segunda-feira, outubro 30, 2006

O "caso" do sushi de natal

Estava perto do natal. E natal é aquela época em que a gente relaxa. Um ex-dupla meu costumava dizer: “Bicho... estou em espírito de natal...” mais ou menos um mês antes, lá pra meados de novembro.

O que se passa de fato é que depois do dia dezoito de dezembro, fica até difícil a gente se concentrar. É festa aqui, amigo oculto alí, jantar não sei onde. Puf! Você engorda e cansa.

Foi assim que aconteceu no dia que o Geraldo Mello, um fotógrafo amigo meu ligou me convidando para um almoço. Como o Geraldo era um grande amigo e parceirão nos trabalhos - aquele fora o ano da primeira campanha da VS para o Citibank, com fotos dele -, aceitei de bom grado o convite.

Fomos pro Kampai. Aquele “japa” que ficava lá da praia de Botafogo, que aliás era muito bom de serviço. E começamos aquela loucura que é navegar por aqueles barcos de combinados de sushi e sashimi. Tudo, naturalmente muito bem regado a saquê. Um bom saquê nipônico, gelado e com aquele salzinho na borda do copo, pra ele descer mais redondo ainda.

Bom. A verdade é que eu tomei saquê demais. O Geraldo não estava aguentando muito a tal bebida e no final eu estava tomando os meus e os dele. No melhor espírito natalino. E assim foi, até sei lá eu que horas.

Sai de lá. Despedi-me do Geraldo, e aí começa a tal da amnésia alcoólica. Não me lembro como cheguei na VS. Mas cheguei. E o pior, dirigindo. Não me lembro também de muita coisa que aconteceu daí em diante, muitas das quais me contaram depois e eu até hoje não posso garantir se foi o fato, ou a versão do fato. Vamos a alguns deles.

Esse até eu me lembro mais ou menos. Estava eu na produção gráfica. Daí comecei a falar sobre as vantagens de se beber saquê. Entre elas, pasmem, a de que a dita bebida não deixava a gente de porre. Quando me levantei da cadeira, caí no chão.

Entre outras coisas, contam as más linguas que eu tirei o sapato da Silvana Grendene (secretária do Lula) e lhe beijei os pés. E por falar em beijo, taquei um beijo na Maída, um mulherão que trabalhava na mídia. Em plena escada, segundo me disseram.

A verdade é que de todas as histórias que contam deste dia, eu só me lembro do discurso na produção gráfica em defesa do saquê.

Só sei que eu cheguei em casa lá pelas cinco da tarde, apaguei, e acordei no dia seguinte com a maior ressaca que já tive em toda a minha vida. Não só a física, quanto, e principalmente a moral.

Depois disso, nunca mais bebi além de duas doses de saquê.

quinta-feira, outubro 26, 2006

O "caso" do casaco

A Doctor era uma agência muito louca. Às quatro da tarde, invariavelmente começava a rolar uísque, tequila, pinga...

Sexta-feira, o Serjão voltava do almoço na “Estrela do Sul” tão tocado que descarregava um ou mais extintores de incêndio pelas salas. Um dia, trocou o extintor e molhou vários computadores. Foi um estrago.

“Peidão”, “puf” e outras coisas, me remetiam aos tempos de colégio. No final das contas, que era divertido, lá isso era. Adolescente demais, mas, inegavelmente divertido.

Todo mês, o “Porcão”, uma das principais contas da agência, mandava pra lá um churrasqueiro e rolava aquele happyhour regado a muita cerveja, uísque, tequila... Na Copa de 98, todo jogo foi acompanhado dessas churrascadas memoráveis.

A agência possuía várias contas de varejo, principalmente as de revenda de automóveis. Por isso mesmo, nunca a gente conseguia sair para almoçar numa hora mais ou menos normal. Eu me lembro que queria marcar um almoço com amigos de outras agências e não era possível, porque geralmente meu horário de folga só acontecia lá pelas três, às vezes quatro da tarde.

Um belo dia, estava eu colado no meu Mac com trabalho demais. E a turma da minha sala começou a fazer uma guerrinha de fósforos. Era chama voando pra cá e pra lá num frenesí incandescente.

Senti um cheirinho de fogo mais forte. Sem muito tempo, olhei rapidamente em torno e não vi fumaça. “Deve ser o excesso de fósforos no ar”, concluí. Mas, eis que de repente, senti também um calorzinho no lado esquerdo. Quando olhei, meu casaco novinho estava pegando fogo bem no bolso. Foi um puta dum susto. Enquanto eu retirava o casaco do corpo apressadamente, a galera rolava no chão de tanto rir. Foram momentos terríveis, mas, admito que deve ter sido muito engraçado. Claro que pra quem não estava pegando fogo.

