segunda-feira, março 31, 2008

O "caso" da camiseta

Tinha chegado recentemente a Portugal. Estava me adaptando a novos colegas de trabalho, a um novo ambiente, a um tudo novo, afinal... era um outro país, outro povo, além mar, cujas maiores semelhança eram falar uma “língua muito parecida” e assistir novelas brasileiras. Aliás, em Portugal foi a única ocasião em que admiti assistir alguns capítulos de novelas, porque assim eu matava as saudades da terrinha do lado de cá do Atlântico.

O fato, ou melhor dizendo, o “facto” é que quando tinha uns dez dias lá, alguns colegas me convidaram para tomar uma cervejinha na casa de um deles. Foi animado. E com um detalhe: tomei um porre de sair carregado, porque a cerveja portuguesa tem um teor alcoólico bem mais forte do que a nossa. E eu abusei da excelente Super Bock, cerveja que aliás era motivo de orgulho para os “tripeiros” (1), por ser fabricada no Porto.

Foram ao festivo encontro o Mário, o Simões e o Brito (2), dono da casa, além de mim e do Orlando, o redator brasileiro que era o meu parceiro na criação da Opal. Na ocasião, o Brito falou que estava imprimindo umas camisetas para comercializar. Aliás, no seu apartamento – que não era muito grande – notei o equipamento de silk instalado. Só não vi como eram as peças, até porque ele não mostrou.

Duas semanas depois, estávamos na agência e vejo o Brito feliz da vida. Só faltava estar sapateando. Ria à toa. Depois de algum tempo ele me contou o motivo de tamanha alegria. Tinha tido uma idéia, a executou e deu certo. Com a ida do papa a Fátima ele e o Mário tinham planeado (3) imprimir umas duas mil camistas com a inscrição: “Eu vi o Papa em Fátima” e a data do aconteciemnto embaixo. Levaram numa van (que lá eles chamam de “carrinha”) e venderam tudo, chegando ao ponto de terem se arrependido de não terem feito uma maior quantidade.

É o que eu sempre digo: as boas idéias são simples, óbvias e estão na cara da gente. É só saber aproveita-las.

(1) Quem nasce no Porto, o portuense, também é conhecido por tripeiro.

(2) Sinal dos tempos e dos neurônios que a gente vai queimando, inventei este nome porque não me lembro de como ele se chamava. Até porque ficou pouco tempo na agência, tendo saído para uma outra logo depois.

(3) “planejar” é “planear” na linguagem local.


Nota ao pé da página: em 21/04/2008 recebi um e-mail de um leitor de Portugal, que preferiu não se identificar, mas lembrou que o nome do personagem principal deste caso é Barros e não Brito. Agradeço a sua colaboração.

18 comentários:

redatozim disse...

Camiseta eu sou bom é de comprar.

Jonga Olivieri disse...

Aliás, Redatozim, este "caso" dismistifica aquela velha história de que português é burro.
O cara foi muito oportunista, no bom sentido.

Anônimo disse...

Esse é um portuga muito vivo, isso sim.
Otávio

jr disse...

Este caso é um exemplo da criatividade usada para o próprio lucrar (e não o patrão).
Eu sempre achei os criativos muito poetas demais. Queimam a ‘mufa’ para criar uma campanha para um cliente, mas não vêem que podem criar negócios para eles mesmo.

Jonga Olivieri disse...

Taí, JR, eu tinha um dupla, o Carlinhos, que vivia dizendo exatamente isso que você falou.
"A gente cria 'fortunas' para os clientes e os patrões, e não dedica tampo nehum a criar uma fonte de lucros para nós mesmos", dizia ele, sempre.
E tinha toda a razão do mundo.

Anônimo disse...

Gente! Um português inteligente. E isso existe desde quando?
Brincadeirinha, aqui em Fortaleza mesmo tem vindo muitos portugueses, e olha só, conheci um gato a dois anos, que sai da frente.
Maria Bonita

Jonga Olivieri disse...

Ai, que fixe! Quere dizeire que a m'nina Maria conheceu um guetinho. E el's sab'm lá uó qui ié iiisto de guetinho?

Anônimo disse...

O pior é que sabem. E como!
Maria Bonita

Anônimo disse...

