quarta-feira, agosto 15, 2007

O “caso” do ronco

Criamos um filme para a marca de cigarros Shelton, um dos carros chefe da Philip Morris na época. Existiam duas versões do produto. Um long size em maço e outro em tamanho normal com caixinha Flip top.

A historinha girava em torno de um casal (que novidade!), e ficamos dias e dias discutindo o local para a filmagem. Inclusive, claro, com o cliente também. A Philip Morris, como todo cliente que se preze, era repleta de diretores e assessores cheios de “grandes” idéias próprias. Finalmente, bateu-se o martelo em Paraty. Belo lugar. Eu até a conhecia, pois já havia passado um feriado lá, alguns anos antes. E a encantadora cidade colonial deixou em mim, desde aquela ocasião, uma ótima impressão.

Normalmente o redator costumava acompanhar as filmagens e o diretor de arte as fotos. Era mais ou menos praxe. Mas, nesse caso, eu, o diretor de arte da dupla fui escalado para tal façanha. Nem preciso dizer que adorei o fato, tal a minha paixão por cinema.

Fui no meu fusquinha mesmo. Com toda as despesas pagas, obviamente. Sai numa madrugada, em dia que raiava lindo, e segui estrada afora, sozinho e os deuses, rumo à mágica Paraty, na Costa Verde do estado do Rio de Janeiro*. No início, uma viagem normal. Saindo da Humaitá, atravessei o túnel Rebouças, peguei a avenida Brasil e entrei na recém-inaugurada Rio-Santos. Mas, aos poucos eu ia ficando deslumbrado, maravilhado com aquela estrada, que a cada curva, a cada lombada oferecia visuais de encantamentos indescritíveis. Eu chegava a exclamar um “oooohhh!” em voz alta. Naqueles dias, inclusive, o caminho passava por sítios que nunca alguém (a não ser índios ou piratas) haviam pisado antes. Foi uma viagem que eu jamais vou esquecer. Deslumbrante mesmo.

Depois de muitas horas de viagem, acrescidas de várias paradas (que fiz para admirar as paisagens), cheguei aos limites da cidade. Dali em diante não se podia ir mais de automóvel. Procurei a pousada em que ia ficar com toda a equipe da produtora que filmaria o comercial. Era a pousada da Maria Della Costa. Um encanto de lugar.

No mesmo dia, começamos as locações. Cada local mais bonito do que o outro. Cenários lindos. Fora o casario, as igrejas. O “romance” do casal Shelton ia ser muito bem emoldurado. À noite, íamos para um restaurante que ficava na praça, bem em frente a uma ponte. Comíamos, e, principalmente bebíamos até tarde da noite, trocando idéias sobre cenas e locações para as filmagens. Saíamos meio tontos, mas com as cenas do dia seguinte todas decupadas. E assim foi passando o tempo. O trabalho foi feito em três dias de tomadas. Rodamos muito filme. E os dias se passavam com muito trabalho de dia, muita birita à noite...

Houve uma noite em que, cansado e “tocado” desmaiei na cama. Lá pras tantas, o ator do comercial, um gringo, que dividia o quarto comigo, me acordou balançando loucamente e dizendo:

-- Pour favour, pour favóur... ruonca mienóus... pourque éu nóm consigou dourmier...

(*) A população local, escolheu em plebiscito ficar no estado do Rio de Janeiro, e não no de São Paulo, como era até então.

9 comentários:

Anônimo disse...

Claro que o gringo tinha razão. Vai roncar assim lá na esquina.
Otávio

Jonga Olivieri disse...

Deve ter sido foda mesmo! O cara tava desesperado...

jr disse...

Paraty émesmo uma cidade lindíssima. Houve um tempo em que eu ia muito lá.
Bom mesmoé quando a esteadinha era de terra e passava por Cunha, saindo da Dutra em Guaratinguetá, ou Pindamonhangaba. Não me lembro muito bem.
Hoje está cheia demais. Ficou um saco.

Jonga Olivieri disse...

Pois é. A priemira vez que fui a Paraty fui por Cunha. Até lá era asfalto. Depois a gente descia uma serra de chão batido, que nuuu! Dava medo.
Mas Paraty era outra coisa naqueles idos de 1970, quando fui lá nesta primeira vez.
Agora, a Rio-Santos, logo que foi inaugurada também era um paraíso. Passava por locais quase virgens.
Hoje, a estrada está ruim, e as latinhas de cerveja e outras coisas poluidoras abundam nas margens da rodovia. Uma pena.
E Paraty, idem. Á última vez que fui lá tive uma decepção, apesar de continuar linda. Mas... é a "civilização" chegando. E ferrando com tudo.

Saulo Silveira disse...

Oi Jonga, a Virginia como faz para dormir? O caso é engraçado. Acho que todos tem o direito de roncar, os incomodados que vão dormir no sofá.

Jonga Olivieri disse...

Saulo, hoje em dia eu ronco menos. primeiro porque perdi 25 quilos e tô magrim que só vendo!
E realmente, o gordo ronca mais.
Além disso, devido à dieta (por questõews de saúde), estou bebendo pouco... o que também reduz o ronco.
Naquela noite em Paraty, eu tinha entornado direitinho. E aí, bebum, já viu, né!

Cecé disse...

Hahahahaaha, deve ter sido um saco pra o gringo!!! ia muito a Paraty, quando trabalhei na Usina Nuclear de Angra, a estrada para aqueles lados é linda demais e Paraty, muito encantadora... sempre que podia, como era pertinho passeava por lá!!!
beijosssssssssssssssssssss

Redatozim disse...

Deu vontade de voltar a Paraty. Estive lá em um reveillon faz 3 ou 4 anos. Se puder não dividir o quarto com um diretor de arte roncador, melhor.

Jonga Olivieri disse...

Diretor de arte roncador, é barra. O gringo que "uó digue"...
Mas, que Paraty é linda, isso é.
E as pingas de lá também são boas.