segunda-feira, dezembro 11, 2006

O "caso" do soldado no quartel...

Era daqueles dias em que você acaba o trabalho e pensa: “Caramba, ter que enfrentar aquele trânsito pra chegar em casa...”. E, pensando bem resolve dar um tempinho, relaxar um pouco.
Por acaso, foi também um dia em que todo mundo se mandou na hora certa. Não eram sete da noite e a agência estava vazia. Um caso bem raro na L&M, agência que tinha uma vida noturna extensa, natural e diária.

Fiquei entretido na pesquisa de livros de propaganda, observando anúncios e outras peças premiadas. Comecei a me organizar para os trabalhos que teria no dia seguinte. O tempo passou. Lá pelas sete e meia lembrei de sair, finalmente. Pensei com os meus botões que o tráfego já estaria melhor e dava pra voltar pra casa.

Quando ia me levantar da cadeira, senti um movimento na porta da sala. Eis que de repente, surge a figura de Lindoval de Oliveira, o ‘L’ de L&M. Esboçava um sorriso no rosto. Um sorriso de alegria, mas também de alívio por me ver ali.

- Prezado... disse ele cordialmente ...ainda bem que tem alguém na casa! Exclamou.

Em seguida, me chamou à sua sala. Passamos os dois, sozinhos pela agência vazia, até chegarmos à sala dele, que ficava do outro lado do andar.

Foi então que ele explicou que, na manhã seguinte o presidente da Embratel, uma de nossas principais contas, tinha que apresentar umas transparências em retro-projetor.

Eu gelei. Juro que gelei mesmo. Primeiro porque naquele tempo não tinha computador, e as transparências tinham que ser todas desenhadas com marcador especial; uma trabalheira dos diabos. Uma coisa que, desde que planejada dava pra ser feita, mas daquele jeito era um puta dum rabo de foguete. E o pior, tinham algumas bem cabeludas, com mapinhas, setinhas e outros bichos. Em suma, uma bomba que caia de pára-quedas àquela hora da noite.

Normalmente era também um trabalho para ser executado por um arte-finalista, e eu, um diretor de arte, não estando habituado àquele tipo de tarefa penaria muito mais para executar a incumbência.

Bom, só tinha uma coisa a fazer naquela altura dos acontecimentos. Arregacei as mangas e puz-me a executar. Saí da agência no dia seguinte. Ainda me lembro que deixei um bilhete para o Carlinhos Chagas, meu dupla, explicando o que acontecera e a hora que estava saindo. Pois certamente que chegando em casa iria dormir por um bom tempo.

O sol já estava nascendo, e eu, no contra fluxo, pelo menos não peguei engarrafamento nenhum.
Mas, aprendi de uma vez por todas que soldado no quartel, quer é trabalho!

3 comentários:

Sumire disse...

É, Oliva, dar chance pro azar, não mesmo... rs...
E pena que naquela época não tinha PPT, né?
Bjo!

Jonga Olivieri disse...

É, Su, depois dessa nunca mais. Preferi enfrentar todos os engarrafamentos do mundo. Já bastavam as vezes que tinha mesmo que ficar...

Anônimo disse...

Na verdade o caso com o Arthur, foi que quando entreguei o trabalho na mesa do Arthur, ele deu um pulo da cadeira e ficou perguntando olhando estarrecido pro anúncio; "O que é isto? com uma voz chorosa como estivesse cagando um pneu...eu respondi-lhe - O Vic mandou passar para você. Arthur, parecendo um demonio transfigurado passou por mim me atropelando, e foi ao encontro do Vic aos gritos...Oh Vic vou te dar porradas!!! vou te dar porradas! Vic com uma classe repondeu-lhe segundo o cachimbo; " E eu te processo!" Jonga, amigo saudade, bons tempos..muita gratidão ao Vic e ao Mauro. Abraço grande