sexta-feira, fevereiro 23, 2007

O “caso” da Janela Indiscreta

Na primeira fase em que trabalhei na VS (1988 a 1990), criamos, o Marcos Vinícius e eu, em associação com a criação da SMP&B de Belo Horizonte (que dividia a conta conosco) uma campanha para o Procel, entidade governamental voltada para a economia de energia.

Eram dois filmes. Um deles, a meu ver meio bobinho, em que dois manequins de vitrine assumem uma vida real... o outro, baseado no filme “Janela Indiscreta” de Hitchcock.

A sinopse era: um sujeito, bem ao estilo do “Jimmy” Stewart, pé quebrado e os cambál, fotografava da sua janela os seus vizinhos. Todos desperdiçando energia elétrica. A locução ia pontuando as ações que levavam a essas atitudes, tipo deixar a geladeira aberta, sair do quarto e não apagar a luz. Depois apontava as soluções para cada caso.

Quem ganhou a concorrência para a produção foi a Tycoon, empresa do Carlos Manga e Cyll Farney.

A idéia era boa, mas, nós não sabíamos que ia ficar tão bem realizada. Graças à direção do Manga, que se apaixonou pelo roteiro, desde nossa primeira reunião de pré-produção, e talvez também tenha visto no comercial a oportunidade de homenagear um dos ícones do cinema: Alfred Hitchcock.

Ele produziu, ou até reproduziu um cenário, com as luzes e outros detalhes de tal forma semelhantes, que mais parecia um remake ou um trailer do filme original. Tinha até uma cena dele, Manga, passando em determinado lugar, tal e qual o fazia o mestre do suspense em todos os seus filmes.

Grande Manga, ele também um dos maiores diretores artesães que o Brasil já teve, da chanchada* ao comercial publicitário. Isto sem contar o período em que passou pela televisão**, quando foi responsável por inúmeras novidades e programas que ficaram na história deste veículo.

(*) Levado à Atlântida por Cyll Farney, dirigiu filmes como: Nem Sansão Nem Dalila (1954), Matar ou Correr (1954), De Vento em Popa (1957) e O Homem do Sputnik (1958), que são apenas algumas das dezenas de chanchadas com a sua assinatura e que deixou com eles o seu nome na história do cinema brasileiro.

(**) Passou pelas TV’s Rio, Excelsior e Record, dirigindo programas musicais, humorísticos e alguns até polêmicos, como
Quem tem medo da verdade. Na Rede Globo, foi realizador de mini-séries como Agosto e Engraçadinha, além de diversos programas cômicos.

8 comentários:

isabella disse...

Não pegei a fase da chanchada ao vivo. Revi algumas coisas no Cabnal Brasil e gosto de algumas delas. Vou prestar mais atenção aos nomes dos d iretores.

Jonga Olivieri disse...

Quando do auge do período da chanchada, você nem era nascida.
Realmente, só revendo vai conseguir assistir.
Na época, a crítica caia de pau nesses filmes. Hoje, assentada a poeira, dão o valor de suas realizações, como ind'stria e como sucesso popular.
Eu, pessoalmente acho que a chanchada deu obras primas com o "O homem do Sputinik" e tantos outros filmes imperdíveis.
Não só o Manga, como diretor, mas a genialidade de Oscarito como ator, são elementos que já passaram para a história do cinema por estas bandas...

jr disse...

Já eu peguei as chanchadas, mas confesso que nao gostava. Meus pais não gostavam e acho que me influenciaram. Já hoje em dia eu acho que tem umas bem bacaninhas. Mas não são todas que tem esse previlégio, Tem muita porcaria.

Jonga Olivieri disse...

Chanchada era coisa séria. Realmente a crítica que hoje elogia, em outros tempos bem que malhava esses filmes. Eram considerado pobres, medíocres, etc.
Numa época em que Hollywood soltava superproduções como “Ben-Hur e “A Volta ao mundo em 80 dias”, verdaeiras fortunas em cinemascope e technicolor, estávamos nós aqaui produzindo comedinhas em preto e branco e aproveitando panos de colchão para fazer indumentárias dos atores.
Mas, era aí que estava a criatividade. Muito tarde despertaram para isso.
Hoje são “cults”.

angel disse...

Querido,
Carlos Manga é ele mesmo um ícone do cinema brasileiro.
Sou contra esse pessoal que fica atrás de filmes de arte, avantgarde, etc.
Cinema tem que comunicar.
E ele foi o rei da comunicação no seu tempo.
Angel

Jonga Olivieri disse...

não concordo em gênero, número e grau com você.
Mas, digamos que tem uma forte dose de razão.
Acho, porém que a maior obra do cinema brasileiro é avangardista e hermética/
Trata-se de "Limites" de Mário Peixoto. Um filme estético e um marco do cinematografia, não tupiniquim, como mundial.
Sem exageros.

Anônimo disse...

Carlos Manga é um dos grandes da direção que já passaram por este Brasil.
Sua experiência na televisão também acrescentou na história da tv neste país.
Ele, na Excelcior, canal 2 dirigiu coisas como aquele papo final de fim de noite, que ficou marcante.
O.

Jonga Olivieri disse...

É, o Manga conta hist;orias muito interessantes sobre tudo isso.
Ele é também um grande contador de causos.