quinta-feira, agosto 30, 2007

O “caso” do barco de sushi

Trabalhei com Felipe Monsanto na VS. O que posso dizer dele, é que além do grande profissional que é, também é um grande amigo, um grande coração, uma grande companhia e um grande caráter. Aliás, grande é uma característica do Felipão. Como sugere a alcunha, não só um grande cara, mas um cara grande. E por falar em grande, segue aqui um grande “caso” contado por ele. Em grande estilo.

Não lembro bem o ano, devia ser 1993, trabalhava na VS Escala e isso significava trabalhar que nem um corno e, para os novatos como eu, também receber salário de corno.

Além disso, como operador de Mac, sobrava trabalho depois da hora quase todos os dias, onde a gente tinha que pagar o jantar e o táxi do próprio bolso e o caixa da agência levava, às vezes, 15 dias pra reembolsar. Eu vivia bem alimentado, porém duro que nem um coco.

Certo dia conversei com o Neri, diretor financeiro da casa e contei a ele o problema, que passou a me fornecer cheques da agência assinados e em branco pra pagar os jantares da galera. No dia seguinte eu só tinha que entregar a nota fiscal pra ele. Por incrível que pareça esse foi o pior negócio que já fiz na vida. Por ser o cara que conseguia os cheques, nunca mais me deixaram sair cedo, eu era convocado para todas as viradas de noite...

Certa vez fui chamado na sala do Aías, o VP financeiro pra explicar como eu e o Fred (Dabus) tínhamos comido 10 sobremesas em um único jantar. É que, por razões óbvias, não se podia pedir bebidas alcoólicas. Mas a gente sempre pedia e mandava não botar na nota. Dessa vez a moça do restaurante mudou a tática e botou as latinhas de cerveja como sobremesas... E pra explicar? Disse que eram os refrigerantes e as duas sobremesas juntas ou qualquer coisa parecida.

Até hoje não sei se colou, sei que passamos a tomar mais cuidado ao “instruir corretamente nossos fornecedores” no preenchimento de suas notas fiscais a partir desse dia.

Mas a melhor mesmo foi num sábado que fomos trabalhar na agência eu e o Jonga (este mesmo aqui do Blog). De posse do chequinho do Neri ligamos para o Yamamoto (restaurante japonês muito bom e que não cobrava tanto, afinal eram épocas de vacas gordas na propaganda, mas a gente tentava economizar o dinheiro da agência) e pedimos um barcão de sushi no capricho.

Feito o pedido, desci até o primeiro andar, onde ficava a cozinha, pra pegar um copo d'água e dei de cara com o Lula (o patrão).

Assustado com a minha presença na agência num sábado, perguntou: "Tá fazendo o que aqui garoto?"

Eu mais assustado ainda com a presença dele num sábado na agência (se fosse o Waldir era mais sério ainda) respondi: "Telerj." Poderia ter respondido Telergh, Telerda, Telemerda, mas tentei ser sério.

Nem peguei a água e voltei correndo pra sala do Mac e contei pro Jonga: "O Lula tá aí!" E ele me respondeu: “Puta que pariu, caralho, fudeu!!! Vamos morrer de fome, Felipão!”

“Calma Jonga, ele tá tendo dificuldades pra conseguir um táxi, vamos ajudar”, eu disse.

Cada um pegou um telefone e começamos a tentar achar um táxi a qualquer custo. Quando conseguimos, passamos então a rezar pro táxi chegar antes do barco (de sushi), o que, pra nossa sorte, aconteceu.

Dez minutos depois de ele ir embora, chegou nosso belo barco de sushi e algumas cervejas geladinhas, que comemos e bebemos com toda a calma do mundo. O problema é que se o Lula visse o sushi, ia se chegar pra comer, botando logo dois ou três na boca por vez e antes que a gente desse conta ele já teria comido tudo... E, o que é pior, ia deixar o pobre do taxista esperando por ele.

Devem estar pensando como ficou a campanha. Com a inspiração do sushi, acabou ficando ducaraaaaallllhhhhooooo!!

PS: O Neri (aquele que liberava o chequinho em branco) é nosso contador há 12 anos, amigo há 17 e cliente há uns 6.

6 comentários:

jr disse...

Finalmente alguém que posta neste blog e não fala mal de clientes!
Parabéns Felipe. Gostei do seu cas o de estréias.

Jonga Olivieri disse...

É, este "caso" do Felipão, do qual aliás fui co-protagonista foi muito engraçado. Porque o Lula, antes de emagrecer e fazer aquela operação de redução de est*omago, comia muito. Muito mesmo. Eu me lembro que o pessoal do estúdio -- ainda na VS da Maria Eugênia -- ficava apavorado quando pediam uma pizza à noite, e o Lula ao descer (sempre passava no estúdio que ra o lugar mais engraçado da agência) e deparava com a guloseima, não resistia e traçava uns cois ou tês pedaços. O que era "fichinha" para ele.

Redatozim disse...

Pô jr, não sei porque, mas tenho a impressão de que você trabalha do outro lado do balcão, acertei?

Jonga Olivieri disse...

Ai, meus calos, ~´a de dizer o JR toda vêz que alguém fala mal de atendimento.
Aliás, deve estar com o pé inchado, poque o difícil é falar bem do atendimento... hehehe

Rafael Felisbino disse...

HAhaha, Eu vi o Lula apenas uma vez na minha vida, numa palestra da faculdade, quando li que ele colocaria três sushis de vez na boca, quase chorei de tanto rir.
Agora se tratando do Felipe, realmente ele é uma ótima pessoa.
Estou aqui com ele já a dois meses, aprendendo, criando e levando puxões de orelha.

Jonga Olivieri disse...

E pode confiar no Felipão... ele sempre foi um profissional sério, empenhado em fazer o melhor. E, apesar desse jeitão brincalhão de garotão, um diretor de arte maduro e seguro, com uma formação que ainda pegou o "academiscismo" dos velhos tempos...