sexta-feira, abril 13, 2007

O “caso” do anúncio de oportunidade

Quando li a matéria do Vizeu na Tribuna da Imprensa, comentando o anúncio da Salles que faturou o prêmio de melhor do ano em 1981 (a peça com a cena de King-Kong, agarrado ao topo do Empire State, cercado de aviõezinhos e cujo título "A idéia está aprovada, mas tirem o macaco"), lembrei-me também de outro anúncio da Salles que eu acho memorável.

Como anúncio de oportunidade, realmente existem poucos que tenham sido tão felizes. No dia seguinte à renúncia de Nixon, a agência publicou um meia página horizontal com a foto de um Corcel (naquele tempo um puta carro) e o título: “Faça como os americanos. Troque por Ford”. Pra quem não sabe, Gerald Ford era o vice de Nixon, que, naturalmente assumiu no lugar deste.

Mas tem um caso que aconteceu nos bons tempos da JMM. Não consigo me lembrar o assunto do anúncio, mas isso não importa tanto. O que pesa aqui é o seu desfecho.

O Cid Pacheco, velho estrategista e conceituado profissional da propaganda, além de professor de comunicação, teve a idéia de colocar um anúncio de oportunidade sobre o tal assunto. O dito ficou pronto, só esperando o dia para ser estrategicamnte colocado na revista Manchete*.

Quando o fato aconteceu, imediatamente o Cid acionou a mídia da agência, e esta a expedição para que um boy fosse levar o original. O que foi feito com a maior precisão do mundo.

No dia da publicação, Cid acordou bem cedinho, vestiu-se e saiu correndo para a banca mais próxima para conferir o tal anúncio na revista. Comprou-a e começou a folhea-la cuidadosamente. Verificou que estava em página ímpar, o que significava uma boa colocação. Mas, eis que de repente um susto daqueles. Ao ler o título, tudo bem. Mas ao ir para o texto, Cid pode ler as palavras “no noni nono nonimono no no nonino nono...” e por aí adiante em todo o resto da peça.

Tacou a mão à testa (longa), dando-lhe um tapinha em gesto de decepção. E quase desmaia. Havia sido impresso o layout, a mancha. Linda por sinal, como eram muitos dos layouts bem marcados daquele tempo.

(*) A revista Manchete, antes do surgimento da Veja era o grande veículo da imprensa daquele tempo.

9 comentários:

isabella disse...

Imagino a situação do pobre do homem abrindo a revista naquela anciedade e encontrando o que não era para se encontrado. E além disso perdendo a chance de abafar. O tiro saiu pela culatra. Meu Deus, que situação!

Jonga Olivieri disse...

Bater a mão na testa foi pouco para o que aconteceu. O Cid deve ter passado maus momentos.
Como vc bem o disse, o tiro saiu mesmo pela culatra.
O que ia ser um grande furo publicitário, virou uma piada.
E o pior: real.

jr disse...

Um caso mesmo muito gozado. E naquele tempo os laiautes eram muito bem feitos. Dava para confundir a alguém menos avisado.
O pior foi ter passado por todo mundo inclusive o pessoal da revista sem que se notassse qualquer anormalidade.

Jonga Olivieri disse...

Isto é que é muito interessante.
Uma vez aconteceu de eu ter marcado um layout bem acabadinho e ele saiu, mas não tinha "nino nino nono".
O que será que fez com que ele passasse batido pela turma de edição da revista? Talvez a pressa, a correria.
Tem aquela máxima: "A pressa passa e a merda fica"...

Redatozim disse...

Oliva, o Rio furou. Foda isso. Depois explico melhor por email. Abração!

Jonga Olivieri disse...

Pena. Já estava aguardando a vinda docês amanhã à cidade maravilhosa*.

(*) ainda é, apesar de tudo...

Redatozim disse...

Coisas de filha pequena...

almagro disse...

Sobre a questão "leiautes ficarem muito bons", houve casos, na ag. que eu estava, déc./80, de clientes (Souza Cruz foi um caso)pedirem os tais, após a finalização da campanha, como recordação, colocar na parede etc. dado o esmero da peça - com bodytype mesmo, papel paraná, passepartout, acetato e ilustrações de pessoal de estúdio, creio que eram a Arydéia e o Maia. Grandes tempos! (Ass.: do puracatapora, caso não identificar o 'almagro')

Jonga Olivieri disse...

Caro Almir, eu, como você sou do tempo de 'layouts' marcados pelo Nilton Ramalho e o Benicio... Eram demais!
Na L&M, a Phillip Morris não aceitava 'story boards' manchados por outros ilustrradores que não o Niltinho. Eles ficaram viciados nas cenas do Ramlho de tal forma lindas que nós tinhamos medo de não gostarem do filme.
Aridéia marcou (e finalizou) uma campanha inteira com cartuns para a Editora Abril, na VS...