segunda-feira, março 26, 2007

O “caso” do clube etílico

Quando cheguei a Beagá, em 1985 para assumir a direção de criação da ASA, estava com todo o gás. Afinal, era a primeira vez que eu alcançava este posto. Apesar de quase vinte anos de janela e exatos quarenta de vida, fiquei preocupado com a nova função e a responsabilidade nela inserida. Afinal, eram três duplas de criação, um estúdio (com nem me lembro quantos profissionais), além da produção gráfica, o tráfego e o RTVC sob o meu comando. E eu não conhecia ninguém, pois também nunca trabalhara no mercado mineiro.

Em determinada ocasião, algum tempo antes, fizera uma investida em Belo Horizonte, visitando a Setembro. Estive na época com o Almir Salles, por indicação do meu sogro, que o conhecia, e fui apresentado ao David Paiva, que era o diretor de criação. Na mesma ocasião rodei bolsinha pela L&F, ocasião em que conheci o Bosco e o Jura. Mas, minhas férias acabaram e eu não fechara nada de concreto. Daí, voltei para o Rio de Janeiro.

Mas, anos após, estava eu ali na ASA. Carlos Areias, com quem trabalhara na Salles, me chamou para lá. Fui, conversei com o Edgard Mello, e, quando voltei, pedi demissão da Contemporânea, explicando ao Mauro, que a minha saída era por um motivo justo. Eu ia ser diretor de criação. Em suma, uma nova oportunidade em minha carreira. Claro que o Mauro ficou chateado, mas isso são outros quinhentos*.

Alguns meses depois, já devidamente entrosado com minha equipe de criação, que incluía o Sérgio Torres, o Boca, e outros profissionais de primeiro time, tive o convite para me candidatar a presidente do Clube de Criação de Minas. O clube estava meio parado, segundo eles. O Daniel de Freitas, muito ocupado com as tarefas de sua nova agência, a DNA, não tinha muito tempo para se dedicar às tarefas e desafios constantes de um clube que precisava se firmar no cenário da publicidade mineira.

Acabei topando. Falou-se com o Daniel e me candidatei. Mas, fiz a proposta de dividir a presidência com dois profissionais. Seria um “triunvirato”. Entraram na jogada o Jackson Drummond Zuim, diretor de criação da Livre**, na época a agência mais criativa do mercado e o Marcus Vinícius um RTVC da SMP&B, outra agência que despontava no cenário.

Fomos eleitos. Pouco tempo depois, o Marquinhos voltou a Goiânia, sua terra natal, pois recebera uma proposta irrecusável. Na verdade nem chegou a assumir o cargo. No seu lugar, entrou o Jenner Leite, um jovem diretor de arte que estava na RC, outra agência crescendo em Belô. Criamos, o Zuim e eu, um anúncio gostosíssimo com a frase do Groucho Marx: “Eu não entro para um clube que me aceite como sócio”, e um texto brilhante do Zuim, o que não era novidade.

Mas, havia um problema seríssimo. O clube não tinha sede. De início sacamos a idéia de fazer as “Zorras de Criação”. As zorras eram eventos que aconteciam uma vez por mês, patrocinados pelas agências, que bancavam um churrasco, ou uns salgadinhos regados a muita cerveja e “golos” da boa pinga mineira. Porque, detalhe, o clube também não tinha reserva nem capital de giro. Começamos a organizar as associações, cobrar as mensalidades, emitir carteirinhas, em suma fazer com que aos poucos tivéssemos algum dinheiro em caixa.

Paralelamente realizávamos uma reunião de diretoria por semana. Em bares, e cada um pagando a sua despesa. E eram reuniões que começavam às oito da noite, e, às vezes acabavam com o raiar do dia. Ainda bem que geralmente eram feitas às sextas. Mas, até hoje não sei como não bati o carro, não me estoporei todo numa dessas, pois saia das reuniões pra lá de Bagdá. Muitas das vezes, começávamos num bar e íamos de um para o outro. Na maioria delas, conversas sobre o clube começavam e terminavam no primeiro bar. Daí em diante era papo de bêbado, piadas e risadas. Um clube etílico. Na acepção da palavra.

Mas, eu sei que deixamos uma caixa legal. No ano seguinte quando convocamos as eleições, confesso que estava cansado pra cacête. Doido para deixar o cargo, mas, apesar dos porres me sentia vitorioso. E a vitória era tão evidente que fui chamado pelo Chico Bastos, eleito o novo presidente, para ser o vice-presidente. Não pude recusar, mas... bom aí é outra história. Um dia desses eu conto.

(*) O Mauro Matos nunca gostou que profissionais saíssem da sua agência. No ano passado, em entrevista ao site do CCRJ ele confirmou isso.

(**) Depois da saída do Zuim da direção de criação da Livre, assumi o seu posto naquela agência.

11 comentários:

isabella disse...

Você é profissional do copo mesmo. Na segunda feira só está falando em bebidas.

Jonga Olivieri disse...

E o pior é que eu só estou bebendo um cálice de vinho nos almoços de sábado e domigo... Buááááá!

Anônimo disse...

Não tem nada a ver com bebida, apesar de ser um clube etílico, como vc bem o disse.
E o Clube de Criação de Minas, continua?
O que tem feito?
O.

Jonga Olivieri disse...

O Clube vai bem, obrigado. pelo menos até onde eu saiba.
Lançou os Anuários I e II. Pelo menos estes eu sei porque fui inclusive jurado deles.
Daí em diante não sei como anda, mas posso saber através de amigos do mercado de lá.

angel disse...

Beber é sempre bom.
Desde o choppinho até sei lá eu.
Olivieri, querido, este clube dvia ser um pandemônio, uma autêentica zorra criativa cheio de gênios publicitários completamente alucinados.
Ui, fico até escabriada com tudo isso.

Jonga Olivieri disse...

Ô Angel, não é tão assim.
Você exagerou um pouquinho. As "zorras" tinham este nome, mas, na verdade eram apenas encontros.
Qto às reuniões, ah, as reuniões eram realmente uma overdose de bebidas.
Mas, olha, acompanhar o Zuim não é fácil não. O cara enxuga direitinho.

jr disse...

Interessantes as histórias do Clube de Criação de Minas. E os anuários, são bons? Ainda continuam a publicar?
Nunca vi à venda por aqui.

Jonga Olivieri disse...

Não sei a quantas andam os Anuários do Clube de Minas. Posso garantir apenas sobre os I e II.
Daí em diante, tenho que me informar com amigos.
Mas, juro que volto a informar sobre o assunto...

sérgio torres disse...

salve, Jonga, amigo velho do peito. O Clube publicou 5 anuários, se não me falha a memória. O sexto está no forno. Quem toca a trolha toda praticamente sozinho é o Donald Isnenghi, um diretor de arte que hoje está freelando. Os livros são ótimos, apesar do número de ghosts.
Vale a éna dar uma olhadinha. Não sei se eles estão à venda, mas, certamente, devem existir alguns exemplares sobrando. Pra quem se interessar, o telefone do Donald é (31) 91949639.

Braços.

Jonga Olivieri disse...

Obrigado, Sérgio.
E olhaí para quem interessar possa, notícias quentes de um profissional mais quente ainda.
Tem até telefone para contato a quem quiser ter um dos cinco anuários publicados pelo Clube de Criação de Minas.

jr disse...

Obrigado ao Sérgio Torres pela informação.
Mas, será que estão à venda no Rio de Janeiro?