quinta-feira, dezembro 21, 2006

O "caso" do bom dia... ou boa tarde

Não me lembro o que o Mauro Matos dizia quando chegava. Se era bom dia ou boa tarde. Só sei que sempre chegava depois do meio dia. Embora nunca foi de sair antes das 22 horas. A única coisa meio chata é que não queria que ninguém fosse embora no horário, e sempre que podia, ‘pegava’ alguém. Esquecia completamente que a gente chegava pela manhã. E ralava pra cacete. Tanto na L&M, quanto na Contemporânea; nas duas vezes em que trabalhei com ele.

Idem o Duda Mendonça quando voltava de seus passeios de escuna, lá pelo pôr do sol. Justiça seja feita, o Duda não chegava tarde todo dia. Tinha vezes que madrugava na agência. Mas, de vez em quando... aí mesmo é que, descansado, inspirado e bronzeado, convocava uma reunião com toda a criação que nunca acabava antes de três horas do momento que começara.

Houve uma época, na publicidade em que se entrava realmente muito tarde no trabalho. Eu, que tinha o costume de chegar lá pelas dez, dez e meia da matina, na maioria das vezes era o primeiro a adentrar o recinto. Mas, isso era hábito em função das viradas da noite anterior. O certo é que acabou virando rotina, mesmo que não houvesse existido a tal virada. Talvez uma reserva tática para a que poderia acontecer no dia seguinte.

Também, naquele tempo os almoços, às vezes chegavam a duas horas e meia ou três de duração. E como se bebia. Sexta feira, nem falar, era costume encher a cara em verdadeiras orgias gastroetílicas. Tinha gente que nem voltava pra agência.

Quando a Livre Propaganda Brasileira fechou*, eu fui trabalhar na JMM de Belo Horizonte. Fazia dupla com o Hermínio Naddeo, que me convidou para ir para aquela agência na qual ingressara, recém chegado do Rio.

A criação da JMM era privilegiada naquela casa da Cidade Jardim, bairro nobre da cidade. A casa tinha um belo gramado na frente, e a recepção era pela lateral direita. Nós entrávamos direto, atravessando o referido gramado e ficávamos num grande jardim de inverno em “L”, cuja única porta se comunicava com o RTVC.

Mas eu disse única porta. Porque havia uma janela em que ficava o Renato Bergo, o diretor financeiro, departamento pessoal, etc da agência. E que, naturalmente, via e ouvia tudo o que rolava por ali.

O Hermínio e eu ficávamos no lado de lá do “L”, ou seja, depois que entrávamos, uma porta de vidro até nos deixava um pouco mais isolados. Mas, a outra dupla era completamente vulnerável. Suas mesas ficavam embaixo da janela do diretor.

Para agravar, o redator, o Orlando era mestre em chegar tardíssimo devido às suas conhecidas e memoráveis noitadas. No entanto, adquiriu uma técnica de sorrateira e silenciosamente, meio que curvado aproximar-se, e de sopetão sentar-se em sua cadeira, sem que o Renato percebesse o momento exato. Desde que não notasse aquele seu semblante de ressaca braba.

Um belo dia, Orlando fez o seu percurso como de hábito. Ao sentar-se, seu dupla tacou um “Boa tarde Orlando” bem alto e firme. Foi uma gozação geral. Até o Renato Bergo se cagou de tanto rir.

(*) A Livre Propaganda Brasileira, uma das mais criativas agências que já existiu nas Gerais fechou porque, tendo sido indicada pelo Hélio Garcia, então governador de Minas, fez parte do pool de agências que elegeu Newton Cardoso. Acontece que o Newtão, não gostava do Hélio, até porque este não o apoiara na convenção do partido. Resumo da história: quando assumiu, o movo governador retirou as contas de governo de todas as agências que haviam sido indicadas pelo seu antecessor. A Livre não “güentou” o tranco. Até porque quase todas as suas contas eram de governo.

2 comentários:

PC disse...

Que maravilha de blog, textos simples que correm aos nossos olhos, é difícil ler somente um!

Jonga Olivieri disse...

Obrigado, amigo. Como não sou redator de formação fico feliz quando fazem um comentário assim como o seu.