segunda-feira, abril 02, 2007

O “caso” do bestialógico

O Bestialógico era um sucesso na Salles. Lembrei ao Delano que ele, por estar na agência desde o início daquele anedotário, poderia escrever alguma coisa sobre o assunto. Como resultado deste papo, segue mais um “caso” de Delano D’Ávila para o nosso blog.

As equipes de criação sempre foram muito críticas. Nunca se perdoou a mínima mancada que escapasse de quem quer que fosse. Ferinos e radicais até mesmo com os colegas de convivência diária, inclusive os da mesma sala. E embora isso pudesse ser visto como um embate, nunca tirou sangue, nunca gerou brigas maiores. Prevalecia o sentimento de companheirismo, diversão e alguma aprendizagem. Mas qualquer vacilo verbal era impiedosamente registrado no Bestialógico, uma espécie de documento onde os escrivãos éramos nós mesmos, sempre espreitando, olhos e ouvidos aguçados.

Conseguir a pérola do dia do atendimento era como um troféu festejado com entusiamo por este grupo da Salles nos idos de 80. E por falar em troféu, e palavrinha foi traiçoeira com um contato recém chegado que mandou o pedido do cliente Brahma. E o que foi pior, lógico, veio por escrito:

“Favor criar dois troféis para homenagem aos 25 anos da empresa. Um trofel mais elaborado para os funcionários mais antigos e um trofel mais simples para outros destaques.
Grato,
Fulano de Tal”

Além da devida transcrição para o caderno, nosso “público-alvo” foi carinhosamente recebido na primeira visita sua à nossa sala quando o advertimos a ter cuidado com os degrais para que evitasse contusões ainda mais graves.

Como toda brincadeira, à medida que por uma ou outra razão os parceiros foram saindo esvaziou-se o nosso caderninho. E ele próprio acabou desaparecendo, provavelmente durante alguma faxina. Assim agora, só pela memória, fica impossível lembrar e resgatar com precisão as melhores mancadas registradas lá dentro. Mas não esqueço quando eu comentava com o Bernardo Vilhena sobre um simpático ilustrador já bem idoso que vivia falando de coisas e pessoas de muitos e muitos anos antes:

- Coitado. Ele não aprende mais, não sonha mais. Apenas recorda. É um recordista.

Essa também foi para o Bestialógico. Eu mesmo anotei.

8 comentários:

Jonga Olivieri disse...

É realmente uma pena que o Bestialógico tenha se perdido.
Aquilo daria, sem dúvida, um livro.
Mas, ainda bem que vc se lembrou desses dois casos que mandou na sua matéria.
Valeu!

isabella disse...

Gostei do caso do bestialógico. E que pena que ele se perdeu. Jungando pelos dois casinhos que o Delano conta devia ter cada coisa.
E parabéns Delano, você contou um caso bem mais enxuto.

Jonga Olivieri disse...

O bestiláogico era genial, porque ao falar às vezes a gente dá um tropeço e diz uma besteira. E "neguim" não perdoava. Falou entrava para o livro.
O pior mesmo, como bem disse o Delano, eram as coisas escritas. Aí o bicho pegava.
Tinham coisas memoráveis.

jr disse...

Muito legal a idéia do bestialógico. O nome também é muito bom. Pena que perderam.

Anônimo disse...

Bom, muito bom mesmo.
O.

Redatozim disse...

Tem pessoas que, por divertidas ou distraídas, dariam um bestialógico inteirinho só pra elas. Com vários volumes, diga-se de passagem.

Saulo Silveira disse...

O Delano, vai contando os casos do bestialógico, mas agora os recordistas somos nós, estamos sempre a recordar aqui blog...uai, êta trem sô.
Quem quiser ver minhas pinturas no meu blog: http://saulosilveira.blogspot.com/

Jonga Olivieri disse...

Maurilo, sei de algumas que você talvez também saiba...
Saulim, vou colocar o seu link no blog, mas estou sem tempo, tem tido muito trabalho.
Assim que puder, faço isto.