Pelo menos escapei com vida!

domingo, outubro 22, 2006

O "caso" do almoço com as estrelas

A coisa começou porque toda sexta feira a turma da criação da ASA e mais o Luis Márcio Vianna, que era o diretor de planejamento da agência, resolveram fazer um rega bofe daqueles.

Saiamos na hora do almoço, escolhíamos um restaurante em Beagá, e lá íamos nós. Geralmente, voltava todo mundo um pouquinho alto lá pelas três da tarde, nem que isso implicasse em que trabalhassemos um pouquinho mais naqueles dias. Em caso de necessidade, é claro.

O programa, não só tornou-se um hábito, como também, pelo fato de Belo Horizonte ser uma cidade rica em bons restaurantes, transformou-se numa farra gastro-etílica.

Somente para citar alguns, o Dona Lucinha, o Minas I e o Minas II (estes do clube do mesmo nome), o Alpino, o Chez Bastião, o saudoso Germânia, etc, etc.

Mas, o negócio é que a coisa foi se espalhando. No final de um certo tempo ia não somente a turma da ASA, como também da Livre, da Setembro, da DNA, da JMM e muitas outras agências. Tornou-se um encontro semanal de publicitários, um acontecimento.

O mais notável é que eu sai da ASA, fui para a Livre e a coisa continuou. Cada vez maior, cada vez mais repleta de gente. Até optamos em definitivo pelo Minas I, porque era um restaurante grande, tinha um excelente buffet, e dava para juntar diversas e grandes mesas.

Nessa ocasião, a Gláucia, que havia sido tráfego na ASA, foi para o Jornal de Domingo, um semanário de Belo Horizonte, onde escrevia a coluna publicitária. Ela, então, batizou o encontro de “Almoço com as estrelas”.

Saí de Belô e voltei para o Rio.

Mas, acontece que quando ia lá, de férias ou a trabalho, a gente dava um jeito de se encontrar novamente. Rapidamente o Luis Márcio, ou o Sérgio Torres acionavam a turma e lá estávamos nós. Desta feita em jantares.

Voltei para aquela cidade em 1999. Fizemos um primeiro (desta vez também um jantar), e foi gente pra dedéu. O Minas ficou repleto de publicitários.

Já no ano seguinte foram apenas cinco pessoas: Luis Márcio Vianna, Tonico Mercador, Paulo Giordano, Hermínio Naddeo e eu.

Pelo menos, bebemos todas, comemos bem pra cacete e nos divertimos. Até ver estrelas.

quarta-feira, outubro 18, 2006

O "caso" da primeira virada

A primeira virada, a gente nunca esquece. Foi na McCann Erickson, e já vai algum tempo que aconteceu. Mas, nunca realmente poderia esquecer aquela noite e madrugada.

Na época, a criação não era ainda como a conhecemos hoje. Havia então os departamentos de redação, e o de arte. Completamente separados. Neste último ficavam os diretores de arte, os ilustradores, letristas (naquele tempo ainda havia disso), e, claro os estagiários em direção de arte. Como eu.

A turma era boa. O diretor de criação, o Oscar Gosso. Diretores de arte, o Vic, o Glauco e o Melinho, um outro Mello - euro-asiático de Macau, que foi para o Canadá, e depois trabalhou nos estúdios de Hanna e Barbera em Los Angeles -, este especializado em linguagem de TV. O letrista era o Humberto "Tatu", os ilustradores: Vilmar Rodrigues e Flávio Colin. Gente da pesada!

A redação tinha o Mauro Matos, o Pedrosa, o Pedrinho Camargo, o Athayde.

Bom, ainda havia o estúdio que era separado. Romildo e Nilo estavam lá. No tráfego, a Carmem, o Renato na produção gráfica. E pra completar a equipe, o Henrique Meyer no RTVC. Bom. Só cobra! Na época, eu dizia em casa que eu fazia estágio no Butantã.

Os pedidos já chegavam na arte com o texto grampeado nos jobs; os blue sheets (que o pessoal apelidara de Bull shits). Coisa engraçada. Mas, até que um dia um diretor de arte e um redator resolveram romper essa barreira e bater uma bolinha, ainda durou algum tempo, mas aconteceu.

