segunda-feira, dezembro 29, 2008

Epílogo

O nosso parceiro Fábio Veiled Buddy enviou uma carta que não posso deixar de publicar neste blogue, por explicar motivos que o levam a deixar de escrever os “casos escabrosos de Narciso Porpeta”.

Caro João Carlos (Jonga) Olivieri
Em vista de alguns acontecimentos em que pessoas praticamente identificaram a identidade de Narciso, achei por bem sustar a publicação dos Casos Escabrosos.
É natural que assim o seja, porque afinal de contas a figura ignóbil e asquerosa é facilmente localizada pois suas atitudes são facilmente identificáveis e poucos prejudicaram tanto a outros como ele.
Portanto, até segunda ordem, vou ficando por aqui. Quem sabe no futuro eu me anime a continuar.
Um forte abraço do
Fábio Buddy

quarta-feira, dezembro 24, 2008

Espírito de Natal

O Ney Azambuja era um dupla curioso. Com ele faturei (ou melhor, faturamos) muitos prêmios. E com ele me diverti às pamparras. O Ney estava sempre a aprontar. E sua principal vítima era o Victor Kirowsky. Já até contei aqui que ele entupia os cachimbos do dito cujo com cola de borracha, e estava sempre a elaborar a próxima pegadinha para pegar o gringo.

Mas o Ney, quando chegava o fim do mês de novembro, virava pra mim e dizia com um ar sonolento: “Cara, baixou o espírito de Natal”. E daí em diante era um verdadeiro deusnosacuda. Os jobs se acumulavam na mesa. Os contatos ficavam doidos. “Cadê o Ney?”... “O prazo está estourado!”. E por aí adiante. Mas no final, entre mortos e feridos conseguíamos entregar tudo. A duras penas, claro!

Bom, é isso aí. Um bom Natal para todos. E não se esqueçam: o espírito natalino é muito importante. Aproveitem!

sábado, dezembro 20, 2008

O escritor e o capitalista

Conheci Antônio Torres na Salles em 1981, quando ele foi trabalhar naquela agência fazendo uma parceria com o inesquecível diretor de arte Joaquim Pêcego. Bem humorado, logo me apelidou de “capitalista” ao saber que, baiano como ele – que é de Junco (1) – eu era nascido na capital, Salvador. Isso virou uma marca registrada, pois toda vez que lhe telefono vou logo dizendo: “aqui é o seu capitalista”, palavras que me identificam de imediato.

Outra coisa que me surpreendeu foi um de seus primeiros comentários, em que afirmava que a melhor coisa que lhe aconteceu havia sido deixar de ser diretor de criação na Denison para ser redator naquela agência. Afinal, um redator é responsável pelos seus textos e pronto! Ademais, já escritor à época, precisava ter mais tempo para escrever seus livros, nem que na calada da noite.

Nosso convívio na Salles foi excelente. Mas, nossa grande aproximação deu-se anos depois, após a minha volta de Portugal. Torres trabalhava na Publinews, que ficava na rua Dona Mariana, e eu na VS, a poucos passos, na Guilhermina Guinle. Ambos fazendo regime, todas as semanas almoçávamos no restaurante Natural da 19 de Fevereiro. Foi um período agradável, repleto de papos longos e riquíssimos. Entre outras coisas, Antônio Torres também havia trabalhado em terras lusas,e, mais coincidentemente, na cidade do Porto.

Naquela ocasião, também acompanhei todo o desenvolvimento de “O cachorro e o lobo” (2), o livro que ele escrevia no momento. Era emocionante ir almoçar com o escritor e amigo e ouvir dele o passo-a-passo e as peripécias na feitura de um livro. Algo que me deixava fascinado, principalmente porque a simplicidade é uma de suas marcas registradas. Torres sempre contava tudo com muita naturalidade e entusiasmo, emoção e propriedade. Antes mesmo de conhece-lo, já havia lido “Carta ao Bispo”, “Adeus, velho” e “Um táxi para Viena d’Áustria”. Mas depois li mais alguns de seus livros, como “Um cão uivando para a lua”, “Essa terra” e “Balada da infância perdida”.

Durante muitos anos Torres escreveu uma coluna no caderno de livros e cultura do Jornal do Brasil, da qual, aliás, eu era seu leitor assíduo. Deixou a propaganda alguns anos depois para se dedicar apenas à literatura e palestras que realiza em todos os cantos sobre o ofício de escrever. Foi agraciado como “Chevalier des Arts et des Lettres”, pelo governo francês. E também fez parte de vários grupos de escritores e intelectuais em acontecimentos literários no exterior. Recentemente, foi indicado e concorreu a uma cadeira na Academia Brasileira de Letras.

Após sua saída da publicidade continuamos a nos encontrar quase que todas as semanas, para caminhar no calçadão de Copacabana. O habitual era andarmos até Ipanema e tomarmos um café no bar da livraria Letras & Expressões daquele bairro. Aliás, o seu nome batiza o bar da mesma livraria no Leblon. Ele merece...

(1) Junco, atualmente Sátiro Dias, é uma cidade de 20.000 habitantes próxima a Alagoinhas.

(2) Os outros livros de Antônio Torres são: Um cão uivando para a lua – 1972, Os homens dos pés redondos – 1973, Essa terra – 1976, Carta ao bispo – 1979, Adeus, velho – 1981, Balada da infância perdida – 1986, Um táxi para Viena d’Áustria – 1991, O centro das nossas desatenções – 1996, O cachorro e o lobo – 1997, O circo no Brasil – 1998, Meninos, eu conto – 1999, Meu querido canibal – 2000, O Nobre Sequestrador - 2003, Pelo Fundo da Agulha – 2006, Menu, o gato azul - 2007 (história para crianças), Sobre pessoas - 2007 (crônicas, perfis e memórias). Tem suas obras publicados na Argentina, em Cuba, e mais França, Alemanha, Itália, Inglaterra, Estados Unidos, Israel, Holanda, Espanha e Portugal.

terça-feira, dezembro 16, 2008

Minhas pinturas

Nos links aí ao lado tem mais um: “Pinturas/desenhos/Jonga”.

Se você quiser conhecer um pouco dos meus trabalhos neste segmento, entre no blogue.

Caso prefira é só clicar em http://pinturas-jonga.blogspot.com/

quarta-feira, dezembro 10, 2008

O “caso” do xingamento

Até certo ponto era um dia mais ou menos normal, naquilo que era uma agência sempre sujeita a chuvas e trovoadas (1). Mas o pior: chuvas e trovoadas que não têm nada a ver com o mundo da publicidade tal e qual o conhecemos, mas as tempestades provocadas por um dos mais patéticos empresários que se aventuraram no mundo da propaganda sem ter nada a ver com ela. É mais ou menos como esses donos de consultório dentário que nunca foram dentistas. Capito? Um sujeitinho prepotente e se achando o dono da verdade. A figura mais ridícula que conheci no meio, em meio aos meus mais de quarenta anos de janela.

Mas o pior é que o cara gostava de chegar ‘endoidecido’ pela manhã criando alguma quizumba com alguém. E o mais pior ainda, com alguém da minha área: criação ou estúdio. Sim, porque, pelo fato de ser o diretor de criação naquela agência, eu não somente era o responsável pela equipe, como assumia isto. O problema é que sendo diretor de criação não se tem como deixar passar alguma coisa batida. Ou fazer vista grossa e fingir que não viu... simplesmente você está no meio do fogo e ponto final.

Estava eu, envolto em minhas preocupações com prazos e outros detalhezinhos, quando toca o telefone e é, nada mais nada menos do que ele me chamando na sala dele com a voz meio que embargada. Quando a voz tinha este tom, eu já previa que vinha chumbo grosso. Ou seja, era algum caso criado, algum problema cultivado pela ‘figurinha’ rara. Bom, transpus a minha porta e encaminhei-me para o seu gabinete. Lá chegando, senti pelo olhar tresloucado que era realmente algo muito grave. A julgar pelas últimas investidas que culminaram nas mais novas atualizações da Inquisição, estava ali começando mais um capítulo.

- O Fabrício mandou a Cristina tomar no cu! Vomitou de uma só golfada no meu ouvido.

Fiquei a olhar para a figura sem entender muito o que se passara e perguntei:

- Quando? Como? Meio que estupefato, atordoado...

Resumo da ópera: havia tido um xingamento na noite anterior. No calor da noite, numa dessas viradas loucas de agência. Sim, porque aquilo, apesar dele querer negar todo o tempo, era uma agência de propaganda. E daquelas em que sempre o atendimento tem a razão. Tentei argumentar que tem vezes que a gente fala uma coisa da boca pra fora. Mas não, para ele só havia uma alternativa: o Fabrício tinha que pedir desculpas formais à garota.

Fui até minha sala e esperei o menino voltar. “Logo meu melhor finalista”, pensei amargamente, prevendo um triste fim para aquilo tudo. E não deu outra. Falei com o Fabrício que se negou terminantemente a tomar tal iniciativa. “Caramba, Olivieri – disse ele –, eu juro que não tinha a intenção de xingar com o fundo de minha alma... foi só um vá tomar banho com palavras mais duras”. Só sei que neste vai-e-vem, ele acabou sendo despedido no final daquele mesmo dia.

Mas o antecedente já estava aberto. “Já sei como vou sair desta agência”, deduzi naquele instante. E dito e feito. Em torno de um ano depois, mandei alto e bom som um contatinho de merda “tomar no cu”. A agência toda escutou. E eu, antes mesmo que me chamassem, entrei na sala do diretor de Pessoal e entreguei uma carta de demissão que já estava pronta, somente sem a data, que coloquei ali e à mão naquele instante. Xinguei e me mandei. Em caráter irrevogável!

