quarta-feira, fevereiro 13, 2008

O “caso” da construção de uma marca

Depois de passar em um concurso para a criação de desenho promovido pela Sears Roebuck, Alex Periscinoto foi contratado pela mesma empresa como “desenhista” e fez as primeiras ilustrações da inauguração daquela loja no Brasil. Depois trabalhou no Mappin, outra famosa department store paulista, desenvolvendo anúncios e continuando as suas famosas ilustrações. Um dos publicitários que lançou no Brasil o conceito de dupla de criação, após uma viagem aos EUA, posteriormente, foi um dos fundadores da Almap (Alcântara Machado Publicidade).

Conheci o Alex na década de 1970, quando eu trabalhava na DeMello & Leonardo, uma pequena agência em São Paulo e resolvi circular pelo mercado visitando algumas outras, conhecendo profissionais que valessem a pena e pudessem me ajudar no início da carreira. Na ocasião também fiz contatos com o Neil Ferreira, o Petit e o Mauro Salles, figuras expressivas do mercado publicitário brasileiro. Talvez nenhum deles – com excessão do Mauro, com quem trabalhei tempos depois – lembrem-se disso, mas que os conheci, conheci.

Mas o Periscinoto conta uma historinha muito boa que já ouvi em diversas ocasiões, até em um programa na TV. Trata-se de um caso sobre construção de marca. Aliás, um caso bastante antigo. Certamente um dos que conseguiram maior sucesso de vendas através dos tempos. Tanto que está aí, no mercado, até nossos dias. Com todos os prós e contras.

É sobre a igreja e a construção de sua marca. Uma cruz. Nada melhor do que isso. Afinal, o símbolo da morte de Cristo. Mas, não bastando a escolha da logo, a estratégia de marketing estendeu-se a coloca-la no alto das igrejas. Naquele tempo, igrejas eram os pontos mais altos dos burgos, e, portanto, a sua marca seria vista de qualquer lugar do povoado, inclusive dos seus arredores. Um outdoor perfeito. Depois veio a necessidade de uma trilha sonora. E o sino foi a forma perfeita para anunciar. Um prenúncio do jingle, algumas centenas de anos antes da implantação do rádio e da televisão.

Acho essa história muito criativa. E tinham muitos mais detalhes, pois o Alex a contava durante um bom tempo, floreando e a enriquecendo. Não sei se foi o ele quem a criou, mas, sem dúvida foi quem mais a divulgou.

9 comentários:

Redatozim disse...

A iconoclastia, religiosa e política, é quase sempre muito impactante e bem pensada. O raciocínio do Alex é bem bacana mesmo.

Anônimo disse...

Conhecia essa historia do Alex Perescinoto. Também não sei se a autoria é dele, mas é muito boa.
A De Melo e Leonardo era a agencia do Zuza Homem de Melo, um dos maiores conhecedores de música deste país. Não sabia que vc tinha trabalhado com ele.
JR

Jonga Olivieri disse...

Uma das histórias mais bem boladas que já ouvi, meu caro Redatozim.
Pena que não consegui me lembrar de todos os detalhes com que o Alex a conta.

Jonga Olivieri disse...

Sim, a agência era a do Zuza mesmo.

Anônimo disse...

Um causo excelente este. Se você for considerar a logomarca está aí a séculos. E todos tem que admitir que foi um sucesso de vendas.
Otávio

Jonga Olivieri disse...

Pelo menos durante alguns séculos foi um sucesso de vendas.
Hoje, creio, a igreja romana está perdendo terreno.
Mas a marca continua crescendo com os "crentes" da vida. pelo menos é o fenômeno que observamos por terras tupiniquins.
Não sei da situação nos demais países.

Anônimo disse...

Muito bacana o caso contado pelo Alex Pericinoto. Genial .gostei.
Maria Bonita

Jonga Olivieri disse...

Essa turma vivida em publicidade, como o Alex, que presenciou tantas mudanças no mercado ao longo de uns 50 anos em que a profissão mudou da água pro vinho (e agora faz o sentido inverso!) tem muitas histórias interessantes pra contar.

Anônimo disse...

Uma das melhores histórias sobre estratégia de marketing que eu já li. O Alex está mesmo de parabéns!