terça-feira, março 25, 2008

O mais difícil é aprovar

Aprovar uma idéia. Para quem não trabalha em publicidade, fica difícil avaliar o quanto é importante – e por vezes difícil – no processo de uma campanha, de um anúncio. Ou de um simples folder. Mas o que acontece é que a gente cria com carinho, empenho, tentando sempre transcender o briefing, mas, naturalmente respeitando questões inerentes a ele, como público-alvo, verba, estratégia de mídia. E muitos outros detalhes.

O problema é que apresentações, nos moldes clássicos são feitas pelo atendimento (1). O contato – que é o profissional da área – leva o resultado do esforço de uma equipe, e, às vezes não está preparado para vender aquela idéia. Presenciei tantos que nem sequer procuravam se informar com os criativos alguns detalhes que levaram aos caminhos a que se chegou. Pior, um dia fui a uma apresentação e o “sujeitinho” jogou a peça na mesa do cliente dizendo algo do gênero: “aqui está o seu anúncio”. Sem uma introduçãozinha, uma piada, sem um “quê” qualquer que criasse um clima favorável.

Hoje, como frila que sou, tenho meus clientes diretos. Sou o criativo e também o atendimento. Mas, sempre dou uma esquentada, crio alguma expectativa para que a coisa não corra ao “deusdará”. Isso é muito importante. Assim, aprovo 98% dos trabalhos que faço. Claro que os 2% restantes sempre são cartões de natal, a peça mais complicada para se acertar de primeira. Costumo até me referir a qualquer outro trabalho que emperre, que ele está sofrendo da “síndrome do cartão de natal”.

Sempre que falo em apresentações de sucesso me recordo da aprovação do “Garoto Bom Bril”. Embora não tenha visto, fico a imaginar o quanto foi importante a participação de um bom atendimento naquela aprovação. Veja bem, há trinta anos atrás, alguém convencer um cliente que ao invés de usar uma modelo bonitinha, uma dona-de-casa, ou mesmo uma empregada doméstica do tipo “Tia Anastácia” para vender um produto de cozinha, tinha que ser muito bom. Principalmente porque o garoto-propaganda seria o “anti-tudo isso”. O resultado está aí até hoje. Um dos maiores sucesso de vendas, e um recorde absoluto de tempo como personagem em campanhas publicitárias.

Por essas e outras, um fotógrafo amigo meu tinha uma máxima da qual nunca me esqueço. Ele sempre dizia que conhecia muitos atendimentos; uns 150 boys de luxo e apenas dois ou três contatos. E isso é verdade.

(1) Hoje é muito comum as agências colocarem estagiários para atender contas. Quando eu digo atender, não é como assistente, mas como responsável pelo cliente. Conheço uma pequena agência que perdeu um cliente importante devido a esta completa falta de tática e estratégia.

13 comentários:

jr disse...

Ainda bem que com toda a certeza eu estou entre os três ou quatro que seu amigo fotógrafo (quem é?) apontou como CONTATOS e não BOYS DE LUXO.

Jonga Olivieri disse...

Com certeza JR, com certeza...

redatozim disse...

E como um contato bom faz diferença. É impressionante.

Jonga Olivieri disse...

Um bom vendedor, consegue convencer um cliente de tudo.
Quando eu me refiro a Bom-Bril, é porque deve ter sido uma parada convencer os caras a adotar um anti-herói.
É preciso ter uma puta duma lábia.

Anônimo disse...

PElo que vocês falam, atendentes são o problema nas agências. pelo menos ao longo de tantas e tantas postagens vejo que o mais difícil mesmo é aprovar a qualqiuer idéia.
Otávio

Anônimo disse...

