sexta-feira, agosto 10, 2007

O “caso” do xará

Nilton Ramalho é uma figura sempre bem humorada e divertida. Quando estou com ele, solto boas risadas das suas narrativas e das situações que ele vive. Tem a veia do contador de piadas, reais ou imaginárias. E isto é um dom. O Lula Vieira o tem. O saudoso Flávio Colin também era assim, capaz de contar uma historinha qualquer em que eu me esbaldava de tanto rir. Quando eu o contava, juro que não tinha a mesma graça.

E o Ramalho sempre tem um comportamento engraçado na própria forma com que se comporta. Eu me lembro de quando entrava na agência para entregar os seus trabalhos de ilustração*, e, chegando na porta adentrava o corredor gritando: “Alôôô Putaaadaaaa!” Era um senhor rebú. Mas, ao mesmo tempo uma alegria geral, porque à sua chegada, quem estivesse triste podia esquecer aquela situação. O Nilton punha-se logo a conversar com todos, abraçar, rir. As pessoas que estavam em outras salas, saíam apressadamente para estar com ele, saudosos dos tempos em que ele trabalhou com elas. Em poucos instantes a agência virava um tumulto. No melhor sentido.

O Nilton conta um caso que eu acho do cacete. Havia um mendigo sempre parado na porta do prédio em que tem o seu estúdio. Todo dia, o Nilton (com o seu grande coração) levava um pão ou qualquer coisinha para abrandar a fome do coitado. O mendigo agradecia e o ele respondia: “Tudo bem, xará, é um presentinho pra você...”

E isto foi acontecendo com o passar do tempo, virando quase que uma rotina. Um belo dia, o mendigo o chamou e perguntou alguma coisa. Quando o Nilton ia saindo o sujeito agradeceu e disse: “Obrigado Antônio**, obrigado...”. O Ramalho parou, cofiou a barba e retrucou: “...mas, meu nome é Nilton...”. Ao que o Antônio repondeu: “Ué... você não me chama de xará?”.

(*) as ilustrações do Ramalho são tão boas que tinham clientes que só aceitavam story-boards marcados por ele.

(**) Não sei se o nome do mendigo era Antônio. Coloquei aqui apenas a título de ilustração.

8 comentários:

Saulo Silveira disse...

Lembro-me dessa epóca, bons tempos.Grande coração, muita bondade. Ramalho meu amigo, um grande abraço.

Jonga Olivieri disse...

Grande Saulo. Você está "uma brasa, mora!". Apeasr de que aí em Lisboa já deve estar na hora do almoço.

Redatozim disse...

Boa demais, essa. O pior é que eu vivo chamando os outros de xará e nunca me liguei no risco risos.

Jonga Olivieri disse...

É mesmo um risco danado. Se você chega para um sujeito e todo dia diz: "ô, xará...", é claro que ele pode mesmo achar que você sabe o nome dele e é seu homônimo. hehehe

Anônimo disse...

Lembro do tempo em que via as ilustrações do Newton Ramalho na revista Ele & Ela. Eram lindas de morrer. O cara é muito bom.
Otávio

jr disse...

Junto com o Benício, as ilustrações dele são de fato excelentes. No nível das melhores do mundo.

Jonga Olivieri disse...

Concordo com você. Tanto o Benicio como o Ramalho são grandes exemplos de ilustradores, não só do Rio, mas do Brasil.

Anônimo disse...

Ilustradores com (I) maiúsculo.
Aqueles cartazes de cinema do Benício arrazavam.
O Ramalho tem uma da Pepsi que eu acho impressionante.