(1) O “caso” do Frila http://jongaoliva.blogspot.com/2007/04/o-caso-do-frila.html é um outro caso passado nesta mesma agência e publicado em 24 de abril de 2007.

terça-feira, dezembro 02, 2008

Noitadas na Lapa

Houve uma época em que gravar VT era sinônimo de virada. Falando sério, era um ‘pegapacapá’, uma disputa de horários e uma falta de disponibilidade dos mesmos. Para quem vive no mercado de hoje é até difícil de entender o porquê disso tudo, mas uma explicaçãozinha não faz mal a ninguém. Naquele tempo (1), a gente fazia este trabalho dentro das emissoras. Simples: somente elas possuiam o equipamento adequado. Produtoras até o tinham, mas eram deficientes.

Na época, também a gente fazia muito filme. As boas produções eram em película. Vídeos começaram como quebra-galho, coisa tocada, varejo de ofertas, lançamentos imobiliários de segundo tope pra baixo, etc, etc. Havia mesmo um puta dum preconceito com VT’s. E pra agravar a situação, as emissoras disponibilizavam seus equipamentos altas horas, ou seja, depois que acabavam todos os seus compromissos com a sua programação, entravam os publicitários. E geralmente isso começava lá pelas duas da matina. Sessão coruja, não é mesmo?

Fiz muitas gravações na TV Globo, na Pacheco Leão, Jardim Botânico. Mas depois veio o tempo da TVE (TV Educativa) ali na avenida Gomes Freire, coração da Lapa. Mas era uma fila danada... gente pra dedéu! O comum mesmo era sair dali quando o sol dava ensaiadas em seus primeiros raios matinais. E o pior é que a Lapa de então era o bas-fond, o submundo. Se fosse hoje, ainda dava pra dar uma circulada, mas então... o melhor era ficar intramuros, livre de certas figurinhas notórias da noite.

(1) Refiro-me às décadas de 1970 e 80.

sexta-feira, novembro 28, 2008

Zuindo de genial

Conheci poucos profissionais como o Jackson Drummond Zuim. Tenho alguns casos contados neste blogue sobre este criativíssimo redator mineiro. Como por exemplo: “O ‘caso’ do Barão”, postado em agosto de 2006 ou “O ‘caso’ do clube etílico”, este em março de 2007. Mas, para além desses e de um ou outro que eu tenha esquecido de relacionar aqui, ele é citado em diversas historinhas aqui transcritas.

Com o Zuim, participei do Clube de Criação de Minas, e, apesar de levarmos nossos cargos muito a sério, nos divertimos às pamparras. Pelo menos bebemos muitas... ou “todas”, isso posso garantir. Aliás, quando me indicaram para ser presidente daquele clube, topei, mas com a condição da formação de um triunvirato em que os presidentes eram, além de mim, o Zuim e o Marcos Vinícius, um RTVC de Goiás, que logo voltou para sua terra natal, nos deixando em dueto.

Como não tínhamos sede própria, a diretoria se reunia invariavelmente nos bares da vida. Nossos companheiros mais freqüentes eram o Jener e o Orlandinho. Mas vez por outra apareciam outros, como o Tonico ‘Mercador’, o Pedro, o Wanderley ou o Luis Márcio. Olha, varávamos as noites, e, claro, as reuniões começavam muito bem, mas depois de uma certa hora era um pileque só.

A última vez que o encontrei nos cruzamos na Savassi. Foi em 2000, quando eu trabalhava em Beagá. Paramos e ficamos a conversar por mais de meia hora. Ele com aquele vozeirão (um tremendo dum baixo) e sempre chamando a gente de “barão”... Um amigo nosso o apelidou de “o açougueiro da propaganda”. Mas o mais engraçado é que o cara com o seu jeitão de “Fred Flintstone” é um poeta sensível, que se defende por trás de uma aparência rude. Tanto que montou uma agência de publicidade e a batizou de Sabiá.

Recentemente soube por amigos que o Zuim está adoentado. Por isso publico aqui esta homenagem a ele. E aproveito para finalizar este artigo transcrevendo abaixo um poeminha de sua autoria, que li no “Pastelzinho”, o blogue do Maurilo (link ao lado), outro redator mineiro que conheci em época mais recente... mas, apesar disso é uma sujeito decente. E talentoso.

Poeminha Abstêmio
Depois que parei de beber
Minha vida mudou
Do vinho para a água
Jackson Drummond Zuim

terça-feira, novembro 25, 2008

O “caso” do espelho inteiro

A Dedé era tráfego da Sinal. A Sinal foi a agência que o João Moacir de Medeiros e o Fernando Barbosa Lima montaram em conjunto para atender a conta do Banco Nacional, naquela época, o terceiro banco do país. Era uma agência pequena e funcionava nos fundos da Esquire Propaganda, um palacete bem ali na Marquês de Olinda, quase esquina de Bambina. Tempinho bão... a publicidade era outra e o mundo habitado por indivíduos, creio eu, um pouco melhores do que hoje.

Quando eu digo nos fundos da Esquire, quero reforçar que esses fundos eram uns fundos de responça. O gigantesco palacete da Marquês de Olinda tinha uma casa de dois andares que ficava bem ao fundo mesmo. Mas olha, era um caso muito sério. Deve ter sido a casa dos empregados, mas era algo bem maior do que muita casa que a gente vê por aí. Ademais, emendava com uma subida para a montanha, montanha esta que fazia limites com os terrenos da Universidade Santa Úrsula, do outro lado, na rua Pinheiro Machado. O Favilla e eu costumávamos criar campanhas ali, em meio à natureza exuberante e apreciando a Enseada de Botafogo. Sim, porque o terreno era muito alto e a vista era deslumbrante.

Ademais o ambiente era do cacete, pois se nós da Sinal éramos uma pequena equipe de nove profissionais, a Esquire, lá na frente, era uma agência que reunia uma das maiores equipes do Rio de Janeiro. É mole? Eram cerca de 100 homens, mulheres, e, claro, eternas crianças que habitam este mundo da publicidade. Quase todos os dias íamos almoçar no Olinda (hoje Manolo’s) e saboreávamos aqueles quitutes maravilhosos do mestre cuca espanhol. E quase todas as sextas-feiras íamos encher a cara no Clube do Samba, nos bons tempos em que era ali em cima da sede do Flamengo, no Morro da Viúva.

Mas eu comecei tudo isso aqui falando da Dedé. Bom, a Dedé para além de tráfego da Sinal era uma menina muito inteligente. E muito, mas muito engraçada. Eu me divertia com ela, porque tinha uma personalidade particular. A Dedé foi quem me apresentou a J. R. R. Tolkien. Mas isso em 1979. Gente, ninguém sabia o que era isso no Brasil. E a Dedé já conhecia o Hobbit. Eu o li enquanto trabalhava na Sinal e a única pessoa com quem podia trocar idéias sobre o livro (que me fascinou de cara) era ela, a Dedé.

Porém, para além disso a Dedé tinha outras curiosidades. Um dos casos mais curiosos que ela me contou foi o de que não tinha espelho inteiro no seu apartamento em Copacabana. Aí, ela tinha que fazer uma grande ginástica para se olhar no espelho quando ia a uma festa, por exemplo. E o quê que ela fazia? Bom, simplesmente a Dedé entrava no elevador do prédio, que obviamente tinha um espelhão, e ficava a se olhar. Só que quando o elevador parava ela disfarçava e fingia que estava apenas se deslocando. Figuraça essa Dedé...

segunda-feira, novembro 17, 2008

“Phrases”

Roberto Quintas é um diretor de arte mineiro. Seguramente um dos melhores que conheci. Quando fui ser diretor de criação da Asa em Beagá, ele trabalhava lá. Depois, fui para a Livre e ele já havia ido antes de mim. O reencontrei. Posteriormente trabalhei com ele em campanhas políticas.

Morador do bairro de Santa Teresa (em Belo Horizonte), na década de 80 era o “carnavalesco” da escola de samba local, sendo responsável pelas fantasias e decoração dos carros alegóricos. Figuraça!

Mas o Boca – como é popularmente conhecido – é o rei das tiradas e frases engraçadas. Quando por exemplo tem muito tempo que ele não o encontra ele larga aquela: “Cara... ocê tá mais sumido do que cabeça de bacalhau!”

Mas o Boca tem duas frases que eu considero “imortais”.

A primeira é:

“Se não me engano… eu não tenho certeza.
(pausa)
Mas eu acho… que não sei não.”

E a outra:

“Ih, não esquenta o cu em rola fina!”

São senhoras “phrases”.

segunda-feira, novembro 10, 2008

Um blogue demais!

“Encontrão de ex-Veessianos” (1). De fato é bom encontrar amigos e amigas de tantos anos de convívio. Além disso é também muito bom saber das novidades. Como, por exemplo, que a Nikita tem um blogue. E o melhor, após conferir, chegar à conclusão que o blogue dela é demais. Aliás, tão demais quanto ela...
Para comprovar, basta conferir. O nome da publicação é “Até quase perto” e o endereço é http://atequaseperto.blogspot.com/. Vale à pena. Em todo caso o link vai ficar aí ao lado e você poderá começar a lê-lo a qualquer momento.

(1) Vem a ser um meeting sazonal daqueles que trabalharam na VS. Ou V&S. Ou ainda VS Escala.

domingo, novembro 09, 2008

O “caso” Tarrim

Mais um “caso” de Delano D’Ávila

O Luciano foi a pessoa mais surpreendente que conheci no meio da propaganda.
Pela sua figura poderia ter um monte de profissões. Trocador de ônibus, feirante, balconista de botequim, jogador de futebol em Feira de Santana, dentre muitas, muitas outras.
Digo isso sem nenhum preconceito racial, apenas com o natural preconceito estético, coisa que a gente sabe muito bem, em qualquer lugar do mundo é assim. Os bonitos, os brancos, os cultos e os informados levam vantagem. Nestes dois últimos quesitos então, o cara era simplesmente péssimo. Falava errado, rapidissimo, meio que gaguejando e a gente quase não entendia nada.
Perguntado sobre como iam as coisas ele respondia sempre sorridente e simpático algo perto do indecifrável, que quando traduzido finalmente para o nosso idioma significava “tá ruim”. O som era apenas parte disso: Tarrim. E assim ficou o seu apelido.
Luciano era fotógrafo e laboratorista da Salles, dos mais competentes artistas técnicos com quem já convivi. Produzia imagens sofisticadíssimas a partir de solicitações subjetivas, misteriosas ou complexas dos diretores de arte da equipe (eu inclusive), e o danadinho invariavelmente encaçapava todas. Tarrim era o chamado aborto da natureza.