Por causa disto mesmo, a arte era muito unida. Não haviam baias, nada que dividisse o pessoal.
Pintou uma campanha para Tecidos Aurora. Ainda me lembro do logotipo. Tinha solzinho e tudo. Era uma concorrência.

E o prazo! Bom, nisso a propaganda mudou muito pouco daqueles tempos pra cá. E claro que deu virada.

Quando acabamos de montar a última peça em apresentação de luxo, com passe-partout e os escambau, já eram umas cinco e meia da matina. Daí o pessoal fechou a agência e foi para o elevador. Quando chegamos lá embaixo, após algumas rodadas pelas imediações da portaria, constatamos que não havia porteiro. Aquele que tem a chave do prédio. O guardião. Desespero geral. Olhares de desânimo.

De repente, Mello Menezes, magrinho e ágil, descobre que pela porta, ao abrir-se uma parte de vidro, dava para se passar pelas grades. Ou seja, alí cabia um corpo. Meio apertado, mas dava para passar. Ágil, nosso herói enfia então um braço, passa a cabeça e num jogo de cintura passa o resto do corpo, ficando prontamente do outro lado. A liberdade! Daí, em seguida, um por um de nós atravessou a porta, alguns com mais, outros com menos dificuldades. Até que o Oscar Gosso resolve ficar preso no meio da barriga. E não ia nem pra frente nem pra trás. Algo hilário. E com o seu sotaque portenho carregado, gritando para que o puxassem. Melinho às gargalhadas prum lado. Outros contendo o riso pro outro. Alguns tentando realmente puxar o argentino. Até que chega o porteiro, provavelmente tirado do seu canto pela algazarra reinante. Salvos pelo gongo!

Quando saí do carro de alguém que me deu uma carona, não me lembro mais quem, o dia já estava amanhecendo - e a campanha afinal era dos Tecidos Aurora -, mas eu ainda me ria da cena do portão.

segunda-feira, outubro 16, 2006

O "caso" da agência artística

Quando cheguei em Portugal para assumir a direção de criação (que lá é direcção criativa) da Opal Publicidade, eu não sabia que meu patrão ainda não havia comunicado ao seu Soares que ele não se encontrava mais naquele cargo. Uma situação extremamente delicada. Ora pois! De repente eu estava tomando posse de uma posição, e o meu antecessor ainda se achava o titular. Durma-se com um barulho desses.

Seu Soares era um diretor de arte (ou d’arte) das antigas. O gajo era um excelente ilustrador. Um artista mesmo. Trabalhava com guache e ecoline com extrema perícia. Marcava letras com exímia perfeição. Mas, em matéria de criação era um desastre. Não conceituava, não sabia avaliar um texto, nem tinha a menor idéia de como realizar um comercial para televisão. Adorava criar anúncios com tarjas cheias de rococós, no melhor estilo Manuelino. Ficava horas rebuscando aqueles traços com tira-linhas, compassos e bicos-de-pena.

Aos poucos, ele foi pressentindo o que acontecia. O que gerou um ambiente estranho. Fui criando coisas e passando para o seu Soares marcações de campanhas, anúncios, folders, etc. Ele fazia um ar um tanto quanto desconfiado, mas executava o trabalho.

Não tinha nada contra ele. Era uma pessoa distinta, educada. Tinha até um ar meio britânico, coisa típica do pessoal mais aristocrático da cidade do Porto. E a culpa daquela situação não era dele. Nem minha. Cabia ao seu Rente comunicar-lhe isso. Conversei com ele a respeito, mas, o diretor-presidente não o fazia. Dizia ele que era tudo um mal entendido do seu Soares, que ele não era director criativo coisa nenhuma. Um embróglio.

Fui pendurando pela minha sala, que era toda forrada de cortiça, provas dos novos anúncios, outdoors e outras peças criadas na nova fase da agência. E era realmente uma nova fase. O que a Opal fazia até então era marcado por um ar de “antigo”, um visual um tanto quanto “anos cinqüenta”. De repente, a gente estava, em questão de poucos dias dando um update na cara de tudo que era produzido. Até porque a produção era muito grande, isso logo ficou evidente.
Na verdade eu apenas fazia aquilo que sempre fiz. Criar, em parceria com um redator e dar uma face atual às peças. Cuidar de uma tipologia adequada, de uma boa ilustração ou foto. Nada de genial, apenas um trabalho bem cuidado e feito com carinho.

