sexta-feira, maio 16, 2008

O “caso” do Relatório Anual

Têm certas coisinhas difíceis dentro de uma agência de publicidade. Uma delas é justamente identificar o autor da idéia de uma campanha, um anúncio, porque enfim... existem momentos em que a própria dinâmica de um brainstorm, por exemplo, embaralha as palavras e as coisas. E a gente acaba se confundindo quanto a quem realmente disse isso ou aquilo.

Quando comecei em publicidade, a ingenuidade me prejudicou muito. Eu simplesmente tinha uma idéia e comentava com algum colega. Claro que conheci muita gente que jamais se aproveitou disso. Mas, em compensação, tem cada coisa por aí, que sai da frente. Por vezes fui surpreendido com a idéia que eu havia confidenciado a algém, já consagrada e com um outro autor devidamente reconhecido.

Não quero com isso me gabar e dizer que toda idéia que tenho é do cacete. Nada disso, no decorrer de um processo criativo, a gente as vai tendo e descartando em profusão. Faz parte da dinâmica. Trabalhei numa agência que fazia reuniões de criação todas as quartas-feiras. Mas só às quartas-feiras mesmo. Era um hábito meio doido, mas, idéia de um dos donos, um doidivanas que achava isso o máximo em estratégia. Chegava a ser estressante. Começávamos pela manhã, ali mesmo, na sala de reunião pedíamos um lanche e continuávamos até o fim do expediente.

Numa dessas reuniões, um colega cismou com a idéia que tive para um Relatório Anual para um cliente. Era um “risque-rabisque” acoplado ao relatório. Ele tentou derrubar até onde não podia mais. Não conseguiu porque era o único que desaprovava a idéia. Foi apresentada, o cliente aprovou e a peça foi produzida. Ficou, modéstia a parte muito linda. Com orgulho a coloquei no meu portfólio. Certa feita alguém* me contou que aquela peça estava queimada. Em outras palavras, o “opositor” simplesmente havia apresentado o relatório/risque-rabisque em outra agência como sendo de autoria dele. Resumo da ópera: com pesar tirei a peça do portfólio.

Bom, às vezes acontecem coisas assim no lado “mundinho” da propaganda.

(*) O pior de tudo isso é que nunca pude saber se foi verdade mesmo. O sujeito que me contou a história comprovei depois nõa ser um bom caráter. Já o que ele acusou de ter colocado a peça no portfólio eu confiava e admirava como criativo. Mas, por ia das dúvidas, antes prevenir do que remediar...

22 comentários:

jr disse...

Como vi casos assim na minha vida. "Mamadas" de colegas dentro da agência, uma falta de ética e escrúpulos. Mas, apresentar a idéia como dele depois de ser contra, foi demais.

Jonga Olivieri disse...

Essa foi mesmo demais da conta, hem JR?

Anônimo disse...

Nao tenho como enumerar coisas semelhantes ao longo de minha trajetoria pela publicidade!

Anonymous
New York

Jonga Olivieri disse...

Acontece nas melhores agências...

Walter Siqueira disse...

Se são tão comuns oportunistas e aproveitadores em outras profissões, imagino em publicidade.
Porque afinal de contas, vocês trabalham com idéias.
Walter Siqueira

Jonga Olivieri disse...

É justamente aí que "mora o perigo"!

Fábio Buddy disse...

É, tá cheio de "Narcisos Porpetas" pelos caminhos da vida!
Fábio Buddy

Jonga Olivieri disse...

É isso aí, Fabinho...

Anônimo disse...

Para não ir muito longe, houve o famoso caso da "Malt 90" aí no Rio de Janeiro.
Cantídio Tarsitano

Jonga Olivieri disse...

Bem lembrado Cantidio.

Anônimo disse...

Bem lembradíssimo este caso da Malt90 envolvendo os dois Fábios do mercado carioca de então, o Lopes Siqueira e o Fernandes.
Abelardo

Jonga Olivieri disse...

Tarsitano e Abelardo se referem ao premiado filme da "Malt 90", veiculado pela Artplan, que o Lopes Siqueira jurava ter sido "chupado" por seu 'Xará' Fernandes de uma idéia originalmente sua para outra marca de cerveja.

Anônimo disse...

O que sem dúvida gerou polêmica e controvérsias.
A "bichona" e o "afetado" se degladiaram, mas afinal a que conclusão se chegou? Há-hááiiii!
E.M.

Jonga Olivieri disse...

Gostei do "bichona" e do "afetado". E.M., voc~e tem um grande senso de observação...

Leonardo disse...

Casos de apropriação indébita. Quantas vezes assiti essa vergonha dentro de agências de publicidade, dentro de departamentos de marketing de empresas.
Infelizmente acontece a 3 por 2.
Leonardo

Jonga Olivieri disse...

O que tem de gente que "gozou com o pau dos outros", sai da reta!

Anônimo disse...

Jonga, se isso se desse so na pulicidade...Mas na universidade é a mesma coisa....
Eliana

Jonga Olivieri disse...

Sim, Eliana querida, em todos os setores da atividade "humana" acontecem coisas assim. Onde quer que idéias existam, serão "chupadas" pelos oportunistas e sem caráter...

Anônimo disse...

Poderia ser o "Caso do RALATÓRIO Anual", porque RALAR você RALOU, mas o outro só se aproveitou.

Passos Dias Aguiar

Jonga Olivieri disse...

Amigo Trocadalho, gostei da piada. Valeu!

Rodrigo disse...

Uma vez, um indivíduo apresentou como dele, um folhetinho que eu havia feito. O engraçado é que o gaiato não tinha reparado que no folheto estava escrito, bem pequenininho, no canto, o seguinte crédito: Direção de arte: Rodrigo Rosman.

Esse detalhe não passou despercebido pelo entrevistador, que, por acaso, era conhecido meu...

Jonga Olivieri disse...

Mas que dói, lá isso dói.
Eu me lembro de uma campanha que fiz para a Alitalia com o Vic na L&M.
Apresentei uma ou duas vezes esses trabalhos que eram bons. Mas sempre dizia que foi feita a quatro mãos.
Assim que pude, tirei do portfólio.
Aquilo me incomodava.