Uma outra figuraça da época, que por uma questão de delicadeza vou omitir o nome, era o oposto do nosso herói. Sempre de nariz empinado, elegantérrimo, prepotente, perfumado, cultíssimo e bem falante, esse senhor era desprovido de massa capilar em talvez 80 por cento da sua privilegiada cabecinha. Ele mesmo, tentando disfarçar a complexidade dos próprios sentimentos, contava para nós, a elite criativa da agência, sobre a perícia que precisava utilizar para levar seus cabelos laterais mais crescidos, desde antes da orelha praticamente fio por fio, até estendê-los sobre o luzidio aeroporto de moscas com sucesso. Levava, segundo ele, uns bons 40 minutos só nisso de tornar-se lindíssimo antes de sair de casa.

A festa de fim-de-ano foi marcada numa boate em Copacabana ou Ipanema, não tenho certeza. A certeza é que era um lugar de prestígio, daqueles desejados pela classe intelectual do negócio. Estava na moda.
Encarregado de iluminar e fotografar o evento, Tarrim foi mais cedo para o lugar.
Desenrolando fios, posicionando luzes e câmeras, analisando melhores ângulos Sozinho no ambiente Tarrim foi também enchendo a moringa. Passadas algumas horas de providências e gorós nosso ídolo era só descontração. E bota descontração nisso. Foi aí que apareceu o dono da escultura encefálica. Para averiguar os procedimentos e checar tudinho detalhadamente deu de cara com Tarrim num canto do salão.

Luciano olhou pra ele, cumprimentou-o cerimoniosamente, mas não se conteve.
Massageou freneticamente o cocuruto do diretor ao mesmo tempo em que revelava este seu incontido prazer: “Faz muito tempo que eu esperava por uma chance dessas, seu diretorzinho metido a besta.”

Tarrim era bom mesmo. Não foi demitido.
O outro assumiu a calvície.

segunda-feira, novembro 03, 2008

Mais um blogue

Estou colocando mais um blogue nos links ao lado. Trata-se do meu Portfólio Virtual, com peças de diversas épocas. Um detalhe importante: estão faltando os filmes, porque como os tenho ainda em VHS, estou a providenciar sua transcrição para mídias digitais. Mas assim que o tiver feito pretendo postá-los.

O endereço é: http://jonga-portfolio.blogspot.com/

sábado, novembro 01, 2008

O “caso” do arrependimento

Quando o Líber Matteucci esteve no Brasil, em 2005, fomos, um pequeno grupo, almoçar com ele na Majórica. A conversa rolou agradável, regada a muito chope e a sempre excelente picanha fatiada daquele restaurante. Velhas recordações e botar o papo em dia com um profissional que, afinal de contas, está na Europa há cerca de 20 anos. O Líber saiu daqui, ainda nos 1980 para a TV Monte Carlo, a frustrada tentativa da Rede Globo na Itália. Depois ele foi pra Lisboa e lá ficou.

Lá pras tantas o João Bosco soltou uma pergunta: “Qual foi a peça que vocês fizeram e que se arrependem profundamente de ter criado?”. Isso ficou no ar. E eu juro, pelo que há de mais sagrado, não conseguia me lembrar de uma especificamente. O Bosco chegou a comentar algo do tipo: “Mas Jonga, você não tem nenhuma?” E o problema era que eu não conseguia apontar alguma em particular.

De fato, ao longo de minha vida de publicitário fiz uma certa quantidade de anúncios, filmes e participei de campanhas, que, no final eu não botei na pasta, justamente por isso. O problema era apontar a “tal” que seria a campeã absoluta. Existem muitos fatores que devem ser responsabilizados por esse tipo de reação. Desde aquela em que o “dedinho” do cliente influenciou caminhos errados, até aquela que a gente achou que era muito boa e depois viu que não era nada daquilo.

O negócio é que até hoje, não consegui concluir qual delas me proporcionou o maior grau de arrependimento. Coisas do “futebol”!

segunda-feira, outubro 27, 2008

De “casos” e outros casos

Por mais de uma vez já me passaram e-mails (alguns leitores chegaram a telefonar) para saber por que este blogue passou por algumas mudanças nos últimos tempos. A principal delas é o fato de todos os artigos aqui não começarem mais com o “caso” disso ou daquilo. Quando comecei a postar matérias, tinha um livro pronto e registrado na Biblioteca Nacional, cujo título provisório era: “Casos que a propaganda não contou”. Havia dezenas de “casos” escritos até então.

No dia 26 de março deste ano, publiquei uma explicação acerca deste motivo no artigo “Mudanças no blog”. Ali, explico as razões que me levaram a modificar a estrutura até então mantida, pois, durante quase dois anos incluí “caso” em todas as postagens. No entanto – com o passar do tempo – percebi a necessidade de fazer alguns comentários pontuais sobre publicidade. Por outro lado, a inclusão da palavra, por vezes tornava-se uma camisa de força.

Claro que vão continuar a existir “casos”, quando os houver. Todavia, espero que esteja esclarecida a questão.

sexta-feira, outubro 17, 2008

Pique-esconde

Aproveitando esta fase em que os colaboradores deste blogue estão a mandar “casos” e mais “casos”, vai aqui mais este, que nos presenteia Luiz Favilla.

Ano: 1981.
Local: uma famosa agência na beira da Lagoa Rodrigo de Freitas.
Seis duplas de criação, mais o pessoal do estúdio e da produção fizeram um trato.
Todos os dias éramos obrigados a entrar pela porta dos fundos. No local, o pai do dono da agência se encarregava de anotar nome e horário de chegada de cada um.
Uma verdadeira humilhação que suportamos até aquela data.
Marcamos um encontro perto da portaria de serviço.

A idéia: entrarmos todos juntos, ao mesmo tempo, e subirmos correndo pelas escadas para que o porteiro progenitor-chefe não conseguisse distinguir nomes e caras. E foi o que fizemos. Pego de surpresa, o pobre homem quase teve um infarto, xingou, esbravejou, mas não identificou nenhum dos mais de quarenta moleques. Sua revolta foi imensa. Obrigou que seu filho, dono da agência, tomasse enérgicas providências contra os baderneiros.

O chefão reuniu toda a empresa no auditório e exigiu que os culpados se identificassem. Os funcionários se levantaram e assumiram a culpa. Os que fizeram e os que não fizeram a brincadeira. Demitir todos era impossível, a agência pararia.

A gargalhada foi geral e tudo acabou em pizza. O chefão, homem de criação, achou muita graça da idéia porque ajudamos a resolver um problema familiar. Após o incidente, o seu pai finalmente resolveu se aposentar e cuidar do haras da família. “Lá os cavalos me obedecem”, foram suas últimas palavras ao sair do prédio.

Pela porta da frente, é claro.

quarta-feira, outubro 15, 2008

O santo milagroso

Essa é rapidinha. E mais um exemplo que em meio à crise de criatividade nestes dias que vivemos, existem exceções, porque afinal de contas, a esperança é a última que morre.

Estava eu assistindo um desses telejornais da vida, quando apareceram aqueles “bichinhos-propaganda” da Ford, que por si só já são engraçados. Mas eis que de repente um deles diz algo no gênero de “ter um carro assim, só no dia de São Nunca”. Imediatamente o simpático santo gorduchinho despenca na cabeça deles, e, no seu estilo peculiar, sacode a poeira, e, meio que sem graça levanta-se, no conhecido jeito bonachão.

Fiquei feliz em assistir a peça no ar. Sinceramente, este é um dos melhores personagens que apareceram nos últimos anos. A prova de que boas idéias são simples. E ficam. É o milagre de São Nunca, dando a volta por cima.

sexta-feira, outubro 10, 2008

Genial!!!

Nosso parceiro Felipe Monsanto (está conosco desde agosto de 2007) nos envia mais este “caso”:

Esse cara é bom (1), e me lembrou um que durou 45 dias numa ilustre multinacional.

Mas foi o suficiente para o cara chamar o juiz (paulista) de ladrão, fdp e ainda jurar de porrada no fim do jogo, quando o cara apitava um jogo de futebol entre os escritórios do Rio e SP.
Desistiu da parte da “porrada no fim do jogo” quando foi substituído e devidamente informado que o juiz era o diretor-financeiro. E como era uma festa bebeu meia-dúzia de cervejas e ainda ficou amigo do diretor-financeiro...

Por razões óbvias não vou citar o nome deste cidadão, mas ele tava quase arrumando um aumento de salário, afinal agora almoçava com o diretor-financeiro paulista quando vinha ao Rio.

Só que em plena quinta-feira resolveu sair no horário (8 da noite), mas ainda tinha trabalho.
Mandou o chefe tomar bem no centro do cu e foi embora. Era final de ano, 15 de dezembro.
Pegou duas pranchas e foi para Garopaba surfar. Ficou lá por um mês e quando voltou acabou virando dono de agência.
Não da multinacional, claro, mas de uma pequena agência que funciona há mais de 10 anos...

Tb juro que é verdade!

(1) Referindo-se ao personagem de “Doidim” de Maurilo Andréas.

quarta-feira, outubro 08, 2008

Doidim

Direto de Belzonte, mais um “caso” de Maurilo Andréas o primeiro parceiro deste blogue.

Trabalhava em uma certa agência quando, por uma circunstância qualquer, um arte-finalista freelancer foi chamado. Já no primeiro trabalho, o cara recebe o layout, olha a peça e diz:

“Eu não vou finalizar isso nem fodendo. Tá muito ruim.”

“Que é isso, cara, tem que finalizar. Tá louco?”

“Quero falar com o diretor de arte, isso aqui tá muito ruim”

Tendo negado o pedido e enquanto todo mundo olhava espantado, o cara levanta e pergunta “onde fica a sala do presidente?”, já se encaminhando para a recepção.

Durou mais exatos 40 minutos na agência e nunca mais voltou.

