quarta-feira, maio 16, 2007

O “caso” da moringa

A JMM de Belo Horizonte ficava num local super aprazível. Em pleno bairro da Cidade Jardim, numa rua bucólica, com árvores cuja sombra chegavam aos seus jardins. A criação, justamente ficava ao final do lindo gramado à frente da casa. E tinha como particularidade proporcionar a quem nela trabalhava, chegar à sala sem passar sequer pela recepção da agência. Era uma sensação maravilhosa. Estacionava-se o carro bem em frente, cruzava-se o jardim frontal e entrava-se pelo lado, no jardim de inverno do térreo da mansão.

Ali, formávamos uma comunidade integrada e agradável. Eram poucas pessoas. Duas duplas e o RTVC. O que incomodava um pouco eram duas janelas que davam para o referido jardim de inverno. Numa delas ficava o tráfego da agência, e na outra o diretor financeiro: o esporrento Renato Bergo. Digo esporrento porque o Renato era um tremendo de um gozador. Falava alto, cantarolava mais alto ainda. Um dia foi muito engraçado, porque o dito cujo estava cantando uma música de sucesso na época que dizia: “Calcinha... Exocet”, esta última palavra vinha a ser o nome de um míssil utilizada pelos ingleses durante a guerra das Malvinas. E o Alcino, o RTVC da agência ouviu o “calcinha” como sendo o nome dele. Saiu da porta de sua sala que ficava contígua ao jardim de inverno e chegando na janela perguntou se o Renato o havia chamado. Pra que? Foi uma gozação geral.

Ainda tinha a vantagem de ser próxima à avenida Prudente de Morais (a de Beagá, claro), o que nos propiciava excelentes happy hours, pois tinha bons bares. Um pouco mais adiante, ficava a pracinha do bairro Luxemburgo em que também os botecos eram gostosos. Quer dizer, ao sair da agência a gente não se apertava para tomar algumas e calibrar antes de chegar em casa.

O ambiente agradável e amizade reinante entre as pessoas que ali estavam proporcionava longos papos entre um trabalho e outro. Mas, às vezes também havia falta de assunto. Bom, acontece. Um dia, mês de janeiro, acho que lá para o dia sete ou oito. O Alcino entra na sala. Era daquelas tardes pachorrentas de verão que dá preguiça até de falar. Olhou pra mim, olhou para os lados, espreguiçou e saiu com a seguinte frase: “É... o ano está voando...”. Como nos rimos, segundos depois, quando a ficha caiu...

Mas tinha também um moringão com água fresca durante todo o dia. No verão então, com o calor reinante, e apesar do ar condicionado, era mesmo muito utilizada. Primeiro porque por ser uma moringa velha, a água tinha um senhor sabor. Segundo porque, pelo mesmo fato estava sempre muito fresca. Um belo dia, eu conversava com o Alcino segurando a dita moringa. E, papo vai, papo vem, a moringa na mão. De repente, ela partiu ao meio. Fiquei segurando o gargalo, estupefato. Foi um susto dos diabos. Fora a molhadeira geral e a sensação de ter perdido aquele manancial de água quase geladinha...

6 comentários:

jr disse...

Muito engraçada esta situação. Imagino a sua cara segurando a moringa quebrada.

Jonga Olivieri disse...

Engraçado, foi. Mas só depois. Na hora foi terrível perder aquela fonte de água...

Redatozim disse...

E o lodinho que fica dentro da moringa é o principal responsável pelo delicioso frescor da água. Ou seja, não dá pra substituir por moringa nova e achar que vai ser igual.

Jonga Olivieri disse...

Mas é isso mesmo.
A moringa foi substituída.
Mas, e aquele gosto de barro? E o gostinho do lodo da naterior?
Levaria anos para voltar a ser igual. E talvez tenha sido trocada em tempos posteriores por esses filtros de água. Irgh. Perdeu a graça...

acordabrasil disse...

Fala pessoal...
Gostei do blog. Muito interessante.
Montamos um blog super interessante também trazendo um papo cabeça sobre a situação de nosso país...
Acessem e comentem...
http://acordabrasil.wordpress.com/

Jonga Olivieri disse...

Obrigado (Acorda Brasil). Justamente hoje estou retomando publicações neste blog que andava um tanto quanto parado.