quarta-feira, agosto 08, 2007

O “caso” da viagem a Nova Iorque

Outro dia eu contei um caso sobre medo de avião. É tragicômico porque eu já tive, e sei como é que é realmente uma coisa pavorosa. A gente passa vexames de verdade. Em publicidade eu conheci vários. O Paulinho Costa, por exemplo, uma vez caiu das escadas do avião e rasgou as calças, porque tinha que encher a cara para embarcar. O próprio Mauro Matos, me confessou que era freqüentemente acometido dessa neurose. O Vic, nem se fala...

No meu caso, houve ocasiões em que quase pedi demissão da agência em que trabalhava, pelo simples fato de ter que ir a São Paulo acompanhar uma foto. Acabava pegando um Cometa. Muitas vezes fui de carro. Mais tarde, quando trabalhei em Portugal ia freqüentemente a Lisboa para filmagens, pois a cidade do Porto só tinha uma produtora que que não era lá essas coisas. Eu ia de trem. Era realmente uma viagem confortável e rápida – de cerca de três horas – num excelente “comboio” que ironicamente até parecia um avião no serviço de bordo. Mas, via aérea, eram apenas 20 minutos. Tudo isso para não entrar no bendito aeroplano.

Uma ocasião, quando estava na DM9, em Salvador, tive que ir a Sampa para aprovar um fotolito urgente de uma campanha mais urgente ainda. Passei uns dois dias sem dormir direito. E o pior: teria que voltar no dia seguinte, o que me deixava mais endoidecido ainda, porque não teria tempo suficiente para me recuperar da ida e já teria que encarar a volta.

Mas um dos casos mais engraçados que eu ouvi, aconteceu com o Carlos Pedrosa e o Henrique Meyer. Ambos ganharam um prêmio que a McCann-Erickson dava a alguns funcionários, que era, nada mais nada menos do que uma viagem a Nova Iorque para visitar a agência nos Estados Unidos. E, claro aproveitar para passar uns dias em Manhattan. Fazendo compras, ou jantando em bons restaurantes, visitando o MoMA. Ou, quem sabe, até cruzando com o Wood Allen numa esquina qualquer.

Conta o Henrique que o Pedrosa tremia de “aerofobia”. Entrou no avião nervoso, cheio de medo. Na hora que o veículo ia levantar vôo, o Pedrosa agarrou a mão dele e não largou mais. Deve ter sido um escândalo a visão daquele “casal gay”, dois barbudos de mãozinhas dadas a viagem inteira. Numa época em que as "bichas" não costumavam sair do armário.

8 comentários:

jr disse...

Conheço ambos de nome. São medalhões da profissão. Eu, como ex-cliente nunca os encontrei na vida.
Mas o caso é engraçado mesmo. Já pensou? Em que ano foi isso. Dependendo foi mesmo um escândalo.

Jonga Olivieri disse...

Não sei o ano exato, JR. Sei que o Henrique me contou lá pelos idos de 1977. Deve ter sido no início daquela década, ou em fins da de 1960.
Mas que deve ter, pelo menos chamado uma puta duma atenção, lá isso chamou...

Anônimo disse...

A história que você contou é apenas mais ou menos verdade,como todo folclore. Mas o negócio das mãos dadas confere.
Pedrosa

Jonga Olivieri disse...

O que o medo faz. Juro que, na época em que eu tinha äeropânico", eu teria tido a mesma atitude.
Aliás, uma vez, chegando a Londres, o avião dava cada solavanco, e eu peguei a mão do meu filho e a agarrei também. É instintivo. Ele olhou pra mim e disse: "Papai, que mão gelada!".
Não é fácil não! Graças aos deuses, hoje superei o medo de avião e o substitui pelo medo de aeroporto e "apagões".

Anônimo disse...

Medo de voar é sério. As pessoas perdem a noção do que estão fazendo.
Tenho um amigo que se agarrava ao pessoal do aeroporto gritando e apontando a mulher e os familiares que estavam fazendo a viagem come ele, que estava sendo forçado a fazer aquela viagem, que ele não queria ir, etc.
Depois que lhe deram um bom tranquilizante o sujeito seguiu meio dopado e seguiu para o avião.
Era uma viagem de passeio à Europa. Vê se pode?

Jonga Olivieri disse...

Procê ver É capaz de fazer loucuras para não viajar quando se sofre desta síndrome. É sério.

André Setaro disse...

Ainda bem que resolveu atualizar o blog, que é muito interessante e mais específico, com 'causos' que mereceriam, inclusive, uma publicação não virtual e 'real'.

Jonga Olivieri disse...

Estou tentando atualizar este blog. Mas, casos de publicidade são cada vez mais difíceis de lembrar. Já são mais de oitenta contados por mim.
Mas, vou tentando lembrar, acionando o "Tico" e o "Teco", os dois neurônios que sobraram (rs)