E eu juro que é verdade.

sábado, outubro 04, 2008

A gente grava cada coisa

Comecei a participar de campanhas políticas em 1982. Lá vai tempo. De lá pra cá, fiz campanhas para todos os cargos, à exceção de Presidente da República. Ganhei e perdi. Ossos do ofício. Ao longo de todo este tempo fiz muitas dentro de agências em que trabalhava, não ganhando nada além do meu salário. Desde 2002 participei de todos os pleitos como frila.

Falei, outro dia mesmo, da campanha para vereadores no horário eleitoral, o melhor programa cômico da televisão brasileira. Mas, me ocorreu como também tem cada “josta” pra prefeito. E o pior não é isso. O pior mesmo é que quanto pior o jingle, mais a gente não esquece dele. Quem não ficava com aquela musiquinha chata de Roto-Rooter martelando? Ouvia-se pela manhã e não saia mais da cabeça o resto do dia. A mesma coisa com Insetisan. “Um pouco mais caro... mas é muito melhor!” Ai caramba...

A assinatura musical mais chata desta campanha para prefeito no Rio, sem dúvida foi a do Gabeira. E no entanto, eu ouvia aquele “troço” e a porcaria ficava batucando na minha cuca. Algo como algumas músicas pavorosas de duplas sertanejas. Mas, pelo menos me lembra o quanto eu não vou votar neste candidato, cujas ações notoriamente têm apenas o objetivo de promoção pessoal. Desde a sunguinha de crochê.

segunda-feira, setembro 29, 2008

O celular e o sapateado

Há algumas pérolas que sobrevivem. Ou resistem. Também, se não são do próprio, pelo menos foram criadas na agência dele. Digo, do Olivetto. E onde tem o dedo do Washington, tem ouro. Que nem Midas... por isso sou até hoje seu fã de carteirinha.

O fato é que essa campanha da responsabilidade do voto é simplesmente ducacete mesmo. Tenho minha particular preferência pelo filme do sapateado que é simplesmente fora de série. A expressão patética do personagem na hora do casamento, a sapatear, nervoso, sem saber se olha pro padre ou para a noiva é uma das melhores coisas a que jamais assisti.

Mas, tem também a do celular. Gente, o quê que é aquilo? O sujeito debulhando em lágrimas toda vez que ouve o toque do seu telefone é demais. Uma situação surreal mas incrivelmente factível. Tem horas que determinadas músicas levam a gente ao choro mesmo. Sen-sa-cio-nal, como diria um velho conhecido meu.

São momentos que reforçam aquela velha tese de que propaganda tem que ter uma boa idéia. E uma dose de humor pode ajudar bastante. Mas, pelo amor aos deuses, humor fino.

quinta-feira, setembro 25, 2008

Um link em 30 segundos

Aí ao lado nos Links você vai encontrar um novo blogue: o 30 segundos. Seu autor é o José Guilherme Vereza, que chamamos carinhosamente de ZéGui.

O ZéGui, creio que não precisa ser apresentado para a maioria dos que habitualmente acessam este “Casos” da Propaganda. Mas pra quem não sabe ele foi diretor de criação na VS. E também o foi na Contemporânea, até recentemente.

Bem vindo, ZéGui.

Mais Paulinho

Elenice Mattos, querida colega e amiga da VS mandou este belo texto sobre o Paulinho (Paulo Cezar Costa), que transcrevo a seguir. Desta forma, Lelê torna-se a mais nova parceira nesta publicação.

Ano de 91, ele foi meu primeiro chefinho na VS. Quer dizer, chefe, mesmo, só no papel. Na verdade, um “gente como a gente”. Econômico no falar, infinito no sentir, exuberante no escrever. Mais ser humano do que competente? Ou mais competente do que ser humano? Pensei, pensei e não tenho a resposta. Só sei do resultado que me causou essa perda: mais vazio, menos paixão, menos sensibilidade, menos poesia.

Perdoem-me vocês, outros queridos criativos e de talento também transbordante. É que o primeiro a gente nunca esquece. Mais ainda quando vem embalado pra presente junto com doses abundantes de humildade, compaixão, intensidade. Doce e único Paulinho. A minha gratidão pelo privilégio. Com o carinho e a admiração da Lelê.

segunda-feira, setembro 22, 2008

Um velho ditado chinês

Conheci poucos redatores com o talento e a capacidade criativa de Paulo Cézar Costa, o Paulinho. Eu tive a honra de ter trabalhado com ele por dois períodos, ambos na VS. No segundo formamos uma dupla de criação por quase cinco anos. Depois, continuamos a trabalhar em frilas, e sempre que pude, contei com o seu toque de gênio.

Paulinho, entre outras coisas criou “Coca-Cola é isso aí”, quando diretor de criação da McCann-Erickson do Rio de Janeiro. Um tema que rodou o mundo, traduzido para sei lá quantos idiomas. E, na VS, a memorável campanha “Veja indispensável”, frase usada até hoje como slogan da revista e que faturou muitos prêmios, inclusive um Leão em Cannes.

Mas uma das características de Paulinho era o seu amor pela criação, encarando com o mesmo carinho uma grande campanha ou um pequeno anúncio. A outra era a sua simplicidade, humildade profissional e caráter.

Infelizmente, Paulinho nos deixou aos 57 anos. Mas os amigos só se recordam das coisas boas que fizeram dele o grande ser humano que sempre foi. Aí, lembrei daquele ditado chinês que diz algo como: “quando eu nasci, todos sorriam, apenas eu chorava... quando eu morrer, todos chorarão, apenas eu sorrirei”.

quinta-feira, setembro 18, 2008

Nomes. Nomes?

Passei uns tempos fora do Rio (1), mas, voltei ainda a tempo de assistir o melhor programa cômico da TV brasileira. O horário eleitoral gratuito para vereadores. É de rolar de rir. Seguem alguns dos nomes mais ‘trapalhões’ na ‘zorra total’ desta verdadeira ‘praça da alegria’. Não poderia deixar de começar pelo Sultão Abbas Mussalba, que se diz descendente do profeta Maomé. Mas tem Xica da Silva, tem Wagner e tem Mozart. Por quê não tem Beethoven? E Rodrigo, o pai dos quadrigêmeos! Mas que raios de quadrigêmeos, afinal de contas?

Continua com Tião Bigode e também Jorge Bigode. Serão parentes? Índio da Central, Cícero do Jegue (o cara possui um jegue, ou é bem dotado?), um gajo que eu não me lembro o nome, mas se intitula “o bom malandro”. Tem Biduca, Zé Nerson, Dom Calixto (este é mafioso), Tarzan, Mãe Loura, que vem a ser Verônica Costa, Jorge Baixa Renda. Dá pra acreditar? E a candidata que apontando o dedo na cara da gente (que nem o Tio Sam) diz: “Vote sério”. Uma tal de Aspásia.

Além desses tem Cacá da Fé, Jorge Mexicano, Bira do Táxi e Eva Manicure. E aquela que diz: “quem tem fé, vota em Nazaré”. Rima rica, hein sô! Personagens históricos? O Alexandre Magno, e um tal de Sei Lá Quem “Hobin Hood”. A Gabriela Enéas (não sei se é parenta do próprio). Zézinho da FAFERJ, Paulinho da AADEF, Nilson das Plantas, Claudinho da Academia, Viana dos Bonecos, Jorge das Vassouras, Tatá da Saúde, Arlindo do Gás, Raimundo Camelô, Aleixo da Auto Escola, Aníbal do Engenhão são os que têm os nomes ligados à atividade ou o local onde vivem.

Rogerinho, Lucinha, Renatinho, Wilsinho (que também se diz o xodó da vovó), são alguns dos diminutivos que eu tive o saco de anotar. Agora, têm os superlativos como Paulão, por exemplo. E os parentes de todo mundo: Tia Júlia, Tio Carlos, Tia Fina e o Vovô Gonçalves.

O Professor Uóston, é uma caso à parte. Tragédia típica do pai que queria botar no filho o nome de Washington e não sabia que o escrivão era analfabeto. Mas para completar tem “Amigo” Luciano. Amigo de quem? Meu é que não é. E o Marquinhos, que além de tudo é Mancha. Não sei se é sobrenome ou apelido, mas, uma coisa é certa, se for apelido, imagina o que o cara vai fazer na política. Bigú, Glória Pintinho (ainda bem que é mulher), Ricardo Tinha (será que não tem mais?), Johnny Guedes, esse é uma mistura de cantor de Rock com sertanejo. Babá e Elton Babú. Tem um tal de Zico, que fala em jogada, futebol e outros bichos, mas a gente vê logo que não é o ex-craque do Flamengo. Propaganda enganosa? E o Totó? Deve ser parente daquele velho cômico italiano. Mas o pior de todos é o tal do Abracadabra. Votar num cara com um nome desses, é dose! Por isso mesmo vou anular meu voto pra vereador. Pelo menos esse eu não jogo fora...

(1) Fui a Minas fazer campanha política. Mas juro, graças aos deuses era pra prefeito e não me envolvi com esses fantásticos vereadores e seus nomes estrombólicos, que por aí afora também são de amargar.

sexta-feira, agosto 29, 2008

Uma grande idéia... ou uma grande bosta?

Esta pergunta foi muito usada pela minha geração de publicitários. Nos tempos em que ainda éramos publicitários, claro! Ela surgia em meio a uma reunião de criação – de uma dupla ou de um grupo – e , obviamente ilustravam uma dúvida muito grande quando aparecia uma nova proposta; aparentemente “ousada”. Será?, perguntávamos. Sim, porque o elo que separa uma coisa da outra é muito tênue. Muito sutil mesmo.

E para isso, tínhamos uma série de outros posicionamentos para julgar. Como o briefing, ou o público-alvo. Como a razão de ser de um comercial, anúncio ou fosse lá o que fosse. A quê ele se propunha ou o quê deveria alcançar. Esse espírito crítico nos levava a diferenciar a fronteira entre as duas coisas.

