segunda-feira, março 12, 2007

Origens da caneta vermelha...

Meu amigo Saulo Silveira de Portugal mandou um e-mail, com a carta-resposta de um amigo seu sobre as prováveis origens da ofensa em se escrever com caneta vermelha. Segue abaixo esta contribuição importante à pesquisa sobre o fato:

Meu Caro Saulo,
Querido e Bom Amigo,
Bom Dia, Bom Trabalho e Muita Criatividade!

Que bom suas novidades! Eu próprio, lhe ia escrever hoje, para se apalavrar ou agendar nossa ida à Galeria, ainda esta semana e combinar os demais pormenores.

Vamos, em primeiro lugar, responder ao seu Amigo do Brasil...

De facto, em Portugal, desde sempre que se regista nas velhas histórias e com origem perdida nos tempos, que não se deve escrever com tinta vermelha! Há quem fale da origem bíblica de se ter escrito a sangue nas portas dos judeus, para as proteger da chuva de fogo; há quem fale do período das perseguições da inquisição em que, com sangue, se marcavam as casas dos acusados de feitiçaria ou bruxedo; há quem fale, ainda, que a escrita a vermelho é "escrita do Diabo ou Lúcifer"; há quem, fale, também, do pormenor de as quantias em dívida serem escritas, tradicionalmente, a vermelho, logo ser sinal de falta de dinheiro ou sinónimo de devedores; assim, por se escrever a vermelho, há ainda quem o considere um ultraje, uma ofensa e uma forma de discriminação.

Sempre ouvi falar no assunto e eu próprio, do ponto de vista comportamental ou educacional, evito escrever a vermelho! Nos tempos mais modernos, em que muitas das vezes se perde a noção histórica dos motivos, dos porquês de alguns comportamentos, a malta mais jovem diz vulgarmente que escrever a vermelho é "mandar à merda!".

Por uns motivos ou por outros, a verdade é que, pelo menos, num relacionamento mais directo, pelas vias tradicionais ou mais modernas, seja pelo papel escrito ou impresso ou agora pela net, aqui em Portugal e em Espanha, seja de menos bom tom, o uso da escrita em vermelho!

Por sinal, ainda que reconheça que é uma verdade e um hábito enrraizado na nossa prática, nos nossos usos e costumes, não é menos verdade que, para mim, seja uma pena, pois o vermelho é minha côr preferida e muito ligada ao meu mundo plástico e estético, muito influenciado pela Festa de Toiros!

Eis o que se me oferece dizer sobre o assunto e, sem dizer nada em concreto, aponto pistas ou caminhos que poderão justificar uma pesquisa mais pormenorizada! Não sei se é suficiente, mas poderei ver mais em casa com literatura onde possa encontarar mais alguma coisa sobre o tema.

Quanto a se marcar uma ida à Galeria, deixo ao teu critério, poderes dizer quando te dá mais geito vir a Lisboa! E, aqui por mail, podemos ir marcando e vendo os outros pormenores da organização da mostra. Para já precisava de saber o nome da Exposição e de ter algumas fotos para começar a fazer a comunicação. Penso que a data que já estaria marcada para a inauguração seria a Quinta-Feira, dia 12 de Abril, a partir das 18.30 horas.

Poderei estar disponível no próximo Domingo, para ir aí à tua casa-atelier, na Serra de Azeitão, para ver as novas produções!

Um Abraço sempre Dedicado e Amigo do
Vítor

Por isso, o destaque à contribuição, excepcionalmente, desta vez vai em azul e não em vermelho como de costume.

13 comentários:

isabella disse...

Genial este seu amigo Saulo, Olivieri.
Inclusive, a carta do amigo dele é super escalrecedora e digna de norta. Mesmo.

Jonga Olivieri disse...

Atoóé*, Bebel?
Achei a carta do Vitor muito abranjente e clara.
De fato, muito bacana.

(*) Então não é? falado pelos lusos cai assim aos nosso ouvidos...

Jonga Olivieri disse...

Agradeço também ao Vitor em Portugal pela sua contribuição de grande importância na elucidação do mistério: "O caso da cnaeta vermelha".
Parece até título de livro policial de Ellery Queen, dos bons tempos da "Coleção Amerela" da Editora Globo (a original de Porto Alegre)

Anônimo disse...

Que coisa incrível essa da carta do Victor.
Ele esclarece as origens e sua vária alternativas e hipóteses.
O.

Jonga Olivieri disse...

Quanto à sua observação, O., concordo plenamente. E pode ver que ele ainda abriu a possibilidade de pesquisar mais profundamnete a questão.

Quanto ao meu amigo Saulo, não sabia que tinha uma casa-atelier na Quinta do Azeitão.
Mas, ó pá, onde diabos é isto?

angel disse...

Mas que palavriado lusófoo tão belo.
Fico impressionada como eles escrevem tão bonito e falam tão feio.

Jonga Olivieri disse...

"As armas e o varões (ou barões) assinalados...
...por mares nunca d'antes navegados"
Ó bleza iesta, ó pá...
É realmente o ápice da verbosidade poética de um povo.
Não é à tôa que o dia de Camões é lá festejado como a grande data nacional...

angel disse...

Gostei do bleza. Não foi erro de digitação, foi?

Álvaro disse...

Demais essa estória de tinta vermelha. Não dá para acreditar.

Jonga Olivieri disse...

Acreditem se quiserem.
Quanto ao "bleza", foi proposital mesmo pois assim ouvimos ou assim eles falam...

Redatozim disse...

Oliva,s e souber de vaga pra redator em portugal, tô com as malas prontas pra ir amanhã mesmo. Êta geito (com g mesmo segundo o Vitor) bacana de falar e escrever. Parece que se vive em um livro.

Jonga Olivieri disse...

Também notei o jeito com "g", e achei estranho. Mas, como a língua é deles, quem sabe mudou e nós não fomos avisados...

Jonga Olivieri disse...

Eles ralmente escrevem bonito. Mas falam muito feio.
É engraçada esta vala que existe entre o português escrito e o falado.
É que nem aquela mulher bonita que qdo abre a boca, sai da frente.