Concordo que não deve ter sido muito fácil convencer o cliente daquela virada, apesar da campanha da BomBril, representou mudanças comportamentais da época.
As mulheres começavam então a valorizar mais os homens com um lado tímido em detrimento daquele machão esteriotipado.
O melhor foi que logo após a primeira aparição, o público consagrou o personagem.
A campanha da Bom Bril consta no Guinness Book como a série de publicidade mais longa do mundo, atingindo a marca de 344 filmes.
E se na mídia eletrônica a fórmula já era um sucesso, em 1997 ela se consagrou também na mídia impressa com temas sempre atuais como Monica Lewinski, o Papa, Pelé e “Che” Guevara nas contra-capas de revistas.
Cantídio Tarsitano

Jonga Olivieri disse...

Tavinho, gostei do "atendentes". Você está confundindo agência de propaganda com hospital?
A palavra certa é "atendimento", sô!!!

Jonga Olivieri disse...

Bem lembrado. Os anúncios de Bom-Bril com o Caerlos Moreno são excelentes.
Aliás, a campanha toda, da DPZ à W/Brasil é irretocável. Uma das melhores que já se fizeram em todos os tempos...

Anônimo disse...

Nossam boy de luxo é muito depreciativo.
Maria Bonita

Jonga Olivieri disse...

Boy de luxo depreciativo?
E "garoto de recados", "leva-e-trás", "sim senhor!" ou "yes bwana".
São outros apelidos que estes contatos que não cumprem suas funções com o mínimo de empenho e tesão recebem.
E muitos merecem mesmo.

Danny Falabella disse...

OK, sempre li e nunca me atrevi a colocar um comentário por que não me achava á altura de escrever num blog de um cara tão experiente e competente na área...mas hoje eu senti necessidade por que me identifiquei com a experiência que vc vive pois sou freela por opção desde que tive minha filhota a 4 anos atras. E notei, assim como vc, que meu ínidce de aprovação e muito alto justamente por que faço como vc - vou lá e defendo o que criei. Aliás, Jonga, a gente como freela faz de quase tudo né? Eu digo quase por que trabalho em sistema de parceria com alguns profissionais da áera (nãome atrevo a fazer textos)e isso ajuda a manter clientes maiores e importantes.É frustrante mesmo ver boys de luxo (e maioria das vezes "gostosas" - apenas isso - indo apresentar job com ares de fatal). Já aconteceu comigo de ter que ir com a "atendimento gostosa" defender uma peça para um cliente ultra blaster importante da agência que já havia voltado para ser alterada umas 10 vezes...não tô me gabando. quem sou eu..tenhoq ue comer muito feijão pra chegar lá... mas que a coisa foi aprovada foi...coincidência? o cara tava de saco cheio? sei não..ele só queria ouvir uma justificativa..uma defesa.só isso.

bem, no mais eu adoro este blog aqui e mesmo que vc não tenha tantos causos coloque suas experiências vividas de vez em quando, mesmo como freela, pois tenho certeza que serão interessantíssimas vindo de um profissional como vc!
um abração

Jonga Olivieri disse...

Danny,
Tenho um carinho e grande admiração pelo seu pai que é um diretor seguro, e que muito me ajudou na fase da ASA, aí em Beagá, quando pela primeira vez fui diretor de criação.
Gostei muito de suas observações acerca das “gostosinhas” do atendimento. No caso as “gogo girls de luxo”. hehehe
Ontem mandei para o blog do Maurilo as dicas para o programa de conversão de fontes de PC para Mac e vice-versa. O Rodrigão, que é o diretor de arte que mais entende de computador que eu conheço me passou.
Em todo caso, segue aqui novamente: Crossfont http://www.acutesystems.com/ Espero que dê tudo certo.
Tira uma dúvida: você trabalhava numa produtora (que não me lembro o nome) quando trabalhei aí em Belzonte (aliás com o Maurilo) em 1999/2000? Se for a mesma eu a conheço.
Desculpe perguntar, mas não sei quantas filhas o Rogério tem ao todo.

Jonga Olivieri disse...

E Danny, obrigado pelos elogios ao meu blog.
Realmente tenho postado pouca coisa, mas procuro sempre publicar algo que ache que valha a pena...