Acontece que quando ligo a televisão nos dias de hoje, fico pasmo. Vejo cada “coisa” no ar que me deixam simplesmente estupefato. Fico de fato me perguntando por quê exigíamos tanto de nós mesmos. Daí, chego a uma conclusão mais ou menos óbvia: não se fazem mais diretores de criação com antigamente. Cabia ao dito cujo questionar uma dupla criativa em algum momento de “alucinação” a se posicionar frente ao produto, ou o mercado. Eu estou achando que isso acabou. Ou mudou radicalmente.

Pelo menos a famosa pergunta, creio, está sendo menos aplicada. E as “merdas” vão pro ar de forma descarada e/ou deslavada. Saudosismo? Talvez. Estou ficando velho? Certamente. Mas, uma coisa é certa: ainda sei diferenciar uma grande idéia de uma grande bosta. Ah, lá isso eu sei!

quinta-feira, junho 12, 2008

O “caso” do hipersalário

Houve um tempo em que existiu um mercado publicitário no Rio. Pasmem, mas isto realmente é verdade. Os salários eram, pelo menos razoáveis, e em alguns casos, muito bons. Quando eu trabalhei na Salles, seguramente toda a nossa equipe ganhava entre os melhores. Eram salários pra ninguém botar defeito. Não me lembro dos valores porque ainda era a época do “cruzeiro”, mas giravam em torno de uns cinquenta (1) a sessenta salários mínimos de então.

Acontece que, naquele tempo, eu dizia que existiam duas agências na cidade que eu não queria trabalhar de jeito algum. Uma era a Norton, outra era a Artplan. A Norton porque era uma agência instável. Vez por outra, Geraldão – como era conhecido o Geraldo Alonso –, vinha de São Paulo como “interventor”, olhava pra um, pra outro e mandava metade da agência embora. Pelo menos era o que contavam aqueles que por lá passaram... A Artplan, bom, porque na Artplan, a criação tinha que entrar pelos fundos no seu suntuoso prédio da Lagoa (2). E de quebra ainda tinha um sujeito anotando a hora que você chegava. Ou saia. Hummmm!

Justamente quando estava na Salles, ganhando bem pra “dedéu”, fui chamado na Norton. Bom, é o tal caso, deixar de ir seria “grosseiro”. Até porque quem me chamou foi o Ney Cantinho, naquele momento diretor da filial do Rio, e conhecido profissional de atendimento com quem havia trabalhado na McCann-Erickson. Chato, né? Tinha que ir, tinha que conversar. Afinal, você estando no mercado não poderia fazer uma desfeita dessas. Fui.

Chegando lá, levamos um papo, lembramos dos velhos tempos de McCann, rimos muito, etc, etc. Até que chegou a hora “dos finalmente”, como se diz no popular. Bom, o Ney perguntou quanto eu queria para ir trabalhar lá. Eu já havia pensado justamente neste momento. Gente, chutei um salário que era mais ou menos umas quatro vezes o que eu ganhava na Salles. Eu sabia que não ia colar, mas caso colasse, seguramente viria a ser o maior salário do mercado. O Ney olhou pra mim. Senti que engoliu em seco, mas não perdeu a pose. Ficou de me dar uma resposta... depois. Resposta que, claro, nunca veio. Mas eu juro que fiquei feliz da vida. Pelo menos o Geraldão não poderia olhar para mim e me mandar embora só porque não foi com a minha cara.

(1) Como o acordo ortográfico já está valendo, aviso aos navegantes que o trema acabou.

(2) Tem uma caso “famoso” na Artplan, em que a criação estava descendo o elevador na hora do almoço. O diabo do “ascensor” parou justamente no andar da diretoria, que mandou todo mundo sair para que eles descessem “em paz”.

domingo, junho 01, 2008

Un blog ami a Paris

Meus amigos Ronaldo e Eliana moram em Paris desde 1992. Bom, ela acabou de colocar no ar o seu blogue: “Cadernos de Paris”, contando curiosidades e falando de roteiros interessantes sobre a Cidade Luz, à luz de seus mais de 16 anos de vivência por lá. Para mim, um blogue amigo, uma nova fonte de consultas e conhecimentos neste mundo da web. O link está aí ao lado, mas se preferir, clique aqui http://cadernodeparis.blogspot.com/
E desfrute...

quarta-feira, maio 28, 2008

Adeus, Contemporânea...

Infelizmente a Contemporânea acabou. Pelo menos da forma que a conhecíamos, do jeito que foi, carioca da gema, uma agência que estava no mercado há mais de vinte anos. Vai ser substituída pela Euro RSCG Contemporânea, onde continuará o seu nome. No seu caso, o da Euro aparecerá na frente, de forma completamente oposta a outras empresas do grupo, como a Joy Euro RSCG e a Carillo Pastore Euro RSCG, por exemplo.

Mas é triste para o mercado carioca mais esta perda. Após o fechamento da VS, há dois anos atrás, nos deparamos agora com o final da agência dirigida por Mauro Matos, Armando Strozemberg e José Calazans. Agência na qual trabalhei por mais ou menos dois anos, tendo sido seu quase fundador nos idos de 1984. Bons tempos da avenida Pasteur, naquela tranqüilidade da Urca. Época das Liquidações do Lápis Vermelho para o Barrashopping, das campanhas da Sapasso e tantas outros momentos memoráveis que ficaram gravados na memória da propaganda brasileira, da carioca em particular.

Sua decadência já era visível há algum tempo, acentuando-se com a saída de profissionais – em torno de dois anos atrás – do peso de seu diretor de criação José Guilherme Vereza, de um excelente redator como João Bosco, o mineiro mais carioca do mundo, ou um diretor de arte do naipe do Rodrigo Rosman. Mas, pelo menos desta feita continuará alguma coisa. Descaracterizada, mas propiciando direcionamento aos profissionais que ainda insistem em permanecer tentando saídas neste vilipendiado mercado carioca. Mercado?

sexta-feira, maio 16, 2008

O “caso” do Relatório Anual

Têm certas coisinhas difíceis dentro de uma agência de publicidade. Uma delas é justamente identificar o autor da idéia de uma campanha, um anúncio, porque enfim... existem momentos em que a própria dinâmica de um brainstorm, por exemplo, embaralha as palavras e as coisas. E a gente acaba se confundindo quanto a quem realmente disse isso ou aquilo.

Quando comecei em publicidade, a ingenuidade me prejudicou muito. Eu simplesmente tinha uma idéia e comentava com algum colega. Claro que conheci muita gente que jamais se aproveitou disso. Mas, em compensação, tem cada coisa por aí, que sai da frente. Por vezes fui surpreendido com a idéia que eu havia confidenciado a algém, já consagrada e com um outro autor devidamente reconhecido.

Não quero com isso me gabar e dizer que toda idéia que tenho é do cacete. Nada disso, no decorrer de um processo criativo, a gente as vai tendo e descartando em profusão. Faz parte da dinâmica. Trabalhei numa agência que fazia reuniões de criação todas as quartas-feiras. Mas só às quartas-feiras mesmo. Era um hábito meio doido, mas, idéia de um dos donos, um doidivanas que achava isso o máximo em estratégia. Chegava a ser estressante. Começávamos pela manhã, ali mesmo, na sala de reunião pedíamos um lanche e continuávamos até o fim do expediente.

Numa dessas reuniões, um colega cismou com a idéia que tive para um Relatório Anual para um cliente. Era um “risque-rabisque” acoplado ao relatório. Ele tentou derrubar até onde não podia mais. Não conseguiu porque era o único que desaprovava a idéia. Foi apresentada, o cliente aprovou e a peça foi produzida. Ficou, modéstia a parte muito linda. Com orgulho a coloquei no meu portfólio. Certa feita alguém* me contou que aquela peça estava queimada. Em outras palavras, o “opositor” simplesmente havia apresentado o relatório/risque-rabisque em outra agência como sendo de autoria dele. Resumo da ópera: com pesar tirei a peça do portfólio.

Bom, às vezes acontecem coisas assim no lado “mundinho” da propaganda.

(*) O pior de tudo isso é que nunca pude saber se foi verdade mesmo. O sujeito que me contou a história comprovei depois nõa ser um bom caráter. Já o que ele acusou de ter colocado a peça no portfólio eu confiava e admirava como criativo. Mas, por ia das dúvidas, antes prevenir do que remediar...

sábado, maio 03, 2008

Usou, gamou

Antes de mais nada, é necessário que se saiba que houve um tempo em que se usavam fotoletras e fotocomposições* para se montar uma peça publicitária. Quem começou do final dos anos 90 para cá, não tem idéia do que era aquilo, mas foi uma época em que o nosso trabalho era todo realizado de forma artesanal. Havia, pra começo de conversa, a marcação de leiaute e no final de contas, a montagem (pasteup), a cola de borracha e muito, mas muita “ralação” mesmo.

Hoje, joga-se o texto no computador, não coube em corpo 14, reduz-se, amplia-se a fonte até chegar ao ponto que desejamos. Easy, boy! Naqueles tempos, a produção de um texto tinha que ser toda calculada nos catálogos. Tanto nos de fotoletras quanto nos de fotocomposição, o cálculo tinha que ser exato. Em caso de recortes de texto fazia-se um espelho em papel manteiga para determinar como o texto deveria correr. E geralmente este trabalho era realizado pelo produtor gráfico em parceria com o diretor de arte.

Em casos de frilas, a gente tinha que fazer o trabalho inteiro. Desde a marcação do leiaute (mancha), com as canetinhas e os marcadores, os pincéis e as tintas (guache, ecoline, nanquim) até à montagem final (o pasteup). A “mancha” tinha toda uma técnica especial. Eram necessários alguns anos de aprendizagem nas agências para se adquirir uma certa expertise na coisa. O conhecimento de desenho ajudava, e muito, numa boa realização do produto final. Eu mesmo, entrei para o ramo porque gostava de desenhar.

E por falar em produção gráfica, quando eu trabalhei em São Paulo tinha um fornecedor de fotoletras e fotocomposição que se chamava “Alfabeta”. E o seu slogan ficou para sempre gravado em minha memória: “Quem usa Alfabeta, gama”.

