terça-feira, outubro 02, 2007

O “caso” do ‘obrigado, igualmente’

Conheci o Paulo Antônio Magoulas nos bons tempos de L&M. Profissional de atendimento, atendia entre outras contas, a da Pantene (shampoos e outros produtos para o cabelo). O que lhe valeu a alcunha de Pantônio. Aquela turma não perdoava mesmo.

O Magoulas saiu um dia para almoçar com o Giancarlo Marchesini* e entornaram o caldo. O Gian era assim, bebia pra cacete. E chegaram na agência um pouco em cima da hora para uma reunião marcada com importante cliente. Reunião essa em que iriam com o Mozart dos Santos Mello, o “M” de L&M. Mozart já estava subindo pelas paredes quando avistou os dois a adentrar o corredor, sorridentes, soltinhos. Claro que nitidamente “alegres”. Imediatamente os chamou no canto. Mas um canto em que todas as pessoas que passavam podiam ouvir o que se falava. E no seu “discreto” tom de voz, Mozart começou a tecer uma ladainha de impropérios. Os dois escutando, e lá pras tantas o Magoulas pede a palavra e com a voz tropejante diz:

– Mozart, eu estou cônsxciooo daxxs miiinhaxs responsaaabilidadexs... cônsxciooo daxxs miiinhaxs responsaaabilidadexs...hiiic... cônsxciooo daxxs miiinhaxs...

Essencialmente, o Magoulas sempre foi um sujeito muito educado, chegando a ser formal no trato diário. Certa feita, logo depois do natal, eu o encontrei na fila do elevador no prédio em que ficava a referida (e saudosa) agência. Falta de assunto específico larguei a típica pergunta feita após a festa:

– E aí, Magoulas, como foi de natal?

Ele virou-se para trás, uma cara de ressaca e automaticamente respondeu:

– Obrigado... igualmente...

As pessoas na fila morreram de rir.

(*) O Giancarlo Marchesini faleceu já há alguns anos, segundo me contaram vítima de cirrose hepática, em outras palavras, de bebida mesmo. Mas, independente disso, foi um dos melhores contatos que conheci ao longo dos meus anos de praia. Às vezes, ele pegava o rough (inacabado) na prancheta, levava pro cliente e voltava com a idéia aprovada. A última vez que o vi, estava na Lintas, em São Paulo, fomos almoçar juntos. Comemos e bebemos pra dedéu numa cantina ali na Bela Cintra...

15 comentários:

jr disse...

Conheci o Magoulas. Ele é mesmo muito formal e uma pessoa extremamente educada. Grande figura.

Jonga Olivieri disse...

Magoulas é um personagem conhecido até hoje.
Um profissional que circulou muito por este mercado.
Quando cliente me passou vários frilas na CIS (Companhia Internacional de Seguros).
Hoje, não sei onde está. Tem tempo que não o vejo, mas sei que é Presidente do 'Clube da Cachaça', aquele lá do Leblon. hehehe...

Anônimo disse...

Tem muita gente formal desse jeito. Eu mesmo tinha um colega que todo dia cumprimentava um a um no departamento apertando a mão. Era engraçado demais.
Otávio

Jonga Olivieri disse...

Em Portugal isso era comum.
As pessoas tinham que se cumprimentar toda as manhãs apertando as mãos.
O próprio Magoulas, contam, apertava a mão dos comissários e comissárias de bordo dos aviões quando desembarcava de um vôo da Ponte Aérea.

maria bonita disse...

Muito engraçado este caso.
Só fiquei sentida pelo triste fim do Gian Marquesini. Parecia ser um profissional eficiente. Mas, a bebida é assim mesmo. Quem abusa!
O que mais gostei foi o final em que a resposta foi mesmo automática, sem pensar. Coisa de que está com ressaca.

Jonga Olivieri disse...

Isso, menina. O Giancarlo foi um sujeito que deixou saudades aos mamigos. Uma grande figura... um grande profissional.

Jonga Olivieri disse...

ESCLARECIMENTO:

A pedido de Cassiano Mendes, que dasativou o seu blog "Petiscos so molho madeira", comunico aos meus leitores que o seu link foi retirado da listagem, na barra direita deste blog.

Sumire disse...

Ô, Oliva, tô de volta... Só pra constar...

Jonga Olivieri disse...

Grande Su. Sumire, minha gheisha do ABC... hehehe. Olhem bem, leitores: Blog da Sumire, minha amiga Su, nos links ao lado na barra à direita deste blog.

NÃO PERCAM !!!

Luis disse...

Na Lintas/Rio, o Milton fez uma ilustração do Marchesini fazendo pose de Mona Lisa, com destaque para a cicatriz que ele ganhou, depois de uma porrada de carro. Gian...Conda, para ser preciso. Todo dia ele entrava na criação e rasgava o desenho. Até que o Miltão resolveu a parada: colou o desenho no teto da sala. Gian Conda, enfim deixou pra lá a encarnação.

Luis disse...

Outra: lá por 78, Gian Conda dividia um apê com o Pedro, contato que tinha vindo da McCann, expulso, diga-se de passagem, depois de dar um trambique em vários funcionários de lá. Um dia, Gian deixou a parte dele do aluguel sobre a mesa, em casa. Pedro pegou a grana e desapareceu do mapa. Gian só descobriu quando, dias depois, o dono do apê apareceu na Lintas para cobrar. Gian teria segurado a onda, mas, no mesmo dia, Pedro havia saído de casa com uma camisa que o Gia tinha passado, completamente de porre, para poder fazer bonito numa reunião que teria pela manhã. Não deu outra: botou o Pedro pra descer a Macedo Sobrinho e foi atrás xingando "Vem cá, seu ladrãozinho de aluguel de merda...vem cá seu ladrãozinho de camisa social de merda...".

