sábado, setembro 02, 2006

O "caso" da apresentação à japonesa

Aconteceu na Salles em São Paulo, e eu não estava presente. Na época trabalhava na mesma agência aqui do Rio, mas o fato, de fato correu pelos quatro cantos, e todo o mundo ficou sabendo.

Foi uma apresentação para um prospect. Era um grupo nipônico. E havia um detalhe muito importante: os clientes não falavam bulhufas de português. Então, obviamente era necessária a presença de um intérprete. Um desses nisseis, que não faltam por aquelas bandas de Sampa.
Presente o alto comando da Salles. Naquela época, além do Mauro Salles, seu irmão Luis e o Domingos Logullo, este diretor nacional de criação da agência.

A apresentação foi toda feita na base do falava alguém em português, e o tal do tradutor repassava tudo em japonês. E assim a campanha foi toda apresentada. E os japas ali, atentos a tudo.

No final, o tal grupo de orientais se retirou e fechou-se numa sala ao lado. Aquele suspense. Suor frio nas mãos, todos se entreolhando. Um puta dum clima de expectativa.

Ao final de alguns minutos, que sabe-se lá quantos, os personagens saem da sala, a tal sala ao lado, e caem de aplausos em frente à equipe da Salles e do intérprete. E retiram-se abruptamente.

Instantes de alegria e exaltação. Mauro, Domingos, Luis, a galera toda vibrando com os aplausos, com o entusiasmo dos japas. De repente o intérprete toma a palavra e pede um aparte:
- Calma, gente, calma gente, né!?

O grupo, sem compreender exatamente o que, encara o nissei. E ele continua:

- Não é bem o que vocês estão pensando...

Todos, atônitos, continuam a encarar o intérprete.

- Na verdade, existe um velho hábito japonês que é o de aplaudir, por questão de respeito, aqueles que perdem, mas que pelo esforço e pelo empenho merecem solidariedade e muita consideração.

Ah, esses japoneses!

Este texto foi publicado no site do CCRJ

Nenhum comentário: