terça-feira, novembro 21, 2006

O "caso" da after six

A história toda começou quando funcionários da McCann-Erickson de Belo Horizonte, entre outros Edgar Mello, Newton Silva, Hélio Faria, Paulo Venâncio, acharam que os seus freelances eram de tal volume, que valia a pena alugar uma sala, e, após o expediente, iniciar uma nova jornada de trabalho que certamente varava a noite e a madrugada. Mas que, sem dúvida, tinha lá suas compensações.

Assim, surgia a ASA (sigla que significava After Six Agency), que, alguns anos depois seria durante um bom tempo a maior agência mineira. E que até hoje é uma agência grande em Minas.

O trabalho que deu o start no desenvolvimento dela foi, sem dúvida a campanha do Pep’s. O Pep’s, para quem não conhece, era um grande magazine mineiro, muito bem localizado à época na rua da Bahia, bem no centro da cidade. Para se ter uma idéia do seu tamanho, hoje em dia, em seu lugar está um shopping center.

Bom, a tal campanha do Pep’s foi inovadora, revolucionária e chamou muita atenção. Deu o que falar na cidade toda, e tornou-se um ‘case’ no mundo da propaganda de varejo. Resumindo, projetou definitivamente a ASA como uma agência de sucesso.

Fui diretor de criação na ASA, algumas décadas após esses acontecimentos. Nesta época, “Seu” Mello já era um bem sucedido empresário, não só em publicidade, mas também no ramo da distribuição de cervejas, pois possuía uma das maiores revendedoras Brahma em terras mineiras. Além disso, por ser um gourmet, possuía também, em sociedade com seu amigo Targino vários restaurantes em Beagá. Um deles era ao lado do campo do Atlético, que nesta época ficava em região central, onde, aliás, hoje situa-se outro grande shopping da cidade. Neste, toda semana o mercado publicitário em peso ia experimentar a inconfundível cozinha mineira que servia, e começava com a famosa ‘Vaca Atolada’, e por aí afora, sempre com o toque pessoal e criativo dos mestres Edgar e Targino.

A própria ASA tinha uma cozinha profissional. Ali, Edgar Mello preparava excelentes banquetes para seus clientes. Como diretor de criação da agência eu participava deles. Dos quais, aliás, tenho até hoje excelentes recordações.

Mas, uma vez me contaram um caso que é digno de nota.

A ASA, nos seus dias pioneiros, foi apresentar uma campanha em Goiânia. E a verdade é que “Seu” Mello saiu de Belo Horizonte com a campanha toda marcada e montada e foi apresenta-la naquela cidade. Botou as peças na mala e foi, dirigindo o seu Gordini.

Tempos heróicos da propaganda.

8 comentários:

redatozim disse...

Infelizmente a ASA anda mal, Oliva. Triste ocaso de uma das grandes. Aliás, lembra-se quando as maiores daqui eram DNA, SMPB, LF, ASA e RC? pois é, bem ainda só a RC, mas que mesmo assim acaba de demitir uns 20.

Jonga Olivieri disse...

Triste mesmo. Os tempos mudaram e as agências também. Aqui no Rio, a VS fechou. A Contemporânea demitiu excelentes profissionais recentemente. Entre eles o João Bosco, um redator mineiro há muito radicado aqui no Rio e o Zé Guilherme. Dos mais conhecidos, ficou apenas o Pedrosa.
Isso é um baque para o mercado e para todos nós.

Alfredo disse...

Pelo comentário acima percebe-se que não é só o mercado carioca que anda mal. Infelizmente, hoje em dia entre a conquista e a perda de contas as agências vivem momentos de altos e baixos. Alfredo

Fã do Edgar Mello disse...

Meus caros,
O Edgar Mello é uma enorme figura humana, além do grande publicitário pioneiro que foi e continua sendo.
Adjetivos para o Edgard são: generoso, inteligente, engraçado, solidário, amigo, paciente, bom-caráter, e vai por aí afora...

Jonga Olivieri disse...

E além de tudo isso, é um senhor gourmet...

Anônimo disse...

Também fã do sô Melo.
Que pessoa fina! Em todos os sentidos. Sentar para conversar é uma coisa deliciosa...

Anônimo disse...

Outra admiradora do Edgard Melo(com um "l", eu acho):
A ASA pode está indo mal, mas continua firme.
E o sô Edgard é uma figura e tanto! Ter uma conversa com esse homem é uma lição que não se aprende na escola. E a vitalidade????

Jonga Olivieri disse...

Olhem anônimo(a)s, o Edgar Mello tem muito o que contar sobre a propaganda mineira e toda a sua trajetória. Vale a pena ouvir seus caso, porque dá um livro. Ou dois. Ou três. Ou...