(*) A bem da verdade, eu comecei (nos anos 60) e ainda nem tínhamos fotoletra e fotocomposição. Na época, as letras eram desenhadas para os títulos. Na McCann, por exemplo, trabalhava conosco o Humberto (Tatu), um dos melhores letristas que conheci. A gente localizava uma fonte no “Advertising Age”, por exemplo, e ele a copiava. A fotocomposição à época era o linotipo ou ainda muitas vezes a velha composição de caixa, tal e qual Gutemberg havia criado. Pode parecer primitivo, mas era muito romântico...

sexta-feira, abril 25, 2008

Teatro Recreio

A L&M era uma agência divertida. Disso já falei tanto, que às vezes fico até com receio de estar sendo repetitivo. Mas vou continuar a dizê-lo, porque poucas vezes trabalhei em uma agência que fosse tão gostosa, solta e maluca como ela. A gente trabalhava demais da conta, mas, em compensação se divertia o tempo inteiro. Aliás, característica das agências de publicidade da época – opostamente às de hoje – , quanto mais trabalho, quanto mais pressão, mais gozação, mais brincadeiras.

Lembro-me das entradas barulhentas do Ramalho, que quando chegava era recebido como numa festa. Risos, piadas, planos mirabolantes para deixar “a próxima vítima” numa saia-justa faziam parte do dia a dia naquela saudosa casa. Eu já contei aqui o “caso” do Porta Press, das armações em cima do Kirowsky, das noitadas intermináveis em uma “agência 24 horas”. O espírito sarcástico e bem humorado do Lindoval, o “pavio curto” do Santos Mello, a hipocondria do Mauro Matos. A questão é que não havia um dia sequer em que não acontecesse alguma coisa de muito engraçado naquela agência.

Paralelamente foi a agência do Rio de Janeiro em que mais ganhei prêmios. Aliás, a L&M era uma fábrica de prêmios. As paredes da sala de reuniões eram repletas de diplomas e as estantes cheias de estatuetas. Do Clio, do Colunistas do Festival de Veneza (Cannes foi posterior). Meus dois Clios foram conquistados lá. O Mauro Matos e sua criatividade arrebatadora fizeram da L&M a agência carioca mais premiada do mercado. Era um motivo de orgulho para qualquer um de nós fazer parte daquela equipe vencedora.

Mas a bagunça começava no elevador. Instalada no 16º andar de um prédio na rua México, a fila do ascensor era parada obrigatória para todos nós. E ali havia o Tião, um ascensorista engraçado, um gozador de mão cheia. Olhava para nós esperando a piada. E tinha uma sempre engatilhada para fazer. O Tião é uma figura da qual nunca me esqueço. Seu bom humor permanente fazia parte do folclore do prédio. Aliás, ele tinha uma muito oportuna. Quando chegava no andar da L&M e a porta se abria, ele anunciava: “Teatro Recreio!” (1)... e dava uma risadinha.

(1) O Teatro Recreio era uma casa de espetáculos que ficava no centro do Rio especializada em teatro de revista “B”, em outras palavras, peças com forte dose de humor xulo...

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Há um novo link aí ao lado. Trata-se do "Contos da loucura ordinária" de André Setaro. Vale a pena conferir.

terça-feira, abril 15, 2008

Um novo parceiro

Fábio Veiled Buddy é o pseudônimo de um velho conhecido meu – e novo parceiro deste blogue –, que tem uma série que ele chama de “Casos escabrosos de Narciso Porpeta”.

Apesar de eu não saber quem é o referido personagem, pois o seu nome também é fictício, achei o “caso” interessante. A partir de uma entrevista com Fábio, o escrevi e estou publicando o primeiro “caso” de uma série. Segundo ele, depois me conta outros... que, aliás, garante não são poucos, os casos de Narciso Porpeta, que ele faz questão de sublinhar como “o mau-caráter”...

Vou publicá-los quando os tiver, pois também conheci neste mercado, algumas “figuras inesquecíveis” como Narciso.

segunda-feira, abril 07, 2008

O outro “caso” do cacoete

Postei, pouco tempo atrás um “caso” relativo a cacoetes, que, aliás, deu o que falar... Lembrei de um outro que me foi contado por alguém. Só que se passou em São Paulo, na Almap e com pessoas que eu nem sei os nomes. Mas, como acho um “caso” muito engraçado vou transcrevê-lo aqui, mesmo sem saber de sua autenticidade. Vale, nem que seja como piada.

A Almap foi uma das primeiras agências brasileiras a dividir-se em vários grupos. Nos anos 1970, a então maior agência do país, tendo em sua carteira muitas contas grandes, como a Volkswagen, por exemplo, precisou desdobrar-se em núcleos de criação, coisa que hoje é comum, mas naqueles tempos era raro por terras tupiniquins.

Num desses núcleos criativos, havia um diretor de criação cheio de cacoetes. Conta-se que um dia, ele abriu a porta da sala onde estava uma dupla. Muito alegre, ao entrar na sala olhou para o redator e perguntou:

– Sabe da novidade?

O redator olhou para o diretor de arte ao lado, e voltando-se para ele exclamou:

– Já sei... um novo cacoete!!!

Simplesmente foi despedido.

sexta-feira, abril 04, 2008

Um blogue a não perder

André Setaro, cujo blogue de críticas e comentários de cinema já consta dos links aí ao lado, acaba de lançar um novo e sensacional, que, também já está lincado ao lado, e, para além disso transcrevo aqui o nome (Momentos da Arte do Filme) e o endereço: http://setaroandreolivieri.blogspot.com/ porque vale a pena conhecer.

O blogue apresenta trechos de filmes marcantes da cinematografia mundial como o trailer original de “8 ½” de Fellini, ou cenas de “Joana D’arc” de Karl Dreyer. Ou ainda de “Meias de seda” com a belíssima Cid Charisse e “Shane”, aqui no Brasil, “Os brutos também amam”. Para início de conversa...

Para completar, André, que eu considero uma das maiores autoridades em cinema no país, é professor da cadeira na UFBa (Universidade Federal da Bahia), estado onde mora este carioca de nascimento e baiano de coração, conhecedor, articulista e crítico da sétima arte em vários jornais e revistas pelo Brasil afora.

quinta-feira, abril 03, 2008

O “caso” da mãozada

Na VS tinham viradas incríveis. Já postei algumas delas aqui. Mas a Lucinha, a nossa doce chefe de estúdio, me contou uma que é simplesmente sensacional. Em determinada noite, todo mundo morrendo de fome. E a VS numa daquelas fases de contenção de despesas (que, aliás, eram muito comuns na finada agência), havia limitado o gasto com jantares e outras despesas após a hora do expediente.

Lá pelas dez da noite, resolveram pedir uma pizza para todo o pessoal do estúdio. Cerca de doze pessoas, incluindo um diretor de arte que acompanhava o trabalho e dois da produção gráfica. Até aí tudo bem. Ia dar na conta, mas pelo menos se matava a fome.

O Lula Vieira – e os seus cerca de 150 quilos – resolveu ir embora para casa. E, como sempre, passava no estúdio, que ficava um andar abaixo da sala dele, e era, sem sombra de dúvida, o lugar mais divertido da agência. Chegou ali, já cheio de uísque, já pra lá de Bagdá e com uma fome dos diabos, justamente na hora em que também chegava a tão aguardada pizza. A Lúcia contando é muito engraçado, pois ela diz que de uma “mãozada” só, ele pegou metade da pizza juntando os pedaços que estavam cortados à francesa.

Foi embora pra casa. O aperitivo já tinha sido bom... Enquanto isso, o pessoal do estúdio teve que fazer uma “vaquinha” para comprar uma outra pizza, porque a verba já havia sido toda gasta... metade dela no estômago do Lula.

segunda-feira, março 31, 2008

O "caso" da camiseta

Tinha chegado recentemente a Portugal. Estava me adaptando a novos colegas de trabalho, a um novo ambiente, a um tudo novo, afinal... era um outro país, outro povo, além mar, cujas maiores semelhança eram falar uma “língua muito parecida” e assistir novelas brasileiras. Aliás, em Portugal foi a única ocasião em que admiti assistir alguns capítulos de novelas, porque assim eu matava as saudades da terrinha do lado de cá do Atlântico.

O fato, ou melhor dizendo, o “facto” é que quando tinha uns dez dias lá, alguns colegas me convidaram para tomar uma cervejinha na casa de um deles. Foi animado. E com um detalhe: tomei um porre de sair carregado, porque a cerveja portuguesa tem um teor alcoólico bem mais forte do que a nossa. E eu abusei da excelente Super Bock, cerveja que aliás era motivo de orgulho para os “tripeiros” (1), por ser fabricada no Porto.

Foram ao festivo encontro o Mário, o Simões e o Brito (2), dono da casa, além de mim e do Orlando, o redator brasileiro que era o meu parceiro na criação da Opal. Na ocasião, o Brito falou que estava imprimindo umas camisetas para comercializar. Aliás, no seu apartamento – que não era muito grande – notei o equipamento de silk instalado. Só não vi como eram as peças, até porque ele não mostrou.

Duas semanas depois, estávamos na agência e vejo o Brito feliz da vida. Só faltava estar sapateando. Ria à toa. Depois de algum tempo ele me contou o motivo de tamanha alegria. Tinha tido uma idéia, a executou e deu certo. Com a ida do papa a Fátima ele e o Mário tinham planeado (3) imprimir umas duas mil camistas com a inscrição: “Eu vi o Papa em Fátima” e a data do aconteciemnto embaixo. Levaram numa van (que lá eles chamam de “carrinha”) e venderam tudo, chegando ao ponto de terem se arrependido de não terem feito uma maior quantidade.

É o que eu sempre digo: as boas idéias são simples, óbvias e estão na cara da gente. É só saber aproveita-las.

(1) Quem nasce no Porto, o portuense, também é conhecido por tripeiro.

(2) Sinal dos tempos e dos neurônios que a gente vai queimando, inventei este nome porque não me lembro de como ele se chamava. Até porque ficou pouco tempo na agência, tendo saído para uma outra logo depois.

