segunda-feira, fevereiro 25, 2008

O “caso” do paralítico

Lembro-me que certa ocasião em Portugal, tive uma das discussões mais surrealistas com dois estagiários da agência sobre como se pronunciava a letra “agá” em inglês. Cheguei à conclusão que eles, os portugueses, têm o ouvido diferente do nosso. Não é possível, mas eles acham que o “agá” em inglês é mudo, ou seja: help por exemplo é “élp”. Não é à toa que lá as marcas Honda e Yamaha são pronunciadas como “onda” e “iamaá”.

Conclui que os ouvidos deles ouvem diferente dos nossos. Mas a coisa não para por aí. Existe uma xenofobia lingüística (que é ilusória) e que acusa, a nós brasileiros, de usar palavras estrangeiras em excesso. E quando digo que é ilusória, naturalmente a afirmação está baseada em três anos de convivência com termos como account, para designar contato (atendimento), ou copywriter para se referir a redator. Fato que até já contei em caso anterior publicado neste mesmo blog.

Mas uma expressão lusitana que me deixou desconcertado ocorreu no dia em que eu estava em uma ilha de edição numa produtora em Lisboa, o diretor levantou o braço e exclamou: “... entra com um paralítico!”. Juro que fiquei meio que pasmo. Por alguns instantes procurei para ver se tinha algum deficiente físico próximo a nós. “Mas, afinal, o que significa isso?”, pensei com os meus botões. Fiquei inibido em perguntar o que significava aquilo. Não fazia o menor sentido mesmo. Pus-me a observar cada gesto ou ação com extrema atenção, e, algum tempo depois, veio a resposta. Paralítico por terras d’além mar é nada mais nada menos do que frisar (paralisar) a imagem.

Tenho que admitir que neste ponto, lá à sua maneira, os “patrícios” pelo menos usam uma palavra portuguesa. Com certeza!

domingo, fevereiro 17, 2008

Nem tudo que reluz...

Recebi comentário para o artigo “O “caso” do grito primal”, publicado em 16 de novembro de 2006. Achei interessante que após tanto tempo alguém o tenha lido. “Carlos Reluz Bernaola, por favor quem souber informações dele, responda, pois preciso saber como encontra-lo se ainda estiver vivo, ou saber realmente o que houve com ele!!!”, diz a mensagem em tom de apelo assinada por um leitor "anônimo" de nome Eduardo.

Reluz, um “pequeno grande” diretor de arte peruano que durante anos trabalhou no Rio de Janeiro, de fato sumiu do circuito. Coisa que, aliás, tem sido muito comum entre profissionais mais antigos do mercado. Mas, de qualquer maneira, aproveito este blog para perguntar se alguém tem conhecimento do paradeiro dele. Quem, entre a meia dúzia de leitores mais fiéis, ou aqueles que ocasionalmente acessam esta publicação possa saber de seu paradeiro, nos comunique.

O leitor “anônimo” e eu, penhoradamente agradecemos...

quarta-feira, fevereiro 13, 2008

O “caso” da construção de uma marca

Depois de passar em um concurso para a criação de desenho promovido pela Sears Roebuck, Alex Periscinoto foi contratado pela mesma empresa como “desenhista” e fez as primeiras ilustrações da inauguração daquela loja no Brasil. Depois trabalhou no Mappin, outra famosa department store paulista, desenvolvendo anúncios e continuando as suas famosas ilustrações. Um dos publicitários que lançou no Brasil o conceito de dupla de criação, após uma viagem aos EUA, posteriormente, foi um dos fundadores da Almap (Alcântara Machado Publicidade).

Conheci o Alex na década de 1970, quando eu trabalhava na DeMello & Leonardo, uma pequena agência em São Paulo e resolvi circular pelo mercado visitando algumas outras, conhecendo profissionais que valessem a pena e pudessem me ajudar no início da carreira. Na ocasião também fiz contatos com o Neil Ferreira, o Petit e o Mauro Salles, figuras expressivas do mercado publicitário brasileiro. Talvez nenhum deles – com excessão do Mauro, com quem trabalhei tempos depois – lembrem-se disso, mas que os conheci, conheci.

Mas o Periscinoto conta uma historinha muito boa que já ouvi em diversas ocasiões, até em um programa na TV. Trata-se de um caso sobre construção de marca. Aliás, um caso bastante antigo. Certamente um dos que conseguiram maior sucesso de vendas através dos tempos. Tanto que está aí, no mercado, até nossos dias. Com todos os prós e contras.

É sobre a igreja e a construção de sua marca. Uma cruz. Nada melhor do que isso. Afinal, o símbolo da morte de Cristo. Mas, não bastando a escolha da logo, a estratégia de marketing estendeu-se a coloca-la no alto das igrejas. Naquele tempo, igrejas eram os pontos mais altos dos burgos, e, portanto, a sua marca seria vista de qualquer lugar do povoado, inclusive dos seus arredores. Um outdoor perfeito. Depois veio a necessidade de uma trilha sonora. E o sino foi a forma perfeita para anunciar. Um prenúncio do jingle, algumas centenas de anos antes da implantação do rádio e da televisão.

Acho essa história muito criativa. E tinham muitos mais detalhes, pois o Alex a contava durante um bom tempo, floreando e a enriquecendo. Não sei se foi o ele quem a criou, mas, sem dúvida foi quem mais a divulgou.

sexta-feira, fevereiro 01, 2008

O “caso” da réplica

Durante muitos anos tive um Dodge Polara, o popular Doginho. Comprei ele em 1981. Uma pechincha. Carrinho de madame –ainda por cima conhecida–, dois anos de uso, três mil quilômetros rodados, branquinho. Uma graça pra ninguém botar defeito. Além do mais, tinha ar condicionado, coisa rara na época. Era pegar ou largar. Peguei. E como o danadinho era bom, fui ficando com ele. Aliás, o veículo me acompanhou a Salvador e a Belo Horizonte.

Quando voltei ao Rio em 1988, deu vontade de trocar por um mais novo, apesar de que o bicho não dava oficina nem outros tipos de dor de cabeça. Mas, senti que era hora de mudar. Todavia, estava valendo muito pouco. Desisti. Achei que fazendo uma lanternagem, teria um carro novo, de novo. E tive. O Doginho parecia um carro “zero”. Assim fui ficando com ele até que me mudei pra Portugal em 1990, ocasião em que o vendi para o motorista da minha tia, que ficou feliz da vida com a compra por uma bagatela, de nem me lembro quanto, mas era o seu valor na época.

Porém, o fato que me marcou com o Doginho, foi uma reunião na VS em que alguém tocou no assunto e disse:

- O Jonga tem um Dodge Polara novinho em folha.

O Paulinho Costa, que estava na reunião, virou-se para o dito cujo e retrucou:

- O do Jonga não vale... aquilo é uma réplica!