quinta-feira, setembro 27, 2007

Para quem gosta de cinema

Tem um novo link neste blog, particularmente para quem aprecia a 7ª arte. Trata-se do “Blog da Stela (cinema)”, que vem somar-se ao excelente “Cinema por André Setaro”, daquele que considero um dos maiores experts no assunto em todo o Brasil. Ambos da Bahía, que já nos dera Walter da Silveira, considerado e reconhecido como um dos grandes críticos e conhecedores de cinema deste país. Estão nos links aí ao lado. Divirtam-se. E certamente vão conhecer um pouco mais de cinema.

terça-feira, setembro 25, 2007

O “caso” do cravo que tira cheiro de goró

Nosso grande parceiro Felipe Monsanto rides again...

Mais uma vez estávamos eu e o Jonga (ilustre amigo e meu mestre da direção de arte e de derrubar saquê) no Yamamoto depois do trabalho. Eu sem namorada depois de trabalhar até as dez e pouco em plena sexta-feira. Ele com a patroa em casa já acostumada às viradas de trabalho.

Resolvemos então fechar a semana de ralação com um belo sushi e algumas doses de saquê. Se não me falha a memória eu bebi três ou quatro e o Jonga umas seis ou sete. Mas isso não é nada, pra quem certa vez tentou bater o recorde de Fernando Farah. Um sujeito de 149 kg que bebia 11 saquês. E conseguiu, bebeu 12. Só que na hora do almoço ele voltou para a agência, acabou dando uma encoxada bonita numa secretária boazuda que era Miss Iguaba, trupicou na escada e acabou sendo gentilmente conduzido de volta até sua residência, que por sorte era perto da agência. E por respeito ao ilustre recordista, sem ter seu dia de trabalho descontado em folha. Afinal de contas o patrão também era chegado num saquê e acho muita graça na saliência do Jonga com a tal secretária.

Não sei se por conta exatamente deste episódio ou deste e mais alguns juntos, a patroa do Jonga fica furiosa quando ele toma umas e outras que não seja em datas comemorativas e sob a vigilância dela que manda parar quando ele começa a contar piadas de papagaio. Até as de português a coisa vai, contou a primeira de papagaio a dona patroa arranca-lhe o copo da mão na frente das visitas e manda beber dois copos d'água imediatamente. E o Jonga atende, prontamente, sempre!! Rindo muito, claro, mas atende!!

Nesse dia pegamos um táxi depois do sushi e o Jonga foi contando que já sabia que ia ouvir esporro da patroa por causa de cheiro de goró. Eis que o motorista, sem ser chamado na conversa, diz ter a solução:

- Meu amigo vou resolver o seu problema.

E encostou a porra do táxi em frente à favela Santa Marta por volta da meia-noite e começou a vasculhar tudo dentro do maldito táxi, já explicando:

- Minha mulher também fica fula da vida quando eu bebo...

Depois de uns cinco minutos, acha um saquinho com cravos-da-índia e manda o Jonga mastigar logo três. O motorista devia ser um cachaceiro de primeira, afinal isso é coisa mesmo de pinguço!

Como eu estava sem namorada, fiquei livre desta. Enquanto o Jonga travava uma puta batalha com os cravos, o cheiro deles se espalhava pelo carro. Devo ter chegado em casa cheirando a cravo...

Na segunda-feira, encontro o Jonga e pergunto:

- E aí Jongão, o cravo funciona?

Ele abre um grande sorriso e diz:

- Funciona pra caraaaalhooooo, Felipão! E já tirando um recém-comprado saquinho de cravos do bolso, e sacodindo (o saquinho de cravos) com toda satisfação.

Diante de tanta alegria e do "funciona pra caralho" achei até que o cravo fazia mais coisas do que simplesmente tirar cheiro de goró, mas em respeito ao amigo achei melhor não perguntar. Ou teria sido o saquê?

Até hoje não sei a resposta...

quinta-feira, setembro 20, 2007

O "caso" do fax que não funcionava

Por Mariflor Rocha, a nossa parceira. Com todo o respeito...