Oportuno mesmo o "portuga". Gostei de ver. São ações assim que geram dinheiro.
Mas, van é mesmo "carrinha"? Na minha opinão seria apenas o feminino de carrinho. Ora pois, pois! Esses lusitanos!
Cantídio Tarsitano

Jonga Olivieri disse...

Eu também sempre achei "carrinha" um termo muito engraçado...

Anônimo disse...

Um amigo me contou:

Você foi o grande responsável pela guinada da Opal Publicidade. Quando chegou lá era uma agência sem estrutura e sem personalidade. Depois de sua permanência de mais de 3 anos à frente da Direção Criativa, ela mudou muito. Para melhor.

Hoje ela é uma grande agência portuguesa, com certeza. Aliás, quem quiser acessar a Opal Publicidade na internet, há um Boletim Informativo interessante.

O endereço é: http://www.grupopal.pt/

Abelardo S. Cardoso

Jonga Olivieri disse...

Então você conhece alguém que me conheceu em Portugal?
Quem foi? Afinal, Abelardo (que não é o Barbosa), mas o Cardoso, quem é você?
Bom, obrigado pelo endereço da Opla na web. Até pouco tempo eles só tinham e-mails.

Anônimo disse...

Engracado este causo. E a primeira piada de portugues inteligente que eu leio. Ora, pois pois!

Desculpe a falta de acentos, mas da ultima vez eu passei o e-mail da minha casa, onde tenho um computador com configuracao brasileira e hoje estou no trabalho. Aqui nao tem.

Anonymous
New York

Jonga Olivieri disse...

Achei mesmo estranho que da última vez que me passaste um e-mail estava com acentos.
Desconfiei (e continua a...) até ser um anônimo se dizendo nos EUA, mas na verdade morando aqui no Rio, etc, etc.
Quanto à piada, esta é verdadeira. E tem mais português inteligente do que imagina a nossa vã filosofia.
Falar nisso, mandou o meu abraço para o Victor?

Jonga Olivieri disse...

Em tempo, para quem quiser mais informações sobre a Opal publicidade, consegui o endereço da sua homepage:
http://www.opalpublicidade.pt/home.htm
Bom proveito...

Jonga Olivieri disse...

O Victor Lemos, um dos melhores diretores de arte que conheci, é português de Lamego. Aliás, conheci esta bela cidade quando lá morei.
Mas o Victor, tinha uma sacada muito boa. Um sujeito fino, irônico, toda vez que lagum de nós, brasileiros fazia uma cagada, ele exclamava calmamente:
"...e depois, o português dou eu!"

Anônimo disse...

Caro Jonga
Não nos conhecemos, pelo menos não tive esse prazer, mas o Brito que se refere era o Barros
Agora dizer que transformou numa grande agência, aí meu amigo discordo porque na parte criativa aquilo nunca foi uma grande agência mas sim uma máquina de fazer lobies onde a criação vai para segundo plano.
Tiro o chapeu ao vosso esmerado esforço e de todos os brasileiros que lá passaram,Casos do Márvio, Paulo Resende, Irene, Orlando,Renato,Celso etc.Mas não mudou nada.Continua a mesma postura

Jonga Olivieri disse...

Caro Anônimo de Portugal,
Obrigado pela dica. Os neurônios vão a queimar com o tempo, e, o Barros (eu me lembrava que era com “B”) saiu poucos meses após a minha chegada à Opal. Daí esta confusão.

Mas, parece-me que estiveste lá na Opal àquela época, tal a quantidade de pessoas que conheceu. Como o paulo e a Irene, que saíram mais ou menos ao tempo em que retornei ao Brasil.

Quanto à agência, ao ver o site na web, achei que tem uma carteira de clientes bem diversificada.
Em todo o caso, obrigado, por mim e por todos os brasileiros pelo reconhecimento ao nosso esforço e trabalho de dar um ‘upgrade’ na Opal.

No quesito ‘lobbies’, infelizmente não conheço agências que tenha tido sucesso que não o tivessem usado. Até a DPZ, para mim o exemplo de todas as de todos os tempos.

Abraços

...e da próxima vez, diga quem é, ou mande um comentário com seu endereço na ‘web’. Como já fiz em outros casos, prometo não divulga-lo no blogue.