais comentada, era a do mendigo que andava nas imediações da agência, ali no Largo da Carioca, e que adentrava a sala do Medeiros pedindo um dinheirinho, estivesse lá quem estivesse. E o mais interessante é que o Medeiros metia a mão no bolso, retirava alguns trocadas de sua polpuda carteira e o entregava ao esmolante, sabe-se lá porquê... caladinho.

Casos que a propaganda não contou.

sábado, setembro 02, 2006

O "caso" da apresentação à japonesa

Aconteceu na Salles em São Paulo, e eu não estava presente. Na época trabalhava na mesma agência aqui do Rio, mas o fato, de fato correu pelos quatro cantos, e todo o mundo ficou sabendo.

Foi uma apresentação para um prospect. Era um grupo nipônico. E havia um detalhe muito importante: os clientes não falavam bulhufas de português. Então, obviamente era necessária a presença de um intérprete. Um desses nisseis, que não faltam por aquelas bandas de Sampa.
Presente o alto comando da Salles. Naquela época, além do Mauro Salles, seu irmão Luis e o Domingos Logullo, este diretor nacional de criação da agência.

A apresentação foi toda feita na base do falava alguém em português, e o tal do tradutor repassava tudo em japonês. E assim a campanha foi toda apresentada. E os japas ali, atentos a tudo.

No final, o tal grupo de orientais se retirou e fechou-se numa sala ao lado. Aquele suspense. Suor frio nas mãos, todos se entreolhando. Um puta dum clima de expectativa.

Ao final de alguns minutos, que sabe-se lá quantos, os personagens saem da sala, a tal sala ao lado, e caem de aplausos em frente à equipe da Salles e do intérprete. E retiram-se abruptamente.

Instantes de alegria e exaltação. Mauro, Domingos, Luis, a galera toda vibrando com os aplausos, com o entusiasmo dos japas. De repente o intérprete toma a palavra e pede um aparte:
- Calma, gente, calma gente, né!?

O grupo, sem compreender exatamente o que, encara o nissei. E ele continua:

- Não é bem o que vocês estão pensando...

Todos, atônitos, continuam a encarar o intérprete.

- Na verdade, existe um velho hábito japonês que é o de aplaudir, por questão de respeito, aqueles que perdem, mas que pelo esforço e pelo empenho merecem solidariedade e muita consideração.

Ah, esses japoneses!

Este texto foi publicado no site do CCRJ

sexta-feira, setembro 01, 2006

O "caso" da paquera

A Zurana era uma produtora de jingles que fez muito sucesso no Rio de Janeiro nos finais dos anos 70 e início dos 80.

Seu staff era composto de, nada mais nada menos que Ivan Lins, Paulo Sérgio Vale, Tavito, todos alinhavados pelo talento coordenador de Mariozinho Rocha, um senhor produtor musical.
Era muito comum a turma de criação da L&M encontra-los no fim da tarde, ou mesmo almoçar no Amarelinho, pois a Zurana era na Alcindo Guanabara, quase ao lado do famoso boteco do centro do Rio.

Costumávamos ficar ali por infindáveis momentos e papos, piadas e casos da vida. Sempre, depois do chopp algumas – às vezes muitas - doses de licor. Cointreau de preferência.
O Tavito, após um desses almoços, num dia inspirado por aquelas diversas doses de Cointreau, contou um caso que se passou com ele:

- Gente, eu estava na rua outro dia, parado num sinal, e uma mulher linda, mas muito linda mesmo, deu bola pra mim... – rodou a cabeça em torno, encarando a todos, e continuou – ...e era pra mim mesmo! Juro! Sabem por que? Acreditem, mas não havia mais ninguém naquela direção...

O "caso" da bruxa

Quem me contou esta foi o saudoso Daniel de Freitas, um dos sócios da DNA, durante um jantar em Belo Horizonte, na última vez em que trabalhei naquela cidade entre abril de 1999 e setembro de 2000.

Estava ele uma noite, num bar, quando notou que seus charutos haviam acabado. Daniel que não passava sem um bom cubano, pegou o telefone, e ligou para a agência, que não estava muito longe. Atendeu o vigia. O Daniel pediu a ele que procurasse uma caixa de charutos que estava na gaveta de sua mesa, pegasse uns três ou quatro, e levasse para ele.

Continuou no papo, no uísque, e o tempo foi passando.

Após uma longa e “paciente” espera, voltou a ligar pro cara. Ele atendeu e o Daniel perguntou por que não havia chegado até aquele momento.

“Ih, Seu Daniel! Eu achei os seus charutos... eu peguei os seus charutos... eu desci com os seus charutos... mas acontece, que quando eu cheguei na rua... vinham duas bruxas andando na minha direção, e... eu... bom... eu voltei pra agência... e tô com medo até agora...” disse o zelador com a voz trêmula.

Era noite de Halloween.