sexta-feira, agosto 29, 2008

Uma grande idéia... ou uma grande bosta?

Esta pergunta foi muito usada pela minha geração de publicitários. Nos tempos em que ainda éramos publicitários, claro! Ela surgia em meio a uma reunião de criação – de uma dupla ou de um grupo – e , obviamente ilustravam uma dúvida muito grande quando aparecia uma nova proposta; aparentemente “ousada”. Será?, perguntávamos. Sim, porque o elo que separa uma coisa da outra é muito tênue. Muito sutil mesmo.

E para isso, tínhamos uma série de outros posicionamentos para julgar. Como o briefing, ou o público-alvo. Como a razão de ser de um comercial, anúncio ou fosse lá o que fosse. A quê ele se propunha ou o quê deveria alcançar. Esse espírito crítico nos levava a diferenciar a fronteira entre as duas coisas.

Acontece que quando ligo a televisão nos dias de hoje, fico pasmo. Vejo cada “coisa” no ar que me deixam simplesmente estupefato. Fico de fato me perguntando por quê exigíamos tanto de nós mesmos. Daí, chego a uma conclusão mais ou menos óbvia: não se fazem mais diretores de criação com antigamente. Cabia ao dito cujo questionar uma dupla criativa em algum momento de “alucinação” a se posicionar frente ao produto, ou o mercado. Eu estou achando que isso acabou. Ou mudou radicalmente.

Pelo menos a famosa pergunta, creio, está sendo menos aplicada. E as “merdas” vão pro ar de forma descarada e/ou deslavada. Saudosismo? Talvez. Estou ficando velho? Certamente. Mas, uma coisa é certa: ainda sei diferenciar uma grande idéia de uma grande bosta. Ah, lá isso eu sei!