segunda-feira, fevereiro 25, 2008

O “caso” do paralítico

Lembro-me que certa ocasião em Portugal, tive uma das discussões mais surrealistas com dois estagiários da agência sobre como se pronunciava a letra “agá” em inglês. Cheguei à conclusão que eles, os portugueses, têm o ouvido diferente do nosso. Não é possível, mas eles acham que o “agá” em inglês é mudo, ou seja: help por exemplo é “élp”. Não é à toa que lá as marcas Honda e Yamaha são pronunciadas como “onda” e “iamaá”.

Conclui que os ouvidos deles ouvem diferente dos nossos. Mas a coisa não para por aí. Existe uma xenofobia lingüística (que é ilusória) e que acusa, a nós brasileiros, de usar palavras estrangeiras em excesso. E quando digo que é ilusória, naturalmente a afirmação está baseada em três anos de convivência com termos como account, para designar contato (atendimento), ou copywriter para se referir a redator. Fato que até já contei em caso anterior publicado neste mesmo blog.

Mas uma expressão lusitana que me deixou desconcertado ocorreu no dia em que eu estava em uma ilha de edição numa produtora em Lisboa, o diretor levantou o braço e exclamou: “... entra com um paralítico!”. Juro que fiquei meio que pasmo. Por alguns instantes procurei para ver se tinha algum deficiente físico próximo a nós. “Mas, afinal, o que significa isso?”, pensei com os meus botões. Fiquei inibido em perguntar o que significava aquilo. Não fazia o menor sentido mesmo. Pus-me a observar cada gesto ou ação com extrema atenção, e, algum tempo depois, veio a resposta. Paralítico por terras d’além mar é nada mais nada menos do que frisar (paralisar) a imagem.

Tenho que admitir que neste ponto, lá à sua maneira, os “patrícios” pelo menos usam uma palavra portuguesa. Com certeza!

10 comentários:

Anônimo disse...

Gosto demais dos seus casos lusitanos. Olha, parece mesmo que eles falam outra lingua. Essa do paralítico já haviam me contado. Alguem que andou por lá. Mas é muito boa. E o negócio do ÉLP, é s´o ouvir a canção dos Beattles. Devem escutar diferente, como dissestes. Ora pois.
Otávio

Jonga Olivieri disse...

É, essa dp "paralítico", pessoas que também moraram em Portugal e participaram de filmagens jamais vão esquecer. È demais...

Anônimo disse...

Ai esses patrícios. São fixes, o pá!
JR

Anônimo disse...

Boa essa!
FCF

Anônimo disse...

Estou me lembrando do caso do sutor que você contou e que eu achei muito divertido. As vezes a lingua lá parece outra.
Maria Bonita

Jonga Olivieri disse...

E é outra, Mary, realmente uma outra língua, sem dúvida nenhuma...

redatozim disse...

Muito boa essa, Don Oliva,rachei de rir aqui.

Jonga Olivieri disse...

É isso aí, Redatozim, aquela terra tem cada coisa que me faz rir até hoje só de lembrar.

Anônimo disse...

Juro que passei por uma experiência quase idêntica em Portugal. Fiquei por alguns minutos completamente confusa, sem saber explicar o que acontecia, quem era o tal do paralítico. Até cair a ficha foi uma parada. Depois são risos. Ah, esses lusitanos!

Jonga Olivieri disse...

Mais uma... quem viveu, viu!