quarta-feira, maio 28, 2008

Adeus, Contemporânea...

Infelizmente a Contemporânea acabou. Pelo menos da forma que a conhecíamos, do jeito que foi, carioca da gema, uma agência que estava no mercado há mais de vinte anos. Vai ser substituída pela Euro RSCG Contemporânea, onde continuará o seu nome. No seu caso, o da Euro aparecerá na frente, de forma completamente oposta a outras empresas do grupo, como a Joy Euro RSCG e a Carillo Pastore Euro RSCG, por exemplo.

Mas é triste para o mercado carioca mais esta perda. Após o fechamento da VS, há dois anos atrás, nos deparamos agora com o final da agência dirigida por Mauro Matos, Armando Strozemberg e José Calazans. Agência na qual trabalhei por mais ou menos dois anos, tendo sido seu quase fundador nos idos de 1984. Bons tempos da avenida Pasteur, naquela tranqüilidade da Urca. Época das Liquidações do Lápis Vermelho para o Barrashopping, das campanhas da Sapasso e tantas outros momentos memoráveis que ficaram gravados na memória da propaganda brasileira, da carioca em particular.

Sua decadência já era visível há algum tempo, acentuando-se com a saída de profissionais – em torno de dois anos atrás – do peso de seu diretor de criação José Guilherme Vereza, de um excelente redator como João Bosco, o mineiro mais carioca do mundo, ou um diretor de arte do naipe do Rodrigo Rosman. Mas, pelo menos desta feita continuará alguma coisa. Descaracterizada, mas propiciando direcionamento aos profissionais que ainda insistem em permanecer tentando saídas neste vilipendiado mercado carioca. Mercado?

sexta-feira, maio 16, 2008

O “caso” do Relatório Anual

Têm certas coisinhas difíceis dentro de uma agência de publicidade. Uma delas é justamente identificar o autor da idéia de uma campanha, um anúncio, porque enfim... existem momentos em que a própria dinâmica de um brainstorm, por exemplo, embaralha as palavras e as coisas. E a gente acaba se confundindo quanto a quem realmente disse isso ou aquilo.

Quando comecei em publicidade, a ingenuidade me prejudicou muito. Eu simplesmente tinha uma idéia e comentava com algum colega. Claro que conheci muita gente que jamais se aproveitou disso. Mas, em compensação, tem cada coisa por aí, que sai da frente. Por vezes fui surpreendido com a idéia que eu havia confidenciado a algém, já consagrada e com um outro autor devidamente reconhecido.

Não quero com isso me gabar e dizer que toda idéia que tenho é do cacete. Nada disso, no decorrer de um processo criativo, a gente as vai tendo e descartando em profusão. Faz parte da dinâmica. Trabalhei numa agência que fazia reuniões de criação todas as quartas-feiras. Mas só às quartas-feiras mesmo. Era um hábito meio doido, mas, idéia de um dos donos, um doidivanas que achava isso o máximo em estratégia. Chegava a ser estressante. Começávamos pela manhã, ali mesmo, na sala de reunião pedíamos um lanche e continuávamos até o fim do expediente.

Numa dessas reuniões, um colega cismou com a idéia que tive para um Relatório Anual para um cliente. Era um “risque-rabisque” acoplado ao relatório. Ele tentou derrubar até onde não podia mais. Não conseguiu porque era o único que desaprovava a idéia. Foi apresentada, o cliente aprovou e a peça foi produzida. Ficou, modéstia a parte muito linda. Com orgulho a coloquei no meu portfólio. Certa feita alguém* me contou que aquela peça estava queimada. Em outras palavras, o “opositor” simplesmente havia apresentado o relatório/risque-rabisque em outra agência como sendo de autoria dele. Resumo da ópera: com pesar tirei a peça do portfólio.

Bom, às vezes acontecem coisas assim no lado “mundinho” da propaganda.

(*) O pior de tudo isso é que nunca pude saber se foi verdade mesmo. O sujeito que me contou a história comprovei depois nõa ser um bom caráter. Já o que ele acusou de ter colocado a peça no portfólio eu confiava e admirava como criativo. Mas, por ia das dúvidas, antes prevenir do que remediar...

sábado, maio 03, 2008

Usou, gamou

Antes de mais nada, é necessário que se saiba que houve um tempo em que se usavam fotoletras e fotocomposições* para se montar uma peça publicitária. Quem começou do final dos anos 90 para cá, não tem idéia do que era aquilo, mas foi uma época em que o nosso trabalho era todo realizado de forma artesanal. Havia, pra começo de conversa, a marcação de leiaute e no final de contas, a montagem (pasteup), a cola de borracha e muito, mas muita “ralação” mesmo.

Hoje, joga-se o texto no computador, não coube em corpo 14, reduz-se, amplia-se a fonte até chegar ao ponto que desejamos. Easy, boy! Naqueles tempos, a produção de um texto tinha que ser toda calculada nos catálogos. Tanto nos de fotoletras quanto nos de fotocomposição, o cálculo tinha que ser exato. Em caso de recortes de texto fazia-se um espelho em papel manteiga para determinar como o texto deveria correr. E geralmente este trabalho era realizado pelo produtor gráfico em parceria com o diretor de arte.

Em casos de frilas, a gente tinha que fazer o trabalho inteiro. Desde a marcação do leiaute (mancha), com as canetinhas e os marcadores, os pincéis e as tintas (guache, ecoline, nanquim) até à montagem final (o pasteup). A “mancha” tinha toda uma técnica especial. Eram necessários alguns anos de aprendizagem nas agências para se adquirir uma certa expertise na coisa. O conhecimento de desenho ajudava, e muito, numa boa realização do produto final. Eu mesmo, entrei para o ramo porque gostava de desenhar.

E por falar em produção gráfica, quando eu trabalhei em São Paulo tinha um fornecedor de fotoletras e fotocomposição que se chamava “Alfabeta”. E o seu slogan ficou para sempre gravado em minha memória: “Quem usa Alfabeta, gama”.

(*) A bem da verdade, eu comecei (nos anos 60) e ainda nem tínhamos fotoletra e fotocomposição. Na época, as letras eram desenhadas para os títulos. Na McCann, por exemplo, trabalhava conosco o Humberto (Tatu), um dos melhores letristas que conheci. A gente localizava uma fonte no “Advertising Age”, por exemplo, e ele a copiava. A fotocomposição à época era o linotipo ou ainda muitas vezes a velha composição de caixa, tal e qual Gutemberg havia criado. Pode parecer primitivo, mas era muito romântico...