quinta-feira, setembro 20, 2007

O "caso" do fax que não funcionava

Por Mariflor Rocha, a nossa parceira. Com todo o respeito...

Ser estagiário é realmente difícil. O universitário cai de pára-quedas no meio de um monte de cobra criada, se der sorte, sem saber do que se trata o trabalho, achando que o que ouviu na faculdade é o que funciona e querendo agradar todo mundo pra conseguir o sonhado emprego.

Ainda lembro, da época de jornal, da cara espantada dos estagiários diante da gargalhada do chefe dos gráficos quando ele dizia que alguém na redação tinha mandado que buscasse a calandra. Ou do riso à socapa do chefe do almoxarifado ao responder que o guache xadrez estava em falta...

Bom, esse se passou na Contemporânea há pouco tempo.

A menina acabara de começar o estágio na agência. Aquele velho esquema. Rodar todos os departamentos, para conhecer o trabalho e descobrir afinal o que queria fazer em publicidade.

O primeiro foi o de Operações. O velho tráfego da C.

A guria animada, cheia de boa vontade, mais perdida que cego em tiroteio. Todo mundo com a maior paciência, tentando explicar, na medida do possível, o inexplicável: como funciona a agência.

Beth Paixão, veterana, que com certeza alguns conhecem o jeito despachado e, diria até, informal demais com que trata todos vira para a Carla (vamos chamar assim) e pede: “Paixão, passa esse fax pro fornecedor pra mim?”

Dito isso, retorna ao telefone e computador e esquece.

Passado algum tempo, Beth se lembrou e estranhou não ter recebido a folha de volta.Olha em torno e vê a Carla parada em frente à impressora com um ar sofrido, pensativa e a folha na mão.

“Paixão, passou o fax?”

Carla começa quase a chorar e gaguejando responde: “Beth, eu estou tentando... Mas onde é que a gente enfia o papel aqui?”

6 comentários:

Anônimo disse...

Estagiário, fica a campear trabalho e não consegue um retorno. É a vida. Não só nesta área de publicidade, mas em todas as outras, os guris sofrem.

Jonga Olivieri disse...

É, gaúcha, vida de estagiário não é mole não! Eu sei porque emv=bora tenha sido há muito tempo atrás, ainda me lembro até hoje das brincadeiras e gozações pelas quais passei. E, das quais, hoje em dia me rio às pamaparras.

Jonga Olivieri disse...

Mari. Curiosamente fui estagiário no 'Jornal da Bahia' em fins de 1966 ou início de 67*. Sei lá, é tanto tempo que me embaralha um pouco a exatidão. E me lembro que alguém da redação pediu que eu descesse à oficina (era uma escada caracol) e pedisse a calandra. Acho que dessa ninguém escapa.
Agora em agência tinha também a famosa licha de amolar pincel. Claro, no tempo em que se usava pincel. hehehe

(*) Foi a única tentativa que fiz fora de publicidade em toda a minha vida. Meu sonho era ser jornalista. Estava na Bahia, com os milicos me procurando no Rio e me meti na empreitada de ser ‘foca’ no Jornal da Bahia. E o pior, me mandaram para a cobertura policial. Lá ia eu todo dia para a delegacia de polícia, na Piedade, em Salvador. Olha, em menos de uma semana, deixei o sonho de lado, porque me sentia na toca do lobo...

jr disse...

Agência. Sempre massacrando estagiários. E clientes.

Anônimo disse...

Não consegui entender a piada. O que aconteceu com a garota? não sabia mandar um fax ou tentou mandar pelo aparelho errado?
Otávio

Mariflor disse...

A garota tinha a vaga idéia do que era mandar um fax só não conseguia ligar o nome à pessoa. Ou seja, não conhecia o aparelho.