Logo que cheguei lá, ao constatar uma certa desorganização empresarial, havia sugerido uma série de medidas. Como pedidos de trabalho por escrito, nem que fossem a mão. Como não havia ninguém responsável pelo tráfego, criei envelopes aos quais grampeava os pedidos e colocava tudo o que fazia parte daquele job, separando por clientes num armário com prateleiras Algo meio elementar, mas que funcionava. Os trabalhos já não ficavam tão perdidos “no ar”, nem no disse me disse. Passavam a ter um mínimo de memória.

Também fiz aquele ‘velho quadro’ de fórmica com o nome do trabalho e a etapa em que se encontrava.

Sugeri e foi criada uma reunião que era realizada toda segunda feira bem cedo, antes de começarmos os trabalhos. Aberta a todos os funcionários, nela se fazia um balanço dos trabalhos que estavam na criação, produção, etc. Em suma um followup completo.

Foi numa dessas, que seu Soares pediu demissão. Na presença de todos, lavrou o seu protesto contra o fato de que a agência estava se tornando excessivamente comercial, referindo-se naturalmente aos últimos trabalhos realizados. “Que afinal de contas, a Opal, que eram as iniciais de Organização de Publicidade Artística Ltda (lá é Lda.), estava a abandonar a sua proposta artística e embrenhando-se por um caminho de vendas barato e vulgar” (sic).

Levantou e retirou-se para todo o sempre.

quarta-feira, outubro 11, 2006

Nota de esclarecimento

Mais de um leitor deste blog, já me perguntou o por que da grande maioria dos casos que conto não serem passados no presente, se estou até hoje no mercado.

Na realidade, são duas as razões. Primeiro porque comecei a escrever esses casos no início da década de noventa, e grande parte deles foi escrito nessa época. E, muito embora tenha redigido alguns mais recentemente, até com casos mais atuais, tem a segunda razão que tem um peso maior ainda.

Nos tempos da prancheta, do trabalho artesanal, da marcação de layout, o fluxo de trabalho em uma agência de publicidade era outro. Pra começar, tinha muito mais gente envolvida no processo. As tarefas, no seu todo, eram realizadas mais em equipe do que atualmente.

Hoje, o profissional fica muito em frente ao computador. Faz quase tudo ali mesmo. Um diretor de arte, cria no QuarkXPress, trata imagens no Photoshop, desenvolve suas logomarcas e desenhos no Illustrator, no Freehand ou no Corel. Sozinho, pode realizar todas essas incumbências, muitas vezes abstraindo-se do que se passa ao seu redor.

Naquele tempo, se criava, rafeava, às vezes até se fazia uma marcação ‘bacaninha’, dependendo das habilidades de cada um. Mas, na maioria das vezes, se dependia muito do estúdio. Neste departamento, uma equipe pegava os roughs de uma campanha, e o ilustrador fazia a mancha, o letrista marcava as letras a guache, nanquim, Pilot ou aqueles fantásticos marcadores importados. Em alguns casos, aplicava-se Letraset.

Essa equipe passava a limpo e dava forma a uma idéia. E ainda tinham os assistentes para colar bodytype, montar as peças para apresentação. Às vezes, um acetato era usado entre o layout e o passepartout para melhor protege-lo, já que tinha muito papel colado. Uf, coisa pra cacete.

No caso das finalizações, ainda entrava a produção gráfica e o finalista, composição, fotoletra, cola de borracha, benzina, pastup, overlay. Às vezes o texto tinha que ser recorrido. Na gilete, como se dizia. E o diretor de arte acompanhava tudo isso, se deslocava para o estúdio. Muitas vezes até dormia lá. Por isso mesmo as viradas eram mais constantes e violentas.

Em diversas ocasiões, mais de um diretor de arte estavam presentes, por estarem sendo executados diversos trabalhos em simultâneo.

Este envolvimento de pessoas é que tornava o processo mais divertido. Nas agências de porte médio, os estúdios tinham em torno de dez profissionais, nas maiores muito mais que isso. Em suma, por ter tanta gente, aconteciam mais acontecências.

Isso terminou com o fim daquela fase da publicidade. E também, pelo fato do trabalho ter ficado mais individualizado, aquela dinâmica de grupo acabou.

Daí o porque da maioria dos casos que eu lembre e mereçam registro, estarem situados naquela época. Não é que hoje em dia não aconteçam coisas curiosas, fatos e situações inusitadas. Mas, naquele tempo, era realmente muito, mas muito mais engraçado.

