quinta-feira, março 29, 2007

O “caso” do Anuário

Achei interessante continuar as peripécias no Clube de Criação de Minas. Pois segue a seqüência do “caso” do clube etílico:

Após um ano de presidência no Clube de Criação de Minas, finalmente eu estava saindo daquela árdua função, ufa! Mas, o relax durou pouco, juro. Chico Bastos, o novo candidato a presidente me chamou para ser vice-presidente na sua chapa. Tipo da situação difícil. Mal o conhecia e não dava para dizer um não taxativo. Acabei topando.

A idéia básica do Chico, aliás sua plataforma na candidatura foi a publicação de um Anuário do clube. Um sonho antigo do mercado. Daí a sua fácil vitória. Mas, a coisa era complicada. Numa época de pastups e cola de borracha, ainda era tudo mais complexo. Mas o certo é que já na primeira reunião da nova diretoria, foi abordada a questão. Como realizar a “hercúlea”tarefa? Isso tudo era um desafio. Para o Chico, no entanto tudo era “muito simples”. Iríamos conseguir anúncios de agências, produtoras e gráficas do mercado para financiar a empreitada. E era realmente engraçado, porque a cada empecilho que surgia, o Chico dizia: “... isto é muito simples...” e desandava a tecer teorias que nos deixavam tranqüilos quanto ao resultado final.

O primeiro grande problema que apareceu foi a questão de quem iria julgar os trabalhos. Havia uma tendência a não querer que o julgamento fosse feito por profissionais do mercado local devido a simpatias, antipatias e parcialidades. Surgiu uma idéia que caiu como uma luva. Seriam chamados profissionais de fora, preferencialmente do Rio e de São Paulo para fazer parte do júri. Coisa que daria uma isenção e neutralidade totais.

Na primeira leva, chamamos o Nizan Guanaes (ainda na WGGK*) e mais dois profissionais de São Paulo. Eu fiquei encarregado de chamar o Nizan, até pelo fato de o conhecer pessoalmente. E assim o foi. Combinamos tudo direitinho, e, num sábado estavam lá os três “paulistas” para julgar as peças. Primeiro fomos pegá-los no aeroporto. Depois nos dirigimos ao SSV** para assistir ao material de TV e ouvir os spots e jingles de rádio inscritos, pois este grupo iria julgar apenas as peças eletrônicas. Após isso, que levou um bom pedaço do dia, fomos almoçar com eles (tipo cinco da tarde) num restaurante de comida típica mineira. O que foi um sucesso.

Depois, viriam mais grupos para ser jurados das peças de mídia impressa de jornais, revistas e outdoors. Não cheguei a estar presente nessas ocasiões, pois uma proposta do Rio me afastou do mercado mineiro e tive que abandonar não somente a vice-presidência, como também a empreitada do Anuário. Mas valeu. A idéia estava plantada. Hoje, o CCMG já publicou várias edições, todas de um excelente nível. Sem dúvida, graças àquela primeira tentativa.

Dois anos depois, em 1989, estava eu novamente integrando um Clube de Criação. Desta feita o do Rio de Janeiro, durante a presidência do Mauro Matos, que me chamou para fazer parte da sua diretoria. Foi outra experiência muito interessante em que, inclusive participei da edição de um jornal que ficou muito bom. Aliás, já contei um pouco dessa história em o “caso” do leão, publicado neste blog em 24 de agosto de 2006.

(*) Naquele tempo a agência de Washington Olivetto era a WGGK, por estar associada à austríaca GGK, hoje Lowe GGK.

(**) SSV (Sistema Salesiano de Vídeo) era a maior produtora de vídeos de Beagá na época, e funcionava num prédio acoplado à PUC.

9 comentários:

isabella disse...

Quer dizer que vc foi presidente e vice no Clube de Minas e diretor aqui no Clube do Rio.
Isso é que é um currículo.

Jonga Olivieri disse...

isso também não é uma cooooisaaa assim tão inusitada.
O clube tá aí para os profissionais que se habilitam.
É mais ou menos como ser síndico de condomínio.

Anônimo disse...

Interessante as artimanhas do mercado mineiro, da forma como foi orientada a escolha dos premiados. Muito curioso mesmo.
Mas afinal, o tal Anuário saiu?
O.

Jonga Olivieri disse...

Taí uma pergunta que eu não sei responder.
Com o meu desligamento do Clube de Minas e do processo de seleção das peças, etc, acabou que eu não soube se o Anuário saiu ou não.
Em todo o caso, perguntei a um amigo meu em Beagá (ontem mesmo) o desfecho dessa história.
Creio que em breve devo tê-la. Quando isso ocorrer eu posso lhe responder integralmente.

jr disse...

Também me ocorreu a mesma pergunta. O que aconteceu com o Anuário, pois você não deu o desfecho. Mas, acho que esse aspecto de ter se retirado do mercado para outro justifica. Afinal você acompanhou até aquele ponto.

angel disse...

Brilahnte a idéia de buscar jurados de fora do estado.
Acho mesmo que esta prática deverria valer para outros concursos ou premiações. E não só em publicidade, como em outras áreas.
Sempre existe um tráfego de interesses e compra de votos.
Assim evita-se este tipo de comportamento.

silvia disse...

Será? Será que é tão bom assim? Existe o aspecto de proteção, influencias etc, mas acho também qie ninguémmmelhor do que quem conhece in loco as coisas para julgar. Sempre existem características muito própriaa de cada lugar.

Jonga Olivieri disse...

Essa questão é polêmica.
Tem o lado do tráfico de influências, das simapatias e antipatias. Por outro lado, como disse muito bem a Silvia, tem este aspecto de que quem vem de fora não conhece determinadas particularidades de um mercado.
É difícil mesmo saber o que é o melhor.

Sumire disse...

Ô, Oliva, vc nunca vai poder ser juiz em lugar nenhum então... Vc conhece todo mundo... rs...