sexta-feira, setembro 29, 2006

O "caso" do pato laqueado

A VS Escala instituiu um prêmio de incentivo que consistia no seguinte: a pessoa que ganhasse o título de melhor, mais empenhado e os escambal funcionário do mês, tinha direito a um jantar em qualquer restaurante à sua escolha. Depois, o contemplado trazia a notinha fiscal e a contabilidade reembolsava. E tanto era uma idéia do caralho, que, em homenagem ao Lula, o prêmio foi batizado de "Prêmio Ducaralho", assim mesmo, do jeito que ele se expressava quando via um anúncio ou uma campanha da gente que o agradasse.

Bom. O prêmio ainda era conferido no final de uma festa mensal (cuja produção, a cargo da Léa Penteado era de fazer inveja a qualquer maitre de hotel da C’ôte D’azur) que tinha direito a tudo, inclusive show de sapateado do Fernando Farah e o famoso show de quem-come-quem de fim de festa de empresa.

A coisa era esperada por todo mundo com muita ansiedade, pois somente no último minuto da festa, no apagar das luzes, o Valdir, o Lula ou o Carlão anunciavam o grande vencedor. E o felizardo já ficava a imaginar onde iria jantar bem, mas bem "pra caralho" mesmo, como já dizia o nome do prêmio.

Eu me lembro que quando eu ganhei, fui com a Virgínia no L,’Argent, então o melhor restaurante francês do Rio, e degustamos em grande estilo um daqueles menus complets, com direito a sorvetinho entre um prato e outro, queijinhos no final, e outras coisas que a gente não encontra sempre no fast food mais próximo.

Daí, teve o mês que o Manolo ganhou. O espanhol ficou exultante. Pulava de alegria. E era alegria mesmo. A mais pura, porque o afinal de contas, o Manolo era um dos fundadores dos Alcoólicos Anônimos. Soltou uma das suas mais famosas frases em portunhol do tipo: "crejo que gané el dia honestamente", e se mandou.

Dois dias depois, uma daquelas polvorosas inesquecíveis. Gente xingando pra cá. O Aías Lopes espumando pelos corredores, o Lula, o Carlão se dirigindo para a sala de reunião. Um auê de proporções apavorantes. "Será que perdemos a conta do Citibank?". "Será que a Fleishmann Royal vai deixar a agência?", perguntei aos meus botões. Aquele ti-ti-ti danado na agência. Cada um dizia uma coisa. Cada um especulava alguma história mais escabrosa.

Finalmente. Convocação de toda a criação para reunião na sala do Lula.

"É, o bicho pegou", concluí com os meus botões. Enfim, fomos todos mais do que rápidamente para lá, saber o que afinal de contas estava se passando.

O Lula, com aquele jeitão calmo e irônico que lhe é peculiar, tomou a palavra e começou a explicar pra gente que a partir daquele momento, prêmio "Ducaralho", só para o casal. Que, decisão da diretoria, em hipótese alguma poder-se-ia levar mais que a esposa, companheira, namorada, a mãe, o pai, ou seja lá o nome que tenha a pessoa que o acompanharia.

E aí contou a história do "pato laqueado", que, garantia o Manolo, era caro daquele jeito porque tinha que ser encomendado de véspera, que é um prato especial, etc, etc. E, concluiu todo o mundo que o Manolo tinha levado a família, a vizinhança e o papagaio para o restaurante chinês.
Dois meses depois, o prêmio "Ducaralho" passou definitivamente para a história da VS e da propaganda.

2 comentários:

stela cramer disse...

Jonga querido,
Eu trabalhava no estudio da VS por ocasião do Pato Laqueado aos 7 perfumes, esse era o nome completo do prato. E lembro que depois disso apenas mais um ou dois jantares Duca foram concedidos. As proporções da coisa toda foram sendo reduzidas, minimizadas e por fim o premio desapareceu.
E alguém sabe o que é feito do Manolo?

Jonga Olivieri disse...

Oi Stela,
Que legal que você postou um comentário no meu blog.
Quanto ao Manolo, sumiu. Ninguém sabe dele. O Fernando, por diversas vezes que veio ao Brasil tentou acha-lo, mas... nada.