Quem viveu, viu.

segunda-feira, outubro 09, 2006

O "caso" da mão quebrada

Este "caso" foi na L&M, logo depois de uma das viradas homéricas, tão comuns naquela agência. E aconteceu entre o Artur Denegri e o Mozart dos Santos Mello (o M de L&M). Artur Denegri, pra quem não conhece, é um diretor de arte. Trabalhei com ele na L&M e, depois, na DM9 lá em Salvador, cidade aliás em que ele se estabeleceu em definitivo.

Mas o negócio todo começou porque o Denegri, após a tal virada na agência, resolveu ir jantar com a turma do estúdio. Até aí tudo bem, porque afinal de contas isso era mais ou menos praxe. Afinal, a turma saia de madrugada, cheia de fome.

No dia seguinte, pela manhã, Mozart dos Santos Mello chama o Denegri na sala dele. E começam uma discussão por causa de pequenos detalhes acerca da nota do jantar. Do tipo: “...mas porque lagosta?”

O bate-boca começou a tomar ares exaltados e proporções agigantadas. Começou mesmo a provocar um reboliço na agência inteira tal o nível e a altura em que ele estava. O pessoal começou a se acotovelar nos corredores, nas proximidades das salas da diretoria. Um auê danado.

Em determinado momento, o Artur ergue o peito – ele fazia musculação, e além de tudo era invocadinho pra dedéu -, encara o patrão e diz: "... porque eu sou é homem!" Ah, pra quê! Mozart dos Santos Mello levantou também - até então estivera sentado - e, aceitando o desafio, ergueu o braço e respondeu de uma tacada só: "Eu também !!!", aos berros. Niqui desceu a mão sobre a mesa, com toda a força, a L&M em peso ouviu aquele grito de dor.

Moral da história: Santos Mello passou algumas semanas com a mão enfaixada.

quinta-feira, outubro 05, 2006

O “caso” do nariz de palhaço

Transcrito do Blog Pastelzinho do Maurilo Andréas, cujo link está ao lado.

A Solution foi uma agência muito importante na minha carreira por vários motivos. Além de ter feito bons trabalhos lá, a empresa tinha uma estrutura bacana, contas legais e uma equipe de onde tirei grandes amigos. Infelizmente, houve épocas de clima pesado e grande insatisfação por motivos variados, alguns culpa nossa mesmo e outros culpa da agência. Aliás, como acontece em qualquer lugar. Sei que numa dessas crises me veio a idéia de comprar narizes de palhaço para toda a Criação. A partir daí, se o atendimento chegava dizendo, por exemplo, que o prazo foi reduzido em dois dias, a gente botava as bolotas vermelhas no nariz e respondia "Ah, é? Dois dias a menos? Claro, não tem problema nenhum". Não era raro chegar na sala e encontrar dois ou mais profissionais portando seu rubro símbolo de protesto. Tudo com o maior bom humor, é claro.

Um dia, em uma reunião com o Marcelo Martins (dono da Patrimar e um dos melhores e mais inteligentes clientes com quem já trabalhei), o Olivieri, nosso Diretor de Criação, resolve levar por precaução uma narizeta no bolso da calça. Tudo correndo bem até que alguém, não o Marcelo, diz algo desabonador sobre o trabalho. Nosso Diretor então tira a peça do bolso, posiciona sobre o nariz e calmamente declara "mas isso é uma palhaçada!"

O Marcelo, como era de se esperar, morreu de rir e a campanha foi aprovada. Com palhaçada ou não, entre mortos e feridos salvaram-se todos

O "caso" da árvore de natal

A Focus era uma agência média do mercado carioca. Tinha dois sócios. Um deles era o Alfredo Souto de Almeida. Muito bem relacionado em toda a sociedade carioca, isso lhe abria portas, tendo feito consolidar na agência contas como Roberto Simões, Lidador, Banco Denasa, Companhia Força e Luz Cataguazes Leopoldina, Companhia Siderúrgica Nacional, Ernani Leiloeiro, entre outras.

Alfredo, uma pessoa ligada às artes, era também um radialista conceituado e tinha um programa sobre arte na Rádio MEC. Havia também sido ator cinematográfico e participara de um filme de Humberto Mauro, o grande cineasta brasileiro. Para complementar, era padrinho da hoje atriz Fernanda Torres, filha do casal Fernando Torres e Fernanda Montenegro, que por seu turno eram padrinhos do seu filho Marcelo.

