segunda-feira, novembro 13, 2006

O "caso" da janela

Fernando Lisboa foi um diretor de arte conhecido no mercado carioca. Além disso era também um excelente pintor. Especializado e apaixonado por temas indígenas, em determinada ocasião, sumiu e embrenhou-se mata adentro, em pleno Xingu, para pintar, pesquisar e aprofundar seus conhecimentos sobre os índios. Ficou algum tempo por lá, e quando voltou, reassumiu seu cargo na agência em que estava anteriormente. Bons tempos!

Lisboa faleceu prematuramente, mas deixou sua marca no mundo da publicidade como um profissional competente e dedicado.

Uma ocasião, um contato aproximou-se dele em alguma agência com um sapato a ser lançado por uma sapataria, cliente da casa. O sapato, feminino tinha um salto esférico transparente. O cara chegou todo entusiasmado ao seu lado com o produto. Entregou ao Fernando, que olhou aquilo, virou, observou, e prontamente mandou-o pela janela abaixo, demonstrando sua repulsa ao design. Detalhe: estavam no décimo oitavo andar.

Mas o Fernando contava uma história muito engraçado, e que refletia bem o retrato de uma época.

Logo que começou seus trabalhos em publicidade, no seu primeiro estágio, estava ele fazendo suas marcações de layout no estúdio, e doido para ter uma chance de virar um diretor de arte (era um excelente desenhista, o que aliás pesava muito naquela época) quando o diretor de criação pediu para que ele abrisse uma janela num determinado anúncio.

Pra que! Fernando Lisboa viu ali a chance de mostrar o seu talento. Prontamente começou a desenhar e ilustrar uma janela na área solicitada no layout. Com cortina, vaso de plantas e tudo a que tinha direito.

Quando estava tudo pronto, apressou-se a apresentar o resultado de sua obra.

Qual não foi o seu espanto quando o chefe olhou para o layout marcado e disse:

- Não é nada disso, Fernando. Janela é apenas uma área para serem colocadas ofertas de produtos... pode até ter uma tarja... algo assim...

Lisboa, completamente sem graça, entendeu naquele dia que nem tudo em publicidade era tão artístico quanto ele pensava.

2 comentários:

redatozim disse...

É igual querer brilhar em título de anúncio fúnebre risos

Jonga Olivieri disse...

Pode crer, redatozim, pode crer...