segunda-feira, março 05, 2007

O “caso” do assaltante ‘assaltanado’

Conheci o Mauro Salles em 1969. Uma “tia” postiça, que é grande amiga da minha mãe conhecia muito Teresa, esposa do empresário. Ela me abriu as portas para um primeiro contato com ele. Foi na sede da Salles, em São Paulo. Nessa época, eu trabalhava naquela cidade, em uma pequena (porém decente) agência chamada De Mello & Leonardo.

Conversamos muito, mas ficou por isso mesmo. Dez anos depois, já trabalhando naquela agência, aqui no Rio, ele me confessou que eu entrei na Salles pelos meus méritos pessoais e profissionais e não por um “pistolão”. Justo. Muito justo. Tanto quanto ele, um profissional também justo e sério, um excelente caráter.

Mas tem um caso, que me foi contado pelo seu filho, o Paulinho, no tempo em que ainda estava a engatinhar na expertise da publicidade, orientado (aliás muito bem) pelo próprio pai e seu tio, Luis Salles. De vez em quando, Paulinho vinha à filial do Rio de Janeiro, e passava dias convivendo com a equipe carioca.

Mas, voltando ao caso, ele, Paulinho, havia ido ao cinema. Ao voltar para casa, quando ia entrar na garagem, foi subitamente abordado por um grandalhão com uma arma apontada para o seu focinho. Apavorado, no escuro da noite, definitivamente rendido pelo meliante, não lhe restou alternativa a não ser entrar com o dito cujo, residência adentro.

Lá, aquele rebú danado e o Mauro acabou acordando. Aproximou-se com cara de sono, e encontrou aquela cena: um bandido dentro de casa com um baita dum trabuco e seu filho sem ação frente a toda aquela circunstância.

Calmamente, Mauro Salles aproximou-se do contraventor e começou a conversar com ele de forma pausada e tranqüila. Em seguida ofereceu-lhe um copo de leite com chocolate, abriu um pote de biscoitos e após tudo isso, sentaram-se juntos à mesa da copa enquanto tomavam um cafezinho e prosseguiam a longa conversa.

O resumo da ópera, é que o Mauro conseguiu convencer o assaltante de que estava realizando um ato ilegal, que poderia com isso parar na cadeia, etc, etc. E, como a coisa teria que ter um final feliz, ainda lhe ofereceu um emprego em sua empresa, coisa que deixou o grandalhão entre lágrimas e sorrisos de alegria.

Isso tudo me faz lembrar o filme dos irmãos Lumiére, nos primórdios do cinema que contava a história de um jardineiro atrapalhado, cujo título era “O jardineiro ajardinado”.
No caso, este foi o assaltante ‘assaltanado’, ou enrolado.

Ainda melhor - e para finalizar - de uma boa conversa ninguém escapa.

17 comentários:

jr disse...

Ih. Vai ter um papo assim lá na Conchichina. O Mauro Salles é um excelente vendedor de idéías mesmo.

Redatozim disse...

Belo causo, Jonga. Lembrou o que aconteceu com o Julião, amigo meu, que voltando para casa foi abordado por um rapaz armado que berrava "passa o pisante, passa o pisante". De repente o rapaz olha pra ele atentamente e diz: "peraí, você não é irmão do Jaider?" "Sou." "Ah, então eu não posso roubar você não. Lavo carro pro seu irmão todo sábado, adoro ele, sempre me dá uma força." O Julião então diz: "que é isso, rapaz, leva o tênis, você precisa mais que eu".
E ficam nessa, um não querendo roubar e o outro querendo ser roubado, até que o lavador de carro / assaltante propõe: "então eu vou com você até a sua casa e você me dá o tênis lá, pra não ter que ir descalço o resto do caminho, ok?"
E assim fizeram. Sábado o cara tava lá, lavanco o carro deles de novo.
Opa, essa história é boa, vou colocar no pastelzinho.

isabella disse...

O Mauro Salles aparenta mesmo ser uma pessoa muito inteligente e preparada. Ainda neses dias vi uma entrevista dele, acho que foi na TV Câmara (canal 10 da net) em que ele diz muitas coisas interessan tes sobre políticos.

Jonga Olivieri disse...

Olha, o Mauro e'realmente um sujeito muito especial.
Um colega da Salles contava que quando a agência era na Rua da Passagem (eu já a peguei na Praia do Flamengo), viu o Mauro conversando longamente com o sorveteriro. Qauando subiu afirmou já ter a conclusão dobre uma pesquisa de pridutos de sorveteria.
Quer dizer, ele não é de perder tmpo mesmo.

Jonga Olivieri disse...

Tá até parecendo o caso da Sumire, que surgiu de uma resposta que eu fiz a ela, e ela mesmo sugeriu que eu o publicasse.
Mas, vai fundo porque a hisorinha vale mesmo uma postagem...

Jonga Olivieri disse...

Bel,
Ele (o Mauro) tem uma experiência muito grande na área de marketing político.
Fez trabalhos pro Tancredo e tantos outros políticos da antiga.
Mauro Salees foi um dos precursores do que hoje chmama de "marqueteiro" na área p;ítica.
E que está cheia de "enganadores" por aí.

silvia disse...

Muito bom este causo do Mauro Salles. Vem provar que quando um não quer, dois não brigam. E tabém como você falou: de um bom papo ninguém escapa.

Jonga Olivieri disse...

Qaunto ditado popular, sô. Mas é mesmo. “Em terra de cego, quem tem um olho é rei”. Ou como diria o Carlinhos Chagas, um redator que trabalhou comigo: “... quem tem um olho... ereei!”

angel disse...

O que é a experiência. A calma e tranqüilidade do Mauro Salles que o digam.
Angel

Jonga Olivieri disse...

Fui reencontrar o Mauro Salles após eu ter assumido a direção de criação da ASA em Belo Horizonte, em1985. Houve um seminário em Beagá promovido pela Salles. A agência paulista tinah se associado à ASA, tirando-a de um provável buraco. Mas a agência mineira se reergueu e acabou recomprando a parte da Salles.

isabella disse...

Mas afinal o que é asslatanado? Você não explicou isso.

Jonga Olivieri disse...

A palavra "assaltanado" é um neologismo.
Na verdade pretendi fazer uma analogia com o filme dos irmãos Lumiére citado no "caso".
Desculpe, mas é realmente uma palavra bastante esquisita.

isabella disse...

Agora sim está explicado Porque entender uma palavra assim tão estranha não é pra qualquer um.

PC disse...

Jonga, vou me ausentar por uns tempos, estou com uns problemas de saúde na família. Obrigado por ter me mandado o livro por email, e espero, que assim que a poeira baixar, poder me divertir com casos tão interessantes como esse.

Abração

Jonga Olivieri disse...

Desejo melhoras a quem esteja com problemas.
E aguardo o seu retorno. Tomara que com tudo resolvido. E bem resolvido.

Anônimo disse...

O mauro Salles é um dos grandes nomes da publicidade brasileira.
O seu "papo" deve ser de fato muito bom. Porque sair de uma situação tão dram'tica com a cateforia com que saiu, só mesmo com a experiência que ele tem.
O.

Jonga Olivieri disse...

O Mauro Salles é realmente um su=jeito muito inteligente.
Gozado, mas neste caso eu consigo vê-lo perfeitamente...