Ser estagiário é realmente difícil. O universitário cai de pára-quedas no meio de um monte de cobra criada, se der sorte, sem saber do que se trata o trabalho, achando que o que ouviu na faculdade é o que funciona e querendo agradar todo mundo pra conseguir o sonhado emprego.

Ainda lembro, da época de jornal, da cara espantada dos estagiários diante da gargalhada do chefe dos gráficos quando ele dizia que alguém na redação tinha mandado que buscasse a calandra. Ou do riso à socapa do chefe do almoxarifado ao responder que o guache xadrez estava em falta...

Bom, esse se passou na Contemporânea há pouco tempo.

A menina acabara de começar o estágio na agência. Aquele velho esquema. Rodar todos os departamentos, para conhecer o trabalho e descobrir afinal o que queria fazer em publicidade.

O primeiro foi o de Operações. O velho tráfego da C.

A guria animada, cheia de boa vontade, mais perdida que cego em tiroteio. Todo mundo com a maior paciência, tentando explicar, na medida do possível, o inexplicável: como funciona a agência.

Beth Paixão, veterana, que com certeza alguns conhecem o jeito despachado e, diria até, informal demais com que trata todos vira para a Carla (vamos chamar assim) e pede: “Paixão, passa esse fax pro fornecedor pra mim?”

Dito isso, retorna ao telefone e computador e esquece.

Passado algum tempo, Beth se lembrou e estranhou não ter recebido a folha de volta.Olha em torno e vê a Carla parada em frente à impressora com um ar sofrido, pensativa e a folha na mão.

“Paixão, passou o fax?”

Carla começa quase a chorar e gaguejando responde: “Beth, eu estou tentando... Mas onde é que a gente enfia o papel aqui?”

segunda-feira, setembro 17, 2007

O “caso” do armarinho

Mais um “caso” de Maurilo Andréas. Desta feita contando uma historinha de um dos mais geniais criativos que jamais conheci...

Jackson Drummond Zuim foi um puta redator daqui das Minas Gerais. Dono de um talento imensurável, de um humor corrosivo e de uma voz de barítono engraçadíssima, Zuim é protagonista de algumas das tiradas mais divertidas que já se ouviu por estas plagas.

Pois trabalhando na Alcântara, agência de Mario e Rui Alcântara que não mais existe, Zuim atendia clientes importantes e acumulava prêmios. Certo dia, Rui adentra a criação e solicita meloso: “Ô, Zuim, to precisando de um nome pro armarinho da minha irmã, me dá uma força nisso aí.”

Assim que o chefe deixou a sala, nosso redator começou a reclamar com seu tom único “putaqueopariu, cidadão, eu cheio de trabalho aqui e o Rui vem me pedir nome pro armarinho da irmã dele!?” E nessa ficou por uns 15 minutos.

Um tempinho depois o Rui passa pela sala e Zuim grita para todo mundo ouvir: “Ô, Rui, arranjei um nome do caralho pro armarinho da sua irmã. Armarinho Seu Butão!” (com “u” mesmo pra enfatizar a sacanagem).

Nunca mais pediram favor nenhum pro Zuim.

quarta-feira, setembro 12, 2007

O “caso” do sutor

Existe uma grande diferença entre se ouvir uma piada de português, e viver uma delas. Olha, gente, adoro aquele povo d’além mar, mas eles têm coisas deveras engraçadas. Por exemplo: apesar de viverem dizendo que, nós brasileiros, temos o hábito de não traduzir determinados termos se outras línguas (do inglês em particular), eles também caem no mesmo vício. Daí, redator lá ser copywriter, contato ser account... e até em um “caso” que já contei aqui, estoque ser stock. Mas eles pronunciam sitoque.

Os lusos têm expressões muito curiosas, não somente em publicidade, mas em todas as áreas. Chegam a ser engraçadas. E por falar em engraçado, lá, alguém pode de repente falar que sua roupa está engraçada. Não, por favor, não se ofenda. Porque roupa engraçada por aquelas bandas não significa que você esteja vestido de palhaço. Mas, simplesmente ela tem graça... É que nem frescura. Frescura é aquilo que nós chamamos de frescor. “Hoje está tão gostoso, está uma frescura deliciosa!”. Há de dizer um lusitano, macho por sinal, a sorrir em sua direção. Não o confunda!

