sábado, setembro 23, 2006

O “caso” da contratação

Corria o ano de 1982, Toninho Lima estava em Salvador. Ele trabalhava na DM9, naquela cidade, e esta agência precisava de um diretor de arte. Daí, entrou em contato comigo e começamos a negociação.

Um dia ele me ligou. “Jonga, falei com Duda a seu respeito. Ele quer que você venha aqui à Bahia para conversar com ele”. Combinamos, então, que a agência mandaria uma passagem para mim.
Acertado o dia, voei pra Salvador.

Como era fim-de-semana, fiquei sabendo logo ao chegar, que Duda estava na sua casa de praia em Mar Grande, na ilha de Itaparica. Fiquei sabendo também, que nós o encontrariamos lá no dia seguinte, ou seja, no domingo, dia aliás em que eu voltaria para o Rio.

O sábado foi extremamente agradável. Passeamos pela cidade inteira, fizemos um passeio turístico completo, e, claro, não podiamos deixar de finalizar a saborear um bom acarajé na Pituba.

Apesar de soteropolitano (é assim que se chama quem nasce em Salvador), tinha uns bons anos que não ia naquela cidade. Assim, muita coisa era novidade para mim. Outras, claro, uma recordação dos bons tempos de adolescente em que passava férias naquela cidade.

Chegou o domingo. E de manhã cedinho nos aprontamos para ir a Itaparica. Conosco, “tio Clício”, o Clício Barroso, que também era diretor de arte na DM9, e Selma, sua esposa. Fomos para o ferry-boat que faz a travessia da baía de Todos-os-Santos.

Pensando nas longas filas de automóveis, que, pelo menos naquela época demandavam horas e horas de sofrimento na fila, Duda achou melhor que nós deixássemos o carro no estacionamento e fôssemos como passageiros, o que agilizaria muito a operação. Do outro lado, pegaríamos uma kombi de aluguel que nos levaria até a sua casa em Mar Grande.

Correu tudo às mil maravilhas. E realmente, lá pelas dez nós já estavamos na casa de Duda. Aliás, uma casa agradabilíssima. Ficava a poucos metros da praia, um paraíso repleto de coqueiros, um mar azul de águas cristalinas e calientes. E bem na frente, um deck maravilhoso cheio de confortáveis espreguiçadeiras. Foi ali aliás, que começamos a bebericar uma lourinha estupidamente gelada, devidamente acompanhada de estupendas patas de caranguejos gigantes. Uma coisa imperdível!

O resto da manhã transcorreu assim, no mais perfeito relaxamento, alternando patas de caranguejo e outras delícias, cervejas e mergulhos, ora na piscina, ora no mar. Uma vidinha daquelas que se pediu a deus.

Lá pras tantas, serviram o almoço. Depois do almoço, aquela pachorra, aquele relax. Redes por todo lado. Cada um procurando o seu canto.

Em determinado momento eu me lembrei que teria que voltar a Salvador e ainda por cima ao aeroporto. Mas cadê o Duda? É, cadê o Duda? Afinal, eu tinha ido até lá para acertar salário, condições de mudança e essas coisas todas que envolviam uma troca de emprego, acrescida da mudança de estado. E com família a tiracolo. Mas o Duda havia desaparecido.

Depois de algum tempo, alguém que não me lembro quem descobriu que ele havia ido dormir. Putz! Ferrou, pensei. Depois daquelas patas de caranguejo todas, de todas aquela cervejinhas... Bom, que fazer? Bobeira tinha sido a minha de não ter falado antes. Agora talvez fosse tarde demais. O Duda ia ferrar no sono, e eu ia ficar a ver navios. E foi o que eu fui fazer na varanda, de frente para o mar.

Resumo da história: quem me salvou mesmo foi o Clício, que conseguiu falar com Duda, que desceu uns quinze minutos depois com uma cara de sono danada.

Quando embarquei de volta para o Rio, já estava contratado pela DM9.

2 comentários:

redatozim disse...

Deve ter sido mais ou menos a mesma coisa quando você foi contratado pela Solution, não?

oliva disse...

Na verdade, foi bem mais complicado. Até porque tinha todo aquele astral de que se estava contratando não um diretor de criação, mas um cardeal arcebispo. Com todo o respeito, sô!