quarta-feira, agosto 22, 2007

O “caso” da ‘hora do trem’

Tem aquela velha história de que mineiro nunca perde o trem. Bem, não sou mineiro de nascimento, mas o sou por estar casado com uma por mais de três décadas. E, independente de qualquer influência, o baiano aqui nunca foi de chegar atrasado em lugar nenhum. Tenho mesmo uma obsessão por horários. Desde a reunião de trabalho ao compromisso social mais bobinho. Costumo até sofrer com isso, pois chego às vezes tão antes da hora, que tenho que fazer alguma outra coisa para chegar no local somente no horário marcado.

Mas, aconteceu... tudo tem que ter uma primeira vez na vida. A tal que a gente nunca esquece. Fomos a Vitória a trabalho. Lula Vieira, Silvana Gontijo e eu. O vôo estava marcado para 20h10m. Quando cheguei no Aeroporto Tom Jobim, pra variar era muito cedo: cerca das dez para as sete. Dei uma olhadela, e não vi o casal. “Também -- pensei eu com os meus botões --, ainda é cedo demais". Mesmo assim, fiquei nas imediações da área do check-in da Gol. Nada do Lula... De repente toca o celular. Era ele. “Jonga... aonde você está?” Prontamente disse que o estava esperando no local combinado. Qual não foi a minha surpresa quando ele falou que estava na fila, a poucos metros do lugar em que me encontrava.

Olhei em torno. Estava cheio de gente, mas fui checando as filas e encontrei os dois. Verificamos ali mesmo que o vôo estava atrasado em trinta minutos. Atraso este que para o caos geral nos aeroportos é até insignificante. Umas três semanas antes, indo para a mesma cidade, atender o mesmo cliente, madrugamos no aeroporto, e o vôo simplesmente atrasou mais de três horas. O check-in foi rápido. Logo estávamos liberados.

Normalmente, apesar do atraso, o “mineiro” aqui, iria direto para o salão de embarque, compraria um jornal qualquer, e ali, seguro de que não ia “perder o trem”, ficaria mais tranqüilo. Mas o Lula -- filósofo da vida que é -- sugeriu que, em função do atraso do vôo, fossemos jantar. Eu, meio que sem jeito fui com eles. E até pensei que aquela seria a forma mais correta de encarar o contratempo do “apagão” aéreo.

Subimos um andar e fomos ao Demoiselle. Calmamente pedimos os pratos, e pusemo-nos ao sabor do delicioso passatempo. Papo pra lá, papo pra cá, o tempo foi passando mais leve e rapidamente. Tão rapidamente que quando nos lembramos de consultar a hora, faltavam dez minutos para o embarque. Apressadamente pedimos a conta. Também apressadamente descemos as escadas (ainda bem que rolantes) e nos dirigimos ao portão de embarque. Conseguimos furar a fila, alegando verdadeira e convincentemente que o nosso avião já havia anunciado a partida. Corremos pelo salão de embarque, e, lei de Murph, era o último, lá no fundo...

Quando chegamos, o portão já estava fechando. Apresentamos as passagens à recepcionista, que, correu pelo túnel de embarque para voltar logo em seguida, dizendo com uma expressão tristinha, que o avião já havia fechado a porta, e que aí, não tem jeito, não iria mais abrir. “Pronto! Perdemos o trem”, pensei de imediato. Mas logo com dois mineiros? Eu, por osmose e a Silvana, mineira mesmo. Única solução: voltar ao balcão da Gol e remarcar um outro vôo. E foi o que fizemos. Hora do próximo? Dez e trinta. Uma espera de quase duas horas.

Só nos restou esperar calmamente no salão, lendo o Estadão que o Lula, sabiamente trouxe consigo. Resumo da ópera, o embarque somente se efetivou às onze da noite.

15 comentários:

André Setaro disse...

Mas deveriam estar mais atentos quando estavam a saborear as iguarias do 'Demoiselle'. Mudando de assunto, contudo, há uma universialidade neste blog, que é o 'móvel' da propaganda, enquanto que o 'Pensatas' é mais versátil e aberto em seu conteúdo - o que não o deixa de ser também muito interessante, ficando a diferença, aqui, apenas como conceituação.
E a narrativa fluente, característica do autor, que sabe desenvolvê-la com humor, leva, invariavelmente, suas postagens ao hoje tão difícil prazer da leitura.

André Setaro disse...

errata: onde se lê 'universialidade', leia-se 'universidade'

Jonga Olivieri disse...

"Coi de louco!" Pra falar um "mineirês" mais adequado.
Foi bobeira mesmo. Nós deveríamos ter feito no máximo um lanchinho.
Abusamos e pagamos.

Jonga Olivieri disse...

Quanto à "errata", acontece mesmo. A gente escrever direto no blog sempre resulta em algum erro.
O ideal é fazer o comentário no word, copiar e colar aqui. Mas, infelizmente, nem sempre se tem tempo para tal façanha.
E, obrigado, meu caro André, quanto às referências elogiosas à publicação e o "sense of humour"...

Redatozim disse...

Só comecei a me atrasar depois que Sophia nasceu, mas culpar a baixinha também é sacanagem. talvez esteja apenas me demineirizando com a idade.

Jonga Olivieri disse...

Concordo, a baixinha não pode ser a culpada... deixa a menininha em paz, sô!
Mas, nunca deixe de ser mineiro. Como o carioca, também é um estado de espírito.
Agora, já imaginou a minha situação? Baiano de nascimento e mineiro por osmose. Por isso que eu acho que sou, antes de mais nada um cidadão do mundo...
hehehe

Anônimo disse...

Coisas de Lula Vieira, né?

Saulo Silveira disse...

Mineiro não gosta de perder trem, de perder dinheiro e mulher bonita, agora ele adora perder trem feio, trem ruim...nisto ele chega sempre atrasado e bota a culpa no relógio.

Jonga Olivieri disse...

Grande Saulo. Ê "trem, sô"! Essa foi "demais da conta". "Nuuu!" gostei "diveras". Apesar de não ser "sistemático", não ia perder o "trem"... Porque mineiro, sou. Do fundo do coração... amo aquela terra...

Anônimo disse...

Gostei de ver a mineirice do baiano. O caso é muito bom. Por isso mesmo, assino à mineira. Uai!
Tavim

jr disse...

Deve ser triste chegar antes da hora necessária para o checkin e perder o vôo por causa dos outros.
Imagino o quanto você sofreu.

Jonga Olivieri disse...

Depois que passa, torna-se uma situação apenas engraçada.
O ser humano tem dessas coisas.

Anônimo disse...

Como sou sua fã incondicionalmente, e conheço o Lula, vou fazer uma queixa pelo atraso.
Adiantou você chegar direitinho na hora?
Gracinha que ele é! Lindo!
(Anônima Fanzoca)

Jonga Olivieri disse...

Obrigado pela força. Anônima Fanzoca incondicional. hehehe

Anônimo disse...

Este Lula, tanto quanto o outro, são enrolados por natureza. Deve ser mal dos moluscos da vida.
Conheço a peça. Já estive em verdadeiras saias justas por causa dele.
Cuidado!