(3) “planejar” é “planear” na linguagem local.


Nota ao pé da página: em 21/04/2008 recebi um e-mail de um leitor de Portugal, que preferiu não se identificar, mas lembrou que o nome do personagem principal deste caso é Barros e não Brito. Agradeço a sua colaboração.

quarta-feira, março 26, 2008

Mudanças no blog

Alguns leitores comentaram o fato de não estar mais postando todas as histórias como “caso” disso ou “caso” daquilo... Há uma razão para isto. Quando comecei esta publicação na internet, tinha um livro pronto, com mais de 50 “casos” prontos para serem publicados. Por preguiça e absoluta falta de saco, nunca cheguei a iniciar a “peregrinação” atrás de editoras. Como também não tinha como “bancar” a publicação, desisti da empreitada. Mas todos aqueles “casos” estavam impressos e em backup, já que os havia escrito no computador desde 1996.

Um belo dia, lendo o excelente “Pastelzinho” do meu amigo Maurilo Andréas, tive a idéia de publicar tudo na web. Muito mais prático e rápido, sem precisar aturar as enrolações de um editor pentelho da vida. Comecei assim a publicar os “casos” disso e “casos” daquilo. Daí, acabaram os que havia escrito, mas eu continuei com a fórmula. Só que por vezes, sentia que ficava forçado a incluir a palavra em algum título que eu queria escrever. Já expliquei isso em comentários, mas achei esclarecedor publicar esta nota, para que todos os leitores possam saber a razão da mudança, em algumas ocasiões necessárias.

terça-feira, março 25, 2008

O mais difícil é aprovar

Aprovar uma idéia. Para quem não trabalha em publicidade, fica difícil avaliar o quanto é importante – e por vezes difícil – no processo de uma campanha, de um anúncio. Ou de um simples folder. Mas o que acontece é que a gente cria com carinho, empenho, tentando sempre transcender o briefing, mas, naturalmente respeitando questões inerentes a ele, como público-alvo, verba, estratégia de mídia. E muitos outros detalhes.

O problema é que apresentações, nos moldes clássicos são feitas pelo atendimento (1). O contato – que é o profissional da área – leva o resultado do esforço de uma equipe, e, às vezes não está preparado para vender aquela idéia. Presenciei tantos que nem sequer procuravam se informar com os criativos alguns detalhes que levaram aos caminhos a que se chegou. Pior, um dia fui a uma apresentação e o “sujeitinho” jogou a peça na mesa do cliente dizendo algo do gênero: “aqui está o seu anúncio”. Sem uma introduçãozinha, uma piada, sem um “quê” qualquer que criasse um clima favorável.

Hoje, como frila que sou, tenho meus clientes diretos. Sou o criativo e também o atendimento. Mas, sempre dou uma esquentada, crio alguma expectativa para que a coisa não corra ao “deusdará”. Isso é muito importante. Assim, aprovo 98% dos trabalhos que faço. Claro que os 2% restantes sempre são cartões de natal, a peça mais complicada para se acertar de primeira. Costumo até me referir a qualquer outro trabalho que emperre, que ele está sofrendo da “síndrome do cartão de natal”.

Sempre que falo em apresentações de sucesso me recordo da aprovação do “Garoto Bom Bril”. Embora não tenha visto, fico a imaginar o quanto foi importante a participação de um bom atendimento naquela aprovação. Veja bem, há trinta anos atrás, alguém convencer um cliente que ao invés de usar uma modelo bonitinha, uma dona-de-casa, ou mesmo uma empregada doméstica do tipo “Tia Anastácia” para vender um produto de cozinha, tinha que ser muito bom. Principalmente porque o garoto-propaganda seria o “anti-tudo isso”. O resultado está aí até hoje. Um dos maiores sucesso de vendas, e um recorde absoluto de tempo como personagem em campanhas publicitárias.

Por essas e outras, um fotógrafo amigo meu tinha uma máxima da qual nunca me esqueço. Ele sempre dizia que conhecia muitos atendimentos; uns 150 boys de luxo e apenas dois ou três contatos. E isso é verdade.

(1) Hoje é muito comum as agências colocarem estagiários para atender contas. Quando eu digo atender, não é como assistente, mas como responsável pelo cliente. Conheço uma pequena agência que perdeu um cliente importante devido a esta completa falta de tática e estratégia.

terça-feira, março 18, 2008

O “caso” das galinhas

Estava lembrando outro dia que quando trabalhei em São Paulo, nos anos 1970, corri mercado. Em outras palavras, trabalhava numa agència pequena, a De Mello & Leonardo e resolvi fazer uma visita às agências maiores e mais importantes que haviam na época. E desta forma, conhecer os profissionais que tinham um certo peso no nosso trabalho. Visitei a DPZ (claro!), a Norton, a Almap e a Proeme.

Assim, eu ligava e agendava uma visita. Conheci o Alex Periscinoto, o Francesc Petit, o Ênio Mainardi e a dupla Jarbas e Neil Ferreira. Do Alex, falei recentemente e até contei um pouco de sua trajetória profissional (1). O Petit. Bom, será que a gente precisa falar do Petit? O “P” da DPZ, que considero um dos maiores diretores de arte que já passaram pelas “pranchetas” da vida. Só o que fez para Carlton e outras campanhas memoráveis é inesquecível. Na Proeme foi um papo muito estranho. Até porque o Ênio era tido como um sujeito estranho. E confirmou a versão. Mas é o autor do famoso slogan “Tostines. É melhor porque vende mais. Vende mais porque é melhor”, considerada uma das melhores frases da publicidade brasileira.

E chegou o dia de minha visita à Norton. A dupla Neil e Jarbas era considerada a mais criativa daquele momento, responsável por campanhas e anúncios memoráveis, como a da “Mamãe Fotoptica”, do “Conhaque do papa” e do famoso “Abaixo o dia das mães”, que pregava que mãe não tem dia, porque todo dia é o dia delas. Pouco tempo depois, o Jarbas de Souza fundou a sua própria empresa, a famosa Alltype, fornecedora de fotoletras, uma verdadeira “revolução” na época. Até porque o Jarbas era um dos diretores de arte que mais conhecia tipos no Brasil. A gama de novos desenhos tipográficos que surgiram a partir da Alltype ficaram na história da propaganda.

Fui muito bem recebido. Ainda me lembro da roupa do Neil. Uma calça branca de listras azuis bem grossas. Boca de sino. Ih! Coisas da época! Um vestuário de vanguarda, chamativo e ousado. Conversamos quase que quarenta minutos sobre anúncios, filosofias criativas e coisas do gênero. No final, apresentei meu portfolio e ele anotou o telefone da agência em que eu trabalhava. Pena que menos de duas semanas depois eu estava embarcando para o Rio porque uma agência me chamou e eu não resisti à tentação de voltar.

Mas, foi ali que surgiu o papo. O Neil me falou que de vez em quando tinha vontade de sumir, que a profissão era muito desgastante (na época não se usava a palavra estresse) e que ele muito em breve se retiraria por uns tempos e iria para o interior. Criar galinhas. Uns três meses depois eu li numa coluna publicitária que havia acontecido exatamente isso. Neil Ferreira deixara a Norton e partira para o seu sítio no interior paulista. Para criar galinhas. Um sujeito de palavra.

(1) O "caso" da construção de uma marca, postado em 13 de fevereiro último.

quarta-feira, março 12, 2008

Uma idéia na cabeça e uma virada...

A imagem que muitas pessoas fazem de criativos publicitários é que as idéias surgem como num passe de mágica. Geniais. Marcantes. Inesquecíveis. Até pode acontecer, uma vez em mil, que você olhe para o alto e caia aquela idéia maravilhosa na sua testa. Mas, posso garantir que isso é muito raro. Na grande maioria das vezes prevalece aquele raciocínio de que toda grande idéia é formada de 1% de inspiração e 99% de transpiração. Muita transpiração mesmo. Posso garantir.

São longos pedidos de trabalho, pesquisas, reuniões, reuniões e mais reuniões (muitas chatíssimas) brainstormings, revisões de avaliação, e, geralmente, horas e horas de um redator olhando para o diretor de arte e vice-versa. Não que nunca aconteça. Já tive idéias dormindo. Acordava e anotava ou desenhava o que havia sonhado ou sei lá o quê... mas são difíceis esses momentos. Lembro de um período em que atendí a conta da Aracruz Celulose, na Salles. Olha, era um clientezinho difícil. Até porque na época, muito vulnerável por críticas ao desmatamento, eles tinham medo de tudo. Quando pintava a campanha anual deles, dizer alguma coisa criativa era uma “parada”. E eu e o redator que trabalhava comigo, ficávamos tempos, quebrando a cabeça. De repente eu virava para ele e balbuciava: “Aracruz...”. Ele, após alguns momentos de silêncio, me entreolhava e respondia: “...Aracruz.” Era uma verdadeira “inconha”.

Às vezes o óbvio pode resolver muita coisa. Lembro de um filme premiado no Festival de Nova Iorque, que era sobre hambúrgueres. Simplesmente o personagem comia um sanduíche, quando o chão se abria e era tragado para sei lá aonde. E o locutor então entrava em off dizendo que o hambúrguer mais leve era o da lanchonete “Tal”. O óbvio me salvou “ene” vezes ao longo de minha trajetória profissional. A propósito, já até contei um caso neste blog *.

Mas têm momentos que a gente se lembra de coisas que são mais ou menos comuns num processo criativo. E um deles é aquele negócio de não estar a conseguir um caminho, de nada estar dando certo, a solução é dar uma virada. Colocar tudo de cabeça pra baixo, inverter, revolucionar. Há poucos dias estava assistindo um comercial na TV, e me lembrei disso. O filme é todo com pessoas de cabeça pra baixo. Fazendo piruetas, andando, correndo, pulando, mas sempre de ponta-cabeça. E me lembrei deste posicionamento. Pode até não ser, mas tenho quase certeza que em dado momento alguém resolveu virar tudo. Literal e obviamente.