Na criação, tínhamos um grupo descontraído. Uma turma que estava sempre aprontando alguma. O trabalho era muito, a equipe enxuta. Então, restava-nos a diversão nos momentos entre um trabalho e outro, na pressão.

Havia, por exemplo, um torneio de dardo que era levado muito a sério. Um dia, a diretoria até pediu que diminuíssemos o ruído porque na sala deles que era ao lado da nossa, ficavam escutando aquele “tum... tum... tum...” e gritos exaltados. Arranjamos formas de abafar o som e diminuir a nossa vibração a cada jogada.

Outra coisa era a presença do filho do Alfredo. O Marcelo costumava, nas férias escolares, freqüentar a agência. Um dia, amarramos o garoto em uma cadeira no meio da sala da criação e fizemos um círculo com benzina. Ateamos fogo àquele círculo, e, grosseiramente fantasiados de índios ficamos rodopiando em torno. O garoto se divertia. E nós também. É importante ressaltar que isso não representava grande perigo, pois o fogo da benzina é de um tipo que não perdura. Se você colocar benzina na mão e acender um fósforo, nada vai lhe acontecer, garanto.

Mas, houve em determinada época o Pedro Porfírio. Intelectual e jornalista, posteriormente, foi secretário da Prefeitura do Rio de Janeiro (não me lembro em que governo). Hoje, é colunista do jornal Tribuna da Imprensa.

Sei que o Porfírio foi contratado para ser Relações Públicas da Agência.

Porfírio acabara de escrever “O Rei Leão”, uma peça de teatro infantil. E, por vezes, ficava vagando pelo meio da agência ensaiando trechos da mesma, pois estava para estreá-la. Fantasiado de Rei Leão, o gajo colocava uma coroa e uma manta vermelha e saia a declamar o texto. Uma cena hilariante.
O mais engraçado no Porfírio era o seu desligamento constante de tudo que o cercava. Muitas vezes criavam-se brincadeiras pesadas com ele. Um dia encheram os seus sapatos de cola de borracha. Outro, deixaram uma caixa com talco em cima de sua porta entreaberta. Quando ele a abriu, sujou-se todo, pois o talco despencou em cima dele.

Mas, a mais freqüente era mesmo a quantidade de rabinhos e outras coisas que penduravam nas suas costas sem que ele percebesse.

Um dia, por ter saído da agência sem que ninguém notasse, não deu tempo de se retirar os penduricalhos.

Quem viu, disse que na rua, Porfírio mais parecia uma árvore de natal.

segunda-feira, outubro 02, 2006

O "caso" do disco

Foi numa daquelas tantas e incontáveis viradas dos tempos de L&M. Carlinhos Chagas e eu jantando no Paisano (restaurante de massas que já não existe mais), em plena avenida Rio Branco. Aliás, muitas vezes íamos lá. Era um restaurante bom e barato.

Deviam ser umas nove e meia, mais ou menos. De repente, ao nosso lado, o Ivan Lins e o Mariozinho Rocha. A gente conhecia muito o Ivan por causa da Zurana, uma produtora de jingles que era dele com o Tavito e o Paulo Sérgio Vale. Um dia eu perguntei ao Tavito o porque de Zurana. E ele respondeu que a origem do nome era "um bando de zuretas a fim de grana".

Mas estavam os dois lá, e quando íamos sair, passando pela mesa deles, começamos a conversar. O assunto, claro, a esta altura era trabalho. Nós contando que estávamos numa virada doida, mas que o trabalho já estava alinhavado. Que, se de repente, a gente acabasse na manhã seguinte, tudo bem. Tínhamos adiantado bastante. Daí eles emendaram que também estavam numa virada, mas que era por causa do novo disco do Ivan. E ele, Ivan, se encontrava realmente entusiasmado com a história. O disco era uma guinada na carreira artística dele e por aí afora.
Convidaram a gente para ouvir o disco.

Seguinte: a Odeon, ou melhor os estúdios da Odeon, naquela ocasião eram no prédio bem em cima do Paisano. Nós acabamos optando por subir e ouvir o disco, deixando definitivamente o restante que tínhamos da campanha para a manhã seguinte.

Quando chegamos lá em cima, o Ivan ainda confessou para nós, que fora a equipe artística e técnica envolvida com o disco, nós seríamos os primeiros a ouvir a referida obra. E foi realmente do cacete e muito emocionante a gente ter ouvido em primeiríssima mão todas as faixas de "Somos todos iguais esta noite".

Aliás, até hoje quando escuto alguma música daquele disco, lembro-me daquele dia. Parece que foi ontem.