sexta-feira, março 16, 2007

O "caso" do anúncio rasgado

Carlos Aragão era o diretor de criação da Nova Proudon, agência carioca, que chegou a ter uma filial em Belo Horizonte, e possuia contas como Servenco, Adocyl, Abolição Veículos e Itambé.

O Aragão, como ficou mais conhecido, era uma figura um tanto quanto formal, um tanto quanto “poeta”. Tinha mesmo uma pinta de poeta daquele início da década de setenta. Conta o Vitinho, que era finalista do estúdio, que uma vez viu em cima da sua mesa de trabalho uma anotação que dizia: “exertos para a confecção de um folheto de cunho publicitário”.

O fato é que toda a equipe estava numa virada muito louca para a apresentação de uma campanha de concorrência para a conta da Pelikan, fabricante de canetas, lápis de côr, guaches e outros materiais escolares.

E fôra uma dessas violentas. De noites e madrugadas rolando, rafeando e marcando peças. Detalhe: tudo com marcações do Nilton Ramalho, que eram simplesmente desbundantes.

Na última noite, Aragão já não resistia mais e pediu para ir em casa por algumas horas. Prometera que pela manhã estaria de volta. Inclusive para reunir todas as peças e colocá-las numa pasta, pois o dia seguinte era o prazo marcado para a entrega do material no cliente.

Durante sua ausência, Ramalho e Fernando Lisboa, o diretor de arte que estava a criar os layouts, começaram a questionar duas das peças que já estavam marcadas, e, inclusive aprovadas pelo Aragão.

Resolveram remarcá-las com algumas pequenas correções para melhor. Mas, combinaram que quando o Aragão chegasse iam fazer um teatrinho e no auge de uma discussão iriam destruir aqueles dois anúncios descartados.

Pela manhã, chega a figura. Cara de sono, como aliás todos os demais.

Aproxima-se da equipe que fazia os acabamentos de montagem finais das peças e, de repente, fica assustado com a gritaria atrás dele. Vira-se e vê o Fernando e o Ramalho em altas discussões.

De repente, o Fernando grita mais alto ainda, pega um anúncio montado e o rasga violentamente. Aragão, desesperado corre na direção dos dois, encabeçando a “turma-do-deixa-disso”. Mal chegava e outra peça já era transformada em frangalhos bem diante dele.

Aragão recostou-se em uma cadeira, seu coração disparado, uma sensação de que iria ter um piripaco logo em seguida. E deve ter dito algo gênero de:

- Pela madrugada (termo muito usado por ele). Vocês querem me matar?

De repente, não mais que de repente, risadaria geral. Ele não entendeu nada. Afinal, o que estava acontecendo?

Naquele instante, após o susto, foi-lhe revelado todo o plano. Aragão não sabia se relaxava ou se partia para a porrada. Afinal...

O certo é que se tomou um cafezinho, fumou-se um cigarrinho e a campanha seguiu intacta para a sua caminhada vitoriosa.

Pela madrugada!

Trabalhei na Nova Proudon, algum tempo após ter acontecido o “caso” acima, que me foi contado pelo Nilton Ramalho.

14 comentários:

Redatozim disse...

Muito boa essa. Vou ter que fazer aqui na TOM qualquer dia desses.

roger disse...

Oi Oliva.
Ducaralho esta história, hein?
Bons tempos estes dos layouts
feitos à mão. Pastas de supremo
e cola benzina. Um abraço grande
pra você.

Jonga Olivieri disse...

Isso é uma brincadeira dupirú.
Lembro que quando o Ramalho me contou eu morri de tanto rir.
Vale a pena fazer em qq lugar. E sempre há a possibilidade.
O prtoblema é que hoje em dia, com o computador, a mão de obra não é a mesma.

Jonga Olivieri disse...

Graaande Roger. Realmente aqueles tempos de estúdio, montagens, letrasets, putz, era do cacête mesmo.
Vale a pena recordar tudo aquilo, porque como sempre digo, as coisas eram mais diveretidas, tinha mais gente, em suma, o ambiente nas agências era muito melhor.
Não que hoje não seja, mas era muito mais soalta a coisa no sentido de brincadeiras e tudo o mais.

isabella disse...

Pela madrugada mesmo.
Fico imaginando o susto que o cara levou com abriguinha encenada.
Deve ter sido uma situação fora de série.

Jonga Olivieri disse...

Não é mole mesmo.
Imagino a cara do Aragão... ele que era um sujeito muito formal.
Lembro que algum tempo depois do Franzé* ter estourado a Nova Proudon, encontrei o Aragão e perguntei como ele estava. Ele olhou pra mim e deisse:'
- Estou gerindo meus próprios negócios.\

(*)Franzé era o dono da agência. Anos depois ele estourou outra: a Publicittá...

angel disse...

Fico alarmada com a quantidade de coisas que aconteciam em agências de publicidade em outros tempos.
Tudo o que você contou aqui e muito mais.
Essa foi excelente. Muito embora poderiam ter matado o pobra coitado.

Anônimo disse...

Ramalho quando conta uma piada ou uma história engraçada, ele rir tanto, rola, sacode e fica vermelho, a primeira vez que vir o Ramalho contando uma piada, sem sal de secretária loira, fiquei olhando admirado e pensando o cara é do cacête, depois com o tempo, comprovei o quanto é humano e grande caráter. Ramalho amigão, um grande abraço.

Jonga Olivieri disse...

Olha, o Ramalho é um grande contador de piadas e histórias. Até porque tem um sense of humour bem aguçado.
Tenho ocasiões e acontecimentos que presenciei dele que valem a pena de contar.
E falar nisso, meu caro anônimo, vou contar alguns deles aqui neste blog.
Em breva

Sumire disse...

Pô, Oliva... O fim do seu texto, me lembrou meu último post no blog... rs...
Depois de tudo isso, pra relaxar, só mesmo tomando um cafezinho e fumando um cigarrinho... rs... Bjo!

Jonga Olivieri disse...

Foi realmente mera coincidência, Su, pois já escrevi este caso há mais tempo.
Mas, na verdade um cigarrinho é sinônimo de relax.
Só não o e'para os nazi antitabagistas, que ficam falando em "fumante passivo" e outros biv=chos. E os putasacos passivos que têm que aturar eles? Isso não conta?
E as descargas de monóxido de carbônio dos carros, caminhões que passivamente levamos todos os dias?
Isso não conta?
Esse negócio de fumante passivo é pura balela. Pode crer.

Anônimo disse...

Este Jonga é um figuraça, gente fina, responde todas mensagens, já que sai anônimo, aproveito para mandar um beijo na bunda rosada deste broqueiro.
Jonga, um beijo na tua bunda. Um beijo na bunda do Ramalho também.

Jonga Olivieri disse...

Ô anônimo, não há crise.
O pior é se esconder atrás de uma figura incógnita.
Mostra a cara, cara!
Não? Tudo bem, continuarei a responder porque acho que um blog tem a finalidade de comentários e conversas sobre assuntos abordados.
Abraços.
E só não mandao um beijo na tua bunda porque é muito fedorenta...

Anônimo disse...

O anônimo aqui sou eu, que pelo menos assino, torno-me anônio para a maioria, mas vc sabe quem eu sou.
Não é esse anônimo esondido no seu anonimato e que fica ai a esconder por detrás disso suas fixações anais. Freud explica a "viadagem".
O.