(*) “O ‘caso’ do óbvio ululante” foi publicado em 1 de março de 2007.

quarta-feira, março 05, 2008

O “caso” da revisão no elevador

Um “caso” rapidinho que aconteceu na McCann há muitos anos. O Mauro Matos ia saindo para o almoço quando o tráfego o abordou na porta do elevador. Era a revisão de um anúncio da IBM, e como o revisor não estava, cabia ao diretor de criação faze-la. E o Mauro, como titular a fez, assinou, e no dia seguinte saiu um puta dum erro de revisão. E logo no título. A piada que corre até hoje é que ele torceu os olhos* no exato momento em que lia a chamada...

(*) Mauro tem alguns cacoetes. E o mais conhecido deles é o de contorção dos olhos. Tem um momento em que ao virá-los, eles ficam completamente brancos.

segunda-feira, fevereiro 25, 2008

O “caso” do paralítico

Lembro-me que certa ocasião em Portugal, tive uma das discussões mais surrealistas com dois estagiários da agência sobre como se pronunciava a letra “agá” em inglês. Cheguei à conclusão que eles, os portugueses, têm o ouvido diferente do nosso. Não é possível, mas eles acham que o “agá” em inglês é mudo, ou seja: help por exemplo é “élp”. Não é à toa que lá as marcas Honda e Yamaha são pronunciadas como “onda” e “iamaá”.

Conclui que os ouvidos deles ouvem diferente dos nossos. Mas a coisa não para por aí. Existe uma xenofobia lingüística (que é ilusória) e que acusa, a nós brasileiros, de usar palavras estrangeiras em excesso. E quando digo que é ilusória, naturalmente a afirmação está baseada em três anos de convivência com termos como account, para designar contato (atendimento), ou copywriter para se referir a redator. Fato que até já contei em caso anterior publicado neste mesmo blog.

Mas uma expressão lusitana que me deixou desconcertado ocorreu no dia em que eu estava em uma ilha de edição numa produtora em Lisboa, o diretor levantou o braço e exclamou: “... entra com um paralítico!”. Juro que fiquei meio que pasmo. Por alguns instantes procurei para ver se tinha algum deficiente físico próximo a nós. “Mas, afinal, o que significa isso?”, pensei com os meus botões. Fiquei inibido em perguntar o que significava aquilo. Não fazia o menor sentido mesmo. Pus-me a observar cada gesto ou ação com extrema atenção, e, algum tempo depois, veio a resposta. Paralítico por terras d’além mar é nada mais nada menos do que frisar (paralisar) a imagem.

Tenho que admitir que neste ponto, lá à sua maneira, os “patrícios” pelo menos usam uma palavra portuguesa. Com certeza!

domingo, fevereiro 17, 2008

Nem tudo que reluz...

Recebi comentário para o artigo “O “caso” do grito primal”, publicado em 16 de novembro de 2006. Achei interessante que após tanto tempo alguém o tenha lido. “Carlos Reluz Bernaola, por favor quem souber informações dele, responda, pois preciso saber como encontra-lo se ainda estiver vivo, ou saber realmente o que houve com ele!!!”, diz a mensagem em tom de apelo assinada por um leitor "anônimo" de nome Eduardo.

Reluz, um “pequeno grande” diretor de arte peruano que durante anos trabalhou no Rio de Janeiro, de fato sumiu do circuito. Coisa que, aliás, tem sido muito comum entre profissionais mais antigos do mercado. Mas, de qualquer maneira, aproveito este blog para perguntar se alguém tem conhecimento do paradeiro dele. Quem, entre a meia dúzia de leitores mais fiéis, ou aqueles que ocasionalmente acessam esta publicação possa saber de seu paradeiro, nos comunique.

O leitor “anônimo” e eu, penhoradamente agradecemos...

quarta-feira, fevereiro 13, 2008

O “caso” da construção de uma marca

Depois de passar em um concurso para a criação de desenho promovido pela Sears Roebuck, Alex Periscinoto foi contratado pela mesma empresa como “desenhista” e fez as primeiras ilustrações da inauguração daquela loja no Brasil. Depois trabalhou no Mappin, outra famosa department store paulista, desenvolvendo anúncios e continuando as suas famosas ilustrações. Um dos publicitários que lançou no Brasil o conceito de dupla de criação, após uma viagem aos EUA, posteriormente, foi um dos fundadores da Almap (Alcântara Machado Publicidade).

Conheci o Alex na década de 1970, quando eu trabalhava na DeMello & Leonardo, uma pequena agência em São Paulo e resolvi circular pelo mercado visitando algumas outras, conhecendo profissionais que valessem a pena e pudessem me ajudar no início da carreira. Na ocasião também fiz contatos com o Neil Ferreira, o Petit e o Mauro Salles, figuras expressivas do mercado publicitário brasileiro. Talvez nenhum deles – com excessão do Mauro, com quem trabalhei tempos depois – lembrem-se disso, mas que os conheci, conheci.

Mas o Periscinoto conta uma historinha muito boa que já ouvi em diversas ocasiões, até em um programa na TV. Trata-se de um caso sobre construção de marca. Aliás, um caso bastante antigo. Certamente um dos que conseguiram maior sucesso de vendas através dos tempos. Tanto que está aí, no mercado, até nossos dias. Com todos os prós e contras.

É sobre a igreja e a construção de sua marca. Uma cruz. Nada melhor do que isso. Afinal, o símbolo da morte de Cristo. Mas, não bastando a escolha da logo, a estratégia de marketing estendeu-se a coloca-la no alto das igrejas. Naquele tempo, igrejas eram os pontos mais altos dos burgos, e, portanto, a sua marca seria vista de qualquer lugar do povoado, inclusive dos seus arredores. Um outdoor perfeito. Depois veio a necessidade de uma trilha sonora. E o sino foi a forma perfeita para anunciar. Um prenúncio do jingle, algumas centenas de anos antes da implantação do rádio e da televisão.

Acho essa história muito criativa. E tinham muitos mais detalhes, pois o Alex a contava durante um bom tempo, floreando e a enriquecendo. Não sei se foi o ele quem a criou, mas, sem dúvida foi quem mais a divulgou.

sexta-feira, fevereiro 01, 2008

O “caso” da réplica

Durante muitos anos tive um Dodge Polara, o popular Doginho. Comprei ele em 1981. Uma pechincha. Carrinho de madame –ainda por cima conhecida–, dois anos de uso, três mil quilômetros rodados, branquinho. Uma graça pra ninguém botar defeito. Além do mais, tinha ar condicionado, coisa rara na época. Era pegar ou largar. Peguei. E como o danadinho era bom, fui ficando com ele. Aliás, o veículo me acompanhou a Salvador e a Belo Horizonte.

Quando voltei ao Rio em 1988, deu vontade de trocar por um mais novo, apesar de que o bicho não dava oficina nem outros tipos de dor de cabeça. Mas, senti que era hora de mudar. Todavia, estava valendo muito pouco. Desisti. Achei que fazendo uma lanternagem, teria um carro novo, de novo. E tive. O Doginho parecia um carro “zero”. Assim fui ficando com ele até que me mudei pra Portugal em 1990, ocasião em que o vendi para o motorista da minha tia, que ficou feliz da vida com a compra por uma bagatela, de nem me lembro quanto, mas era o seu valor na época.

Porém, o fato que me marcou com o Doginho, foi uma reunião na VS em que alguém tocou no assunto e disse:

- O Jonga tem um Dodge Polara novinho em folha.

O Paulinho Costa, que estava na reunião, virou-se para o dito cujo e retrucou:

- O do Jonga não vale... aquilo é uma réplica!

sábado, janeiro 19, 2008

Trem danado de bão

Sou mineiro por osmose. Casei com uma mineira há 35 anos, morei lá por duas vezes, num total de quase cinco anos. Isso fora as muitas idas e vindas a Belzonte para passar natais, aniversários e feriados, coisa que tem diminuído com o passar dos anos, mas foi muito intensa em determinada época.

Mas, deu-me vontade de falar de Minas porque outro dia recebi um comentário da Mariana Cajaíba, filha do Jacob, que foi meu diretor de criação na Salles, e, claro, era mineiro. Pra variar. Além disso, fiquei sabendo por ela que é afilhada do Jackson Drummond Zuim. Sim o famoso Zuim que tanto admiro como profissional; de tantas andanças pelos bares de Beagá nos tempos do Clube de Criação, cujas reuniões (de diretoria) eram regadas a muito chope gelado e golos de pinga (1).

A última vez que vi o Jacob Cajaíba, estava acompanhado do Zé Alberto da Fonseca, o Luís Márcio Vianna e o mitológico Newton Silva. Ele passou ao nosso lado, sentou na mesa e levamos um longo papo. Era um grande profissional, na época havia voltado para a Salles de São Paulo, e estava de férias em Belo Horizonte.

Tenho muitos amigos naquelas montanhas mágicas das Gerais. E o maior respeito pela publicidade que se faz por lá. Por isso mesmo, me orgulho de um cartaz que está bem à minha frente, e que foi impresso quando do lançamento do I Anuário do Clube de Minas, do qual tive a honra de ser jurado. Lá está a minha foto entremeada à de mais de 50 outros profissionais que também fizeram parte do júri.

Minas, tem sido a fonte de inspiração para muitos e muitos “casos” que lá vivi, ou que me foram contados ao longo de minhas estadas por aquelas paragens. Mas, quero mesmo agradecer à Mariana ter despertado essas lembranças dos bons momentos que ficaram em minha memória. E que são um trem danado de bão!

(1) Existem vários “casos” sobre o Zuim e o CCMG em postagens anteriores neste blog.

sábado, janeiro 12, 2008

Nota triste

Quando comecei em publicidade, na McCann-Erickson, já estava lá o Augusto Barreiros, profissional respeitado e experiente. Durante muitos anos, Augusto trabalhou naquela agência, tendo passado por ele muitas gerações de profissionais.

Recebi um comunicado de seu falecimento no último domingo. Pediram-me para divulgar que a missa de sétimo dia será no dia 14 de janeiro, às 17h30m na Igreja N. S. da Paz em Ipanema. Com certa tristeza o estou fazendo.