terça-feira, abril 24, 2007

O "caso" do frila

A última vez que trabalhei em Belo Horizonte, foi quando fui ser diretor de criação da Solution, em 1999, onde fiquei por um ano e meio.

Tínhamos uma boa equipe de criação, e contas nacionais, como a Localiza, além de outras locais, porém de peso, como a Patrimar, uma excelente construtora da cidade, shopping centers como o Jardim, uma nova proposta em shopping, entre outras.

Mas existiam aspectos na agência que eram extremamente sui generis. Por exemplo, seu diretor-presidente, o Fernando, nunca trabalhara em outras agências. Tinha um nome no mercado, a partir da direção de marketing da Localiza, e desempenhado um reconhecido papel em transformar aquela locadora tupiniquim na maior da América Latina, botando para escanteio a Hertz, a Avis e outras. O que, aliás, lhe proporcionou a abertura da agência e a posse da conta quando aquela locadora mudou sua equipe, em função de um alinhamento internacional.

Mas sua inexperiência em assuntos específicos de agência davam um toque peculiar às reações e interpretações quanto ao dia-a-dia da publicidade. No fundo no fundo, o Fernando via a própria agência do ponto de vista de um cliente.

Em determinada ocasião (ainda não tinham dois meses que eu estava lá), acabara de chegar em casa e tocou o telefone. Era o Fernando. Pedia que eu voltasse à Solution, pois o restante da diretoria já estava presente, e tínhamos um assunto importante a tratar. Eram umas nove da noite.

Voltei para a agência, e lá chegando, encontrei o Fernando e os outros diretores me esperando na sala de reunião. Todos com o semblante carregado. Sentia-se que o “astral” estava pesado.

Sentei-me à mesa, e começou a explicação do que ocorrera. Trocando em miúdos, era um caso de um determinado freelance envolvendo algumas pessoas da criação. Uma conhecida dele, Fernando, que não trabalhava na Solution mas estava ligada ao trabalho, havia resolvido contar tudo para ele.

A princípio, fiquei meio estupefato, porque realmente nada daquele frila havia transparecido para mim. A primeira coisa que posicionei foi isso. Ou seja, o trabalho podia existir, mas, primeiro, “aparentemente” não estava sendo desenvolvido dentro da agência, e segundo, não estava refletindo no trabalho da equipe. Ou seja, caso estivessem trabalhando no frila depois da hora, e, certamente fora da agência, ninguém estava atrasando seus jobs em função do referido freelance.

Mas, naquela agência havia uma tendência à “inquisição” em tudo o que acontecia, e essa não seria uma exceção. A coisa desandou a ficar mais estranha para mim quando se começou a falar em demissões. Nesse momento tive que dar um basta, e explicar que a equipe era minha jurisdição e responsabilidade, e que, por não notar nada de anormal, achava que a atitude seria descabida, precipitada, radical.

A discussão foi noite adentro, já nem sei precisar quanto tempo. Os argumentos eram os mais estapafúrdios, como:

– ... afinal de contas aqui eles aprendem muito acerca de marketing, fato que não acontece em outras agências... (?).

– E o que aqueles profissionais traziam de experiências das outras agências em que trabalharam? Não contava? Contra argumentava eu.

O meu principal ponto era de que ninguém tinha nada a ver com o que o funcionário faria depois que saísse do trabalho no fim do expediente, seja fazer um freelance, dar o rabo, cheirar, ou o que sua vida particular ditasse.

No final das contas, fiquei de reunir a turma no dia seguinte e conversar com eles. O que fiz. Mas, posicionando exatamente o meu raciocínio de que freelance é feito para ser desenvolvido fora da agência e que não o fizessem lá dentro.

Sem dúvida, um dos casos de maior nonsense em minha vida profissional.

11 comentários:

Redatozim disse...

Nem me lembre disso, Oliva. Fazer freelance virava quase um crime um segredo, uma palavra proibida. A gente inclusive substituía a palavra freela por "pííííííííí", como na frase: "fim de semana tenho que olhar um "pííííííííí" com um amigo meu. Não sei se isso mudou, mas tomara que sim.

Jonga Olivieri disse...

Ainda bem, meu caro Redatozim, que você foi "testemunha ocular da história".
Porque contando assim, a maioria das pessoas não entendem...

Jonga Olivieri disse...

Aliás, esqueci de comentar o "pííííííí" é muito bom. E sei que como este exixtiam dezenas de expressões simbólicas naquela agência. Tinha que ser. Afinal, Inquisição podia rolara aqualquer mero comentário.

jr disse...

E põe non sense nisso.

Jonga Olivieri disse...

E isso é apenas é a ponta do iceberg, meu caro JR.
Wellcome back...

Robson Ebaid disse...

Eita, anos atrás (porque na frente seria estranho) eu passei por isso. Em uma agência chamada Solution. Oh, my God. Somos eu e o Claudão (que hoje manda bem na Talent) os criminosos do caso. ahahahahaha.
Maravilha, Oliva.

Anônimo disse...

é pessoal, alguns anos se passaram depois disso mas essa postura ridícula ainda continua por aqui...

To gostando muito desse blog só de ver o pessoal xingando esse político fidumaégua que se diz ser publicitario, Fernando Campos.

Anônimo disse...

A Solution, é mesmo uma agência estratégica?

Jonga Olivieri disse...

Sei não! Depende de que tipo de estratégia...

Anônimo disse...

Novo slogan:
Solution. Uma agência pobre, mas estratégica.

Jonga Olivieri disse...

Eles estão tão pobres assim. Quero dizer, de grana. Porque de espírito não tenho dúvidas...