quinta-feira, março 08, 2007

O “caso” da caneta vermelha

Estava eu na Opal publicidade, na cidade do Porto, a esperar o meu patrão, o sr. Alfredo Rente e ele não chegava.

Tinha uma foto das novas embalagens de leite da Agros, nosso maior cliente, e o segundo fabricante de leite e derivados em Portugal.

Eram fotos complicadas, porque, além do packshot, que seria mais simples, tinha uma outra de um copo sendo enchido a partir do pacote de leite. Minha preocupação era realizar aquela foto sem esparramar leite pra todo lado. E como conduzir um filete de leite certinho até o copo, com havia ilustrado no layout?

Tinha que sair rápido, pois o estúdio do fotógrafo era na Maia, uma cidade próxima que faz parte da região metropolitana do Porto. E o meu receio era o tráfego. Quanto mais tarde, mais difícil seria chegar na Quinta* em que morava o Pedro do Canto Brum, que era o nome do fotógrafo.

Pensei em deixar um bilhete para ele, dizendo que a nossa reunião ficaria para mais tarde, que eu voltaria na agência para fazê-la. Peguei a primeira caneta e escrevi algumas palavras para ele explicando a situação. Entreguei, dobrado à secretária, tendo porém explicado a ela a situação.

Fui fazer a foto. O Pedro Brum encontrou uma solução muito boa para a questão do leite derramando no copo. Simples, como toda boa idéia, o gajo propôs colocar um tubo de plástico mole transparente ligando a embalagem de leite ao copo. O líquido passava por dentro dessa canaleta e o efeito final seria de um fio de leite entrando no copo. A foto ficou excelente.

Finda essa etapa, voltei para a agência. Lá estava “seu” Rente me esperando ancioso. Mas, fizemos a tal reunião. No final, perguntei se havia recebido o meu bilhete. Ele respondeu que não, mas que dona Lucília, sua secretária, havia contado que eu saíra para a foto, mas voltaria.

Fiquei pensando porque dona Lucília não entregara o bilhete, mas me esqueci do fato.

No dia seguinte, sentei-me na minha mesa e toca o telefone. Era dona Lucília. Educada e timidamente tomou a palavra e disse com extremo cuidado:

- Sr. Olivieri, desculpe lá... ontem... bem, ontem acabei não entregando o seu bilhete, porque não deu para falar consigo, mas, na verdade... o senhor... o senhor deixou o bilhete escrito com caneta vermelha... acontece que... bem acontece que cá em Portugal, qualquer coisa escrita em vermelho é... ofensivo...

Durma-se com um barulho desses!

18 comentários:

Redatozim disse...

Bom saber disso, Oliva. Agora só escrevo "vai tomar no cu, filho da puta" com caneta azul.

Jonga Olivieri disse...

E é isso mesmo, Maurilão.
O pior é que não dá nem para falar com uma garota que a ama muito em verme;ho, porque ela nem lê o öfensivo" bilhete.

isabella disse...

Quer dizer, escrever com batom por lá, nem pensar?

Jonga Olivieri disse...

Uai, Bel, é só não usar baton vermelho. Qualquer outra cor serve...

angel disse...

Ai estes portugas. Tem cada uma, Nossa, se eu ficar rubra, será que estareri ofendendo alguém?
Olha, aqui a gente escreve em azul, verde, vermelhinho é tão bonitinho, roxo, vá lá, qalquer cor é cor.

Jonga Olivieri disse...

Eles são mesmo cheios de formalidades. Não só para isso.
Acho que os europeus de um mof=do geral são muito formais. É cultural.

angel disse...

Pensei aqui uma coisa. Essa dona Lucila. Ela abriu o bilhete que você deixou, segundo sua narrativa, dobradinho, certo.

Jonga Olivieri disse...

Olha, eu acho que a D. Luc;ilia não faria uma coisa dessas. Por ser uma senhora muito educada, uma verdadeira dama inglesa.
O que eu acho é que talvez o papel meio transparente tenha chanmado a atenção dela quanto ao vermelho. Pode ter sido algo no gênero, mas, nunca ela desdobraria o bilhete por mera curiosidade. pelo menos penso que não.

silvia disse...

Fiquei vermelha com essa. rs rs rs rs rs

Jonga Olivieri disse...

Não é pra menos, Silvia. A história é hilariante.

jr disse...

Cara, esses portugueses são demais.
Como é que pode uma coisa escrita em vermelho ser ofensiva. Só se for em sangue.

Jonga Olivieri disse...

E talvez a origem esteja aí mesmo. Quem sabe, no passado alguém escreveu e assinou com o sangue da mãe de alguém. Então ficou a ofensa escrita e assinada.

isabella disse...

Coisa mais sangrenta, Olivieri.
Será que foi isso mesmo? Dá uma pesquisada.

Jonga Olivieri disse...

Taí, Bel!
c deu uma ótima idéia.
Vou procurar a origem disso. Se a encontrar, posto aqui a conclusão.

jr disse...

Seria interessante mesmo saber o por que de tanta ofensa.

Anônimo disse...

Coisas de português. Ora, pois, pois!
O.

Jonga Olivieri disse...

Ó, O., não é bem assim. Estou pesquisando a origem. E vai haver uma. Já mandei perguntar a vários amigos meus que ainda moram em Portugal, já que está difícil descobrir o que causou essa quesrão da tinta vermelha ser ofensiva.
Outra coisa: não é "Ora pois, pois", o aque dizzem lá, e sim "Pois..." apenas.

Jonga Olivieri disse...

Meu amigo Saulo Silveira disse num e-mail mandado em resposta ao meu apelo que uma vez ele ia escrever um bilhete em vermelho e algum português que estava próximo lhe disse:
- Não faça isso, você vai ofende-lo!
Bom, o Saulo ficou de sondar a origem desta história toda.
Aguardemos, pois...