segunda-feira, setembro 11, 2006

O "caso" da mãe galinha

Ah! As particularidades desta nossa língua! Realmente são muito sutís. Mas, eu sempre me batia com os portugueses que a maior questão é que eles não falam a sua própria língua tão bem quanto deveriam falar. Ou, pelo menos não a escutam como deveriam escutar. E, obtive a prova máxima disto, no período em que ainda morava lá. Um dia, estava eu a ver “tulvisão”*, quando surge uma reportagem sobre a explosão de uma fábrica de fogos de artifício em Braga. Ora pois, lá pras tantas aparece um cartaz escrito a mão, ao lado do vigia. E o que dizia o cartaz? Nada mais nada menos que: “Prigo, explosivos”. Óbviamente que o gajo escreveu do jeito que saiu-lhe aos ouvidos.

E as diferenças? Tipo registro que é registo, equipe que é equipa. Um dia entrei no estúdio procurando um durex, e foi aquele ti-ti-ti. A Ana, que era uma semi-virgem lusitana, enrusbeceu-se toda. Depois vim a saber que durex lá é camisinha. E que o que eu procurava vinha a ser a tal da fita-cola. Tão natural gentem! Indo mais adiante, toca-fitas é leitor de cassetes. Isopor é esferovite, e faquinha olfa é chisato (que vem da marca x-ato, também japonesa, e que foi a primeira a aportar por aquelas bandas).

A criação na nossa lusagência tripeira**, era brasileira. Mas, em determinado momento contratamos uma dupla júnior portuguesa. Afinal, nada melhor do que quem fale o dialeto local para que as coisas possam ficar mais claras.

Um dos primeiros anúncios que eles fizeram foi para uma franquia de roupas de bebê (lá é bebé). Era um anúncio para vender a coleção (ou colecção) de inverno da referida loja. Passado o briefing, e dada aquela margem necessária a uma dupla júnior iniciante na agência, lá fui eu à sala deles saber como iam as coisas. E, para minha surpresa já estavam com o rough prontinho. Quando batí o olho no título, juro que levei um susto ao deparar de supetão com um “Neste inverno as mães galinhas...”. Cara! Pensei eu, “quequiéisso?” E depois de muito papo pra lá e papo prá cá, eles me convenceram que “mãe galinha”, do lado de lá do Atlântico, é nada mais nada menos que uma mãe coruja. Sem galinhagem alguma.

* É assim que eles falam televisão.

** Tripeiro é quem nasce na cidade do Porto.

3 comentários:

redatozim disse...

Pelamordedeus, nem por brincadeira venha me elogiar pra Fernanda dizendo que eu sou um belo pai galinha.

Eduardo Semedo disse...

Outro dia eu estava navegando pela internet quando encontrei um site de noticias português com o seguinte título: "Cientistas Tentam Achar Causa da Explosão do Vaivém". Eu fiquei olhando para aquela palavra "Vaivém" e pensando o que diabos será isso significa? Um Io-iô? Ou talvez um bumerangue? Mas como explodiu? Bem, cliquei no link pra ler a tal noticia e literamente cai da cadeira de tanto rir ao constatar que o tal "Vaivém" nada mais era do que o nosso bom e velho ônibus espacial!

Mônica disse...

Oliva!
Você esqueceu de uma pérola dos além mar. Trata-se da palavra "PUTOS". Estava chegando em Lisboa e já no aeroporto ouvi um Sr. perguntar ao outro. "E então pá, como estão seus putos???". Ãrregalei os olhos e pensei. Fogo! Que linguagem!!!! Dias mais tarde, vim a saber que Putos quer dizer, crianças, tão santas e inocentes!!!

berjo