Jonga Olivieri disse...

Oi Luis (?). Esta sua segunda narrativa é um "caso", uma verdadeira historinha digna de, com mais detalhes, ser publicada.
Mas, capaz de você ter mais.
Pra quem conheceu o Giancarlo (grande e inesquecível figura humana) entende muito bem o fato de ele passar a camisa de porre.
Se quiser, manda um 'caso' pro blog. Eu publico e digo a origem. Sempre. Além disso você entra na lista dos parceiros da publicação.
Não se esqueça de enviar o seu e-mail em um comentário.
Eu prometo que não divulgo.

L. Di Paola disse...

Grande Jonga, o tal sujeito que era da McCann e dividia o apê com o Gian, era o Pedro Sanchez. Outra figura, só que não tão boa quanto aqueles que jamais esquecemos o nome. Este sujeito havia sido "banido" de lá, depois que arrecadou uma grana do pessoal do estúdio e 'inventou' uma viagem a trabalho para Manaus, onde - naquela época - a Zona Franca era a única alternativa para se comprar muambas. Enfim, o Pedro pegou a grana, levantou vôo com uma namorada - pra quem ele devia contar um monte de vantagens - e torrou a grana da turma.
Quando voltou, o pessoal perguntava pelas encomendas, que nunca chegavam. Pedro dizia que tinham sido despachadas em outro vôo, mas que logo chegariam. Aquele papo de trambiqueiro, manjadíssimo. Até que o ilustrador exclusivo da GoodYear, um sujeito enorme e forte pra cacete - de quem esqueci o nome, mas era gente boníssima -, pegou o Pedro pelo colarinho e deu o ultimato: "Ô cara, se essas porras nãop chegarem logo, vou pegar você e jogar pelas escadas, estourar seus dentes e despachar o que sobrar pra Manaus, entendeu?".
Não deu uma semana, o Pedro foi defenestrado da agência. E acabou indo parar na Lintas, lá por 77/78.
Tem mais. Vou mandar separado.

L. Di Paola disse...

Antes do resto, deixa eu me apresentar, pra vc tirar aquela interrogação ao lado meu nome: sou o Guto. O véio Guto, que você deve conhecer a uns trintinha, e que também sumiu do mapa e da publicidade carioca. Poucos sabem meu nome de verdade, né? Depois que um tal de Serginho começou a ficar conhecido como 'de Paula', e um monte de gente me enchia o saco querendo saber se ele era meu irmão, meu primo, meu filho, larguei o Guto pra lá e passei a usar meu nome de verdade. Mas continuo sendo um Di Paola, autenticamente siciliano, ao contrário do rapaz, que só sabe que passou a infância em Copacabana.
Mas vamos ao que interessa.
Pedro Sanchez, já no atendimento da Lintas, aprontou outra, no mesmo velho estilo: pegou grana com o pessoal do estúdio - cinco daqui, dez dali, mais cinquinho pra pagar dia 15... - e foi acumulando dívidas. Até que resolveram pedir a ajuda ao Diretor de Criação, nosso saudoso Fernando Arturo Gerardò, que prometeu dar um jeito.
Belo dia, o Pedro entrou na Criação com um Bulova que havia comprado do Paletó, muambeiro que rodava pelas agências oferecendo um pouco de tudo.
Quando mostrou o relógio, o argentino foi direto: “-É falso, menino!”
"-Falso, o cacete!", disparou Pedro.
"-Tira aí que eu vou te mostrar que é falso, menino..".
Sem desconfiar, Pedro passou o relógio pro Gerardò, que deu o veredito: “-Olha, não é falso não... mas vou ficar com ele até você pagar o que deve pro meu pessoal do estúdio. E vou te dizer uma coisa: nem tenta deixar de pagar ao Paletó, menino. O último sujeito que fez isso deixou uma viúva que foi obrigada a saldar a dívida com ele. Parece que o Paletó não gosta muito de trambiqueiro, nem quando deixa viúva gostosa”.
Um mês depois, a dívida com o pessoal estava paga e o Gerardò devolveu o Bulova: “-Toma, menino. É falso, mas se eu fosse você não reclamava nada com o Paletó. Se ele não alivia nem viúva gostosa, imagina o que ele deve fazer com quem disser que ele vende mercadoria falsificada...”.
O Sanchez não só pagou tudo como não dava um pio quando o Paletó – sabendo da história toda – perguntava pra ele, lá na agência: “-E o Bulova, tá funcionando direitinho?”
“-Puta relógio, cara! Puta relógio!

Jonga Olivieri disse...

Grande Guto!!!
Adorei seus comentários. Aliás, são "casos".
Se tiver interesse, mande um para que eu o publique. E também, claro, o seu nome como queira que apareça, porque caso queira colaborar, o incluirei na lista de parceiros.
Este blog se propõe a ser de todos os publicitários que queiram publicar algum caso.
Mande um comentário com seu e-mail que eu não o publicarei aqui. Isto porque não dá para responder aos comentários.