quarta-feira, outubro 18, 2006

O "caso" da primeira virada

A primeira virada, a gente nunca esquece. Foi na McCann Erickson, e já vai algum tempo que aconteceu. Mas, nunca realmente poderia esquecer aquela noite e madrugada.

Na época, a criação não era ainda como a conhecemos hoje. Havia então os departamentos de redação, e o de arte. Completamente separados. Neste último ficavam os diretores de arte, os ilustradores, letristas (naquele tempo ainda havia disso), e, claro os estagiários em direção de arte. Como eu.

A turma era boa. O diretor de criação, o Oscar Gosso. Diretores de arte, o Vic, o Glauco e o Melinho, um outro Mello - euro-asiático de Macau, que foi para o Canadá, e depois trabalhou nos estúdios de Hanna e Barbera em Los Angeles -, este especializado em linguagem de TV. O letrista era o Humberto "Tatu", os ilustradores: Vilmar Rodrigues e Flávio Colin. Gente da pesada!

A redação tinha o Mauro Matos, o Pedrosa, o Pedrinho Camargo, o Athayde.

Bom, ainda havia o estúdio que era separado. Romildo e Nilo estavam lá. No tráfego, a Carmem, o Renato na produção gráfica. E pra completar a equipe, o Henrique Meyer no RTVC. Bom. Só cobra! Na época, eu dizia em casa que eu fazia estágio no Butantã.

Os pedidos já chegavam na arte com o texto grampeado nos jobs; os blue sheets (que o pessoal apelidara de Bull shits). Coisa engraçada. Mas, até que um dia um diretor de arte e um redator resolveram romper essa barreira e bater uma bolinha, ainda durou algum tempo, mas aconteceu.

Por causa disto mesmo, a arte era muito unida. Não haviam baias, nada que dividisse o pessoal.
Pintou uma campanha para Tecidos Aurora. Ainda me lembro do logotipo. Tinha solzinho e tudo. Era uma concorrência.

E o prazo! Bom, nisso a propaganda mudou muito pouco daqueles tempos pra cá. E claro que deu virada.

Quando acabamos de montar a última peça em apresentação de luxo, com passe-partout e os escambau, já eram umas cinco e meia da matina. Daí o pessoal fechou a agência e foi para o elevador. Quando chegamos lá embaixo, após algumas rodadas pelas imediações da portaria, constatamos que não havia porteiro. Aquele que tem a chave do prédio. O guardião. Desespero geral. Olhares de desânimo.

De repente, Mello Menezes, magrinho e ágil, descobre que pela porta, ao abrir-se uma parte de vidro, dava para se passar pelas grades. Ou seja, alí cabia um corpo. Meio apertado, mas dava para passar. Ágil, nosso herói enfia então um braço, passa a cabeça e num jogo de cintura passa o resto do corpo, ficando prontamente do outro lado. A liberdade! Daí, em seguida, um por um de nós atravessou a porta, alguns com mais, outros com menos dificuldades. Até que o Oscar Gosso resolve ficar preso no meio da barriga. E não ia nem pra frente nem pra trás. Algo hilário. E com o seu sotaque portenho carregado, gritando para que o puxassem. Melinho às gargalhadas prum lado. Outros contendo o riso pro outro. Alguns tentando realmente puxar o argentino. Até que chega o porteiro, provavelmente tirado do seu canto pela algazarra reinante. Salvos pelo gongo!

Quando saí do carro de alguém que me deu uma carona, não me lembro mais quem, o dia já estava amanhecendo - e a campanha afinal era dos Tecidos Aurora -, mas eu ainda me ria da cena do portão.

Um comentário:

Jonga Olivieri disse...

P%o, já que ninguém postou um comentário, aqui vai um.
Putz, que virada memorável!!!