quinta-feira, fevereiro 01, 2007

O "caso" do melhor lugar para jogar

Favilla e eu realmente gostávamos de um joguinho de xadrez. Começamos dentro da agência com vidros de guache, ecoline e outros apetrechos, fartos na época.

Era uma distração nos raros momentos de folga que tínhamos na L&M. Ou que a gente forçava para relachar, no auge das ansiedades do processo criativo.

Um belo dia, Victor Kirowsky aproximou-se, deu uma sacada naquele jogo doido e apontou um cheque-mate*. Tudo no imaginário.

O que começou como uma brincadeira, aos poucos foi tomando forma. Desenhamos um tabuleiro de papelão e íamos desenvolvendo nossas estratégias enxadristas naquele improviso.

Mas, um belo dia, nos lembramos daquele xadrez dentro de uma embalagem de plástico duro, com uma tampa transparente e com pinos segurando as peças. Especial mesmo para quem se movimenta, e possibilitando que o jogo não se desarrume durante deslocamentos. Além de ser pequena. Cerca de 15x15cm, o que facilitava guardá-la facilmente.

Despencamos, hora do almoço afora e conseguimos comprá-lo em uma loja de brinquedos, das muitas existentes no centro da cidade.

Parecíamos duas crianças quando adentramos a agência para aproveitar o que nos restava do intervalo do almoço, para começarmos uma primeira partida com bispos e cavalos num tabuleiro também de verdade.

O fato é que a Lei de Murph nesses momentos funciona mesmo. Mal chegamos, ao notarem a nossa presença, fomos chamados para uma reunião urgente. Tivemos uma tarde repleta de tarefas, só para atrapalhar os nossos planos de lazer e paz com uma bela partida de xadrez. Sorte que naquele dia mesmo comprovamos a utilidade da caixa. Fechamo-la sem destruir as poucas jogadas iniciais que havíamos feito. Pelo menos isso nos deu uma sensação extrema de conforto.

Tínhamos por hábito dar uma passada no Aurora, aquele “velho boteco” da Humaitá, principalmente nesses dias de estresse, para uma relaxadinha antes de seguirmos para nossas casas, ambas naquele mesmo bairro.

E não é que ali chegando nos lembramos de nossa partida interrompida? Prontamente abrimos o joguinho e o continuamos entre ruídos de pratos, bandejas, vozes de garçons alucinados fazendo pedidos aos berros e aquele característico zum-zum-zum de um botequim repleto de gente.

Todo mundo que passava nos olhava. E nós... nem aí, envolvidos que ficamos naquele memorável jogo de xadrez. E aquilo, tornou-se um hábito freqüente, uma rotina, já que na agência não podíamos nos concentrar o suficiente para um jogo sério.

(*) Episódio contado pelo Favilla em “O caso do cheque-mate”, publicado neste blog em dezembro passado.

6 comentários:

jr disse...

Ih, o cara!
Mal eu me preparo para responder este imail e você já mandou um outro sobre seu novo blog.
AMEI de montão.

Jonga Olivieri disse...

Amou de montão.
O novo blog? Ou o e-mail?
De qualquer maneira, curta o PENSATAS, a cada dia uma nova emoção, a cada instante uma nova janela aberta.

isabella disse...

Eu também.
Vai em frente, Jonga, porque o seu novo blog está super legal.
Enquanto isso, continuo apostando nos Causos.

Bebel

Jonga Olivieri disse...

É, Bebel, este blog me possibilita mais abordagens. Inclusive literárias. Hoje mesmo postei um conto que já escrevi há cerca de 10 anos. Tenho outros, que pretendo publicar.
Mas, o "Casos", continuará...

amigo oculto disse...

Um caso típico de agência. É mesmo essa loucura. Sempre fui cliente, mas tive muito conttato com agência, chegando a passar tempos dentro de uma. E o clima é este mesmo. As pessoas às vezes não entendem como se trabalha tanto com tanta descontração. É verdade que já foi pior. Ou sei lá, melhor.

Jonga Olivieri disse...

É mesmo,
Pra valer. E vc observou bem.
Já foi melhor. Muito.
Com o tempo foi fixando menos engraçado...