Registro é registo. Equipe é equipa. Goleiro é guarda-redes, soutien é porta-seios e cardápio é Ementa. Se você pedir um Menu, ou a Carta ao garçon, que lá é respeitosamente chamado de Senhor, o gajo vai ficar a olhar pra você com um ar estupefato. E parada de ônibus que é paragem? Fumante é fumador. Nunca peça por um durex, a não ser numa farmácia, porque é um preservativo. O nosso durex lá é fita-cola. E Isopor que é esferovite? Isso sem contar as mais conhecidas por aqui como a bicha que é simplesmente uma fila. “Peguei uma bicha hoje!”, dizem comumente... Cu não é chulo por lá. Se estiver com o traseiro encostado em algum balcão de loja, a distinta vendedora pode virar-se para você e dizer com a cara mais lavada do mundo: “Ó pá, desencosta o cu daí, se faz favor!”

Um dia, ia a uma reunião com meu patrão português, ele virou-se para mim e disse: “Caraças, hoje vamos nos reunir com o sutor engenheiro Motta, lá na Motta e Companhia.” Que diabos vinha a ser sutor? Não sabia, e, por outro lado não lhe perguntei. Antes de mais nada porque ele o disse com tanta espontaneidade e segurança que até fiquei sem jeito de questionar. Bom, é o sutor... é daí? Um sutor é um sutor e tá acabado...

Fomos, fizemos a reunião, correu tudo bem. Sutor pra lá, sutor pra cá. E eu sem saber. Tive vergonha de perguntar, e, juro fiquei dias sem sabê-lo. Uma noite, em casa, conversando com meu filho ele disse que a sutora diretora tinha falado alguma coisa no colégio. Imediatamente indaguei: “Mas afinal de contas, o quê é sutora? Tem algo a ver com sutor?” Aí caiu a ficha. Sutor, era nada mais nada menos do que Senhor Doutor. Fácil, não?

quinta-feira, setembro 06, 2007

A vez e a voz das mulheres

Conheci Mariflor Rocha na VS. Excelente profissional*, amiga e companheira de copo, algumas vezes fomos – principalmente com o Gil e o saudoso Bob Charles** – entornar muitos chopes na “Adega da Velha”, na rua Paulo Barreto. E sorvemos bons goles enquanto jogávamos conversa fora, relembrávamos as peripécias do dia e falávamos da vida alheia.

Este blog, que além de mim tem seis colaboradores, abre os braços para a Mariflor, nossa primeira colaboradora, que mandou o “caso” que estou postando abaixo. É a hora e a vez das mulheres, trazendo o toque que faltava. Benvinda Mari...

(*) Desculpe se há algum erro na escrita, Mariflor. Afinal, você é uma excelente revisora...

(*) Gilberto, nosso produtor gráfico (dublê de tráfego) e Roberto Carlos, um dos melhores diretores de arte que conheci, que infelizmente o computador jogou pra escanteio, e que outro dia ainda soube que havia falecido. Coisas da vida!

O “caso” da soneca produtiva

O primeiro caso (espero que de muitos) de Mariflor Rocha a primeira colaboradora deste blog.

Como revisora, me lembro de poucas vezes em que participei de reuniões com o pessoal da criação. Estava sempre com a turma na pizza da madrugada, nunca na hora do começo do trabalho.

Porém, a VS fervilhava, e um novo projeto, muito grande, envolvendo pesquisa, tinha sido encomendado. Lula resolveu reunir todo mundo, produtor gráfico, dupla, atendimento, e, pasmem, a revisora para desenvolver um plano de trabalho.

Já haviam me contado que nas reuniões de vez em quando ele dava umas cochiladas... (Isso também foi antes da cirurgia de redução do estômago.) Mas eu não estava preparada para o que vi.

A reunião rolando, muitas discussões sobre quem faria o que, o Lula dando palpites o tempo todo. De repente, olho pra cabeceira da mesa e ele está dormindo! Roncando e tudo! Pensei que a vaca tinha ido pro brejo, quando, tão de repente como tinha dormido, ele acorda e continua participando da reunião.

