sexta-feira, setembro 08, 2006

O "caso" do táxi

Conheci o Ney D’Azambuja Ramos, ou simplesmente Ney Azambuja nos bons tempos de L&M. Uma das características mais marcantes do Ney é o seu apurado senso de humor. E, neste particular, recordo-me de passagens memoráveis. Aquela de entupir os cachimbos do Victor Kirowisky com cola de borracha era uma delas.

Um dia ele sorrateiramente acendeu um fósforo no traseiro do Saulo, um ilustrador, na época ainda estagiário. A chama foi queimando devagarinho até que o Saulo deu um pulo de susto. Aos berros, queria até chegar às vias de fato. Teve que ser contido pela galera enquanto o Ney rolava no chão de tanto rir.

Coisas desse tipo me faziam o Ney lembrar o ‘primo Altamirando’, ou simplesmente ‘Mirinho’, famoso personagem do Stanislaw Ponte Preta.

Criativo, escreveu a letra de ‘Rua Ramalhete’, música do Tavito, sem nunca ter pisado os pés em Belo Horizonte. Tudo a partir de um briefing do parceiro. Nas horas vagas era piloto de teco-teco.

Mas entre os muitos casos do Ney, tem um que realmente pode ser considerado memorável.
Às vezes, quando saia do trabalho, pegava o seu fusquinha, e ali, bem ali onde tem um “Santo Antônio” para os caronas se segurarem em casos de freiadas bruscas, curvas fechadas, ou aceleradas mais audazes, ele ocasionalmente acendia uma lanterna dessas de mão. O fato é que ficava parecendo um taxímetro. Afinal, à noite todos os gatos são pardos mesmo. Além disso, naquele tempo, táxi não tinha cor definida, o que confundia mais ainda. Segundo o Ney, era divertido demais ver os menos avisados fazendo sinal para o carro. E ele não parando, claro.

Até que uma noite, uma velhinha acenou. E o Ney, pensou com os seus botões que ia fazer a boa ação do dia. Parou o carro, abriu a porta e ela entrou. Sentou no banco e pediu-lhe que fosse para o Bairro Peixoto. Bom, ele tacou ficha, como se um táxi fosse.

Chegando ao seu destino, a dona abriu a bolsa e perguntou quanto tinha sido a corrida. O Ney, esboçando um sorriso, disse que não era nada porque afinal de contas ele não era táxi e só queria mesmo ter dado uma “carona” para ela; fazer um obséquio.

A velha senhora não se conformou. Olhou para ele, olhos esbugalhados, atônita, não acreditando naquilo, e foi saindo desconfiada do que pensara ser um táxi. Deu a volta, olhou bem a placa do carro e realmente certificou-se de que aquele papo estranho era mesmo a pura verdade. Saiu correndo o mais depressa que pode. E deve ter passado um bom tempo conferindo placas antes de pegar outro táxi.

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