quarta-feira, novembro 21, 2007

O “caso” do Sandoval

Lindoval de Oliveira era um dos sócios da L&M. O “éle” da sociedade. O “eme” era de Mozart dos Santos Mello. Ambos ex-macanianos, fundaram a agência fazendo uma brincadeira com a marca de cigarros, à época importado, pois não era fabricado no Brasil. Nós, às vezes, de brincadeira o chamávamos de Lindoveira de Olival. Claro que sem ele saber.

Lindoval, uma figura curiosa, educada, bem humorada, e, entre outras coisas, membro da diretoria da Portela. Uma ocasião, a seu pedido, criei uma logomarca para o tema de um desfile do G.R.E.S. Portela. E a marca foi para a Avenida, desfilar no abre-alas. Eu vi na TV e fiquei feliz pelo fato. Antes disso, fui convidado a visitar a quadra da escola de samba e me ofereceram um camarote. Também, por mais de uma vez, Lindoval proporcionou à criação festas na sua casa, em que íamos com as esposas ou namoradas. Sempre regadas a um excelente uísque, e com uma pista de dança desmontável que ele armava na sua sala. E era excelente.

Mas, certa ocasião, Lindoval foi fazer uma apresentação de campanha a um novo cliente. Todo o aparato da época, quando no máximo o que existia eram retroprojetores ou charts feitos a mão. E um dos diretores começou a dirigir-se a ele como Sandoval. E, toma Sandoval pra cá, Sandoval pra lá. E pronto, virou Sandoval.

Lindoval ficou caladinho, apresentou a campanha, e no final virou-se para o camarada e disparou um Sílvio*, quando o nome do sujeito era Mílvio. E aí foi à forra. Sílvio pra cá, Sílvio pra lá... Até que o cliente o interpelou e disse: “O meu nome não é Sílvio, é Mílvio!”. Lindoval sorriu para ele e respondeu educadamente: “O meu, também não é Sandoval. É Lindoval!”. Quites, os dois se tornaram grandes amigos.

(*) Não me lembro do nome do cliente, portanto, Sívio e Mílvio são fictícios e apenas ilustrativos.

9 comentários:

jr disse...

Este caso do Lindoval ficou mesmo conhecido. Eu já ouvira falar dele.
Aliás conheci o Lindoval e ele era ótima figura. Onde anda?

Jonga Olivieri disse...

Este caso foi muito contado em certa época. Eu mesmo o ouvi e não o presenciei. Faz parte do folc;ore da figura ou da publicidade carioca.
Quanto ao Lindoveira, a última vez que soube dele, tem alguns anos, cuidava da revista do Rotary Clube do RJ, clube do qual é sócio.
Está aposentado... fazia isto para ocupar as horas vagas.

maria bonita disse...

Apesar de não conhecer, achei o caso muito engraçado. Valeu!

Redatozim disse...

Boa presença de espírito.

luiz Favilla disse...

Prezzzzaaado.
Esse era o vocativo sempre utilizado pelo Lindoval. Grande figura, um vendedor de primeira.
Quando ainda era estudando fui pedir um estágio pra ele. Me arrasou com um discurso contra as universidades de comunicação. E arrematou: - a não ser que você seja um Einstein!
Imediatamente coloquei a lingua pra fora. Ele riu muito. E conquistei um estágio de dois meses. Dois anos depois, retornei à L&M como profissional contratado pelo Mauro Matos. Mas essa é outra história.

Jonga Olivieri disse...

Grande Lindoval. Figuraça.
Quanto ao resto da sua história, Favilla, eu conheço bem, pois fui parte dela.

Jonga Olivieri disse...

É isso aí. Mary Beauty, a L&M era mestre em casos engraçados.

Jonga Olivieri disse...

Sem dúvida, redatozim, O Lindoveira de Olival era muito espirituoso.

Guto disse...

Grande Lindoval! Anos depois, montou outra agência, a Oliveira, Murgel...que a turma, de gozação, apelidou de 'Oliveira, Murgel Secos & Molhados'.