Detalhe: ele cochilou alguns minutos e retomou a reunião exatamente no ponto em que estava. Ou seja, parecia que ele tinha participado de tudo! Sempre gostei muito dele, mas, depois dessa, virei fã. O cara criava até dormindo!

P.S. Como as outras pessoas já estavam habituadas com esse costume do Lula, nem reagiram à "soneca"...

terça-feira, setembro 04, 2007

O “caso” da frase papada

Luiz Alberto Alves, além de ter sido uma figura de evidência no mundo do jornalismo esportivo, era, antes de mais nada o tio Luiz, pois era irmão da minha mãe. Começou a sua carreira no jornal “A Tarde” em Salvador. Veio para o Rio de Janeiro trabalhar na Rádio Mayrink e Veiga. Aqui, foi cronista no “Diário de Notícias” e, posteriormente fez parte do trio esportivo da Rádio Nacional, tendo como parceiros Antônio Cordeiro e Jorge Cury, no programa “No Mundo da Bola”. Uma turma que acompanhou entre outras coisas a vitoriosa campanha da seleção brasileira de Garrincha e Pelé em campos da Suécia.

Tio Luiz foi o grande responsável por transformar toda a turma lá de casa em cinco ardorosos torcedores do Fluminense. Meus pais, flamenguistas, nunca se conformaram com isso. Tinha uma casa deliciosa em Miguel Pereira. Durante muitos anos eu ia com a família passar feriados lá. Era divertido. Enquanto as mulheres conversavam e as crianças brincavam, degustávamos pingas da melhor qualidade e amarrávamos porres memoráveis. Num deles, fomos parar, não me lembro como, numa deliciosa “birosca” à beira-riacho (também não sei que riacho), saboreando peixinhos à doré e vertendo muitas cervejas. Tudo porque, em determinado momento, ele lembrou-se de um bar que servia jacaré, coisa que me deixou alucinado por experimentar, mas não encontramos. Luiz Alberto, além de tio, era uma agradável companhia.

Foi professor de comunicação na Gama Filho, onde também era o coordenador da cadeira de Jornalismo. Neste período foi chamado para organizar o mesmo curso na Universidade de Lisboa. Com ele, em 1969, fiz uma revista sobre a Copa do Mundo de 1970. Foi uma loucura, e o primeiro trabalho que eu criei, produzi e finalizei todo sozinho. Isso, numa época de títulos em Letraset, composições em linotipo, pastup e cola de borracha.

Luiz Alberto também gostava de criação publicitária. E levava jeito pra coisa, embora, até onde eu saiba, nunca tenha trabalhado em alguma agência, muito embora tenha feito frelances para algumas. Por ocasião da Copa do México de 1986, criou uma frase que ficou famosa: “Mexicoração”. Na época, trabalhava no Sistema Globo de Rádio, onde era produtor de programas e pesquisas*, e não teve o cuidado de registrar a sua autoria. Virou música temática da Copa na TV Globo, e diversas empresas usaram a frase em camisetas e outros materiais promocionais. Foi o maior “perrengue”. Correu atrás, tentando receber direitos autorais, mas, apesar de ainda ter conseguido o registro, este foi tardio, e a maioria dos processos não resultaram em nada. A Globo até lhe pagou alguma coisa, porque afinal ele trabalhava numa das empresas do grupo, e ia pegar mal...

Daí, veio a Copa da Itália em 1990. Luiz Alberto contou-me a frase que havia criado, mas já com a documentação em mãos. Devidamente registrada, tudo conforme os conformes. “Papa essa Brasil”, que também virou jingle na Rede Globo e foi amplamente usada em camisetas, faixas e bandeirolas por lojas e outros comerciantes. Desta feita, com tudo pago direitinho, tendo-lhe gerado uma boa fonte de renda.

Paparam “Mexicoração”, mas a do papa, ninguém conseguiu papar.

(*) Luiz Alberto trabalhou no Sistema Globo de Rádio até pouco tempo antes do seu falecimento, em 1992.