sexta-feira, agosto 29, 2008

Uma grande idéia... ou uma grande bosta?

Esta pergunta foi muito usada pela minha geração de publicitários. Nos tempos em que ainda éramos publicitários, claro! Ela surgia em meio a uma reunião de criação – de uma dupla ou de um grupo – e , obviamente ilustravam uma dúvida muito grande quando aparecia uma nova proposta; aparentemente “ousada”. Será?, perguntávamos. Sim, porque o elo que separa uma coisa da outra é muito tênue. Muito sutil mesmo.

E para isso, tínhamos uma série de outros posicionamentos para julgar. Como o briefing, ou o público-alvo. Como a razão de ser de um comercial, anúncio ou fosse lá o que fosse. A quê ele se propunha ou o quê deveria alcançar. Esse espírito crítico nos levava a diferenciar a fronteira entre as duas coisas.

Acontece que quando ligo a televisão nos dias de hoje, fico pasmo. Vejo cada “coisa” no ar que me deixam simplesmente estupefato. Fico de fato me perguntando por quê exigíamos tanto de nós mesmos. Daí, chego a uma conclusão mais ou menos óbvia: não se fazem mais diretores de criação com antigamente. Cabia ao dito cujo questionar uma dupla criativa em algum momento de “alucinação” a se posicionar frente ao produto, ou o mercado. Eu estou achando que isso acabou. Ou mudou radicalmente.

Pelo menos a famosa pergunta, creio, está sendo menos aplicada. E as “merdas” vão pro ar de forma descarada e/ou deslavada. Saudosismo? Talvez. Estou ficando velho? Certamente. Mas, uma coisa é certa: ainda sei diferenciar uma grande idéia de uma grande bosta. Ah, lá isso eu sei!

14 comentários:

jr disse...

Há mais de uma semana você postou e eu nem sabia. Também você tem publicado pouco ultimamente e tinha tempo que eu nem checava como andavam as coisas neste blog.
Bom, concordo com você. Hoje tem muita coisa ruim (ou sofrivel) por aí. Mas tenho visto coisas boas noa ar. Como essa campanha doa quatro anos motivando o bom voto.

Jonga Olivieri disse...

É uma boa campanha. principalmente as peças do sapateado e do celular me agradam muito.
Detalhe: tem o dedo de Olivetto. A campanha é da W/Brasil...

Anônimo disse...

Gostei de "nos tempos em que ainda éramos publicitários". Essa é boa.
Otávio

Jonga Olivieri disse...

É é boa mesmo, porque é a pura verdade.
Hoje não vejo mais campo dentro das agências, e, embora tenha alguns pequenos clientes não tenho a menor intenção de criar uma empresa na área.
Tudo mudou demais. E pra pior!

Anônimo disse...

Estou meio por fora da publicidade no Brasil, mas aqui tambem estamos numa fase nao muito criativa.
Sera uma crise geral?

Anonymous
New York

redatozim disse...

O Oliva voltou! O Oliva voltou! E nem avisou. Belo posto, meu caro.

Jonga Olivieri disse...

Então a crise deve ser geral!

Jonga Olivieri disse...

Arranja-se um tempinho para postar de quando em vez...

Anônimo disse...

Achei muito oportuna esta sua matéria.
Olha, a criatividade anda mesmo precisando uma sacudida geral.
A coisa está muito fraca. Tá certo que de vez em quando a gente vê alguma coisa que preste, mas via de regra... grandes bostas!!!
Cantídio Tarsitano

Jonga Olivieri disse...

É o que digo caro Cantídio. No nosso tempo (1) era bem diferente.
Sei não, mas é tanta merda rolando. Às vezes com putas verbas...
Mas a ressalva vale. tanto que quando a gente vê alguma coisa boa, quase bate um apunheta!

(1) É saudosismo mesmo. Com 63 anos, me aposentando, não me considero um velho, mas estou mais longe ainda de ser um garoto.

leonardo disse...

Discordo quando você diz que não é mais publicitário. Conheço o seu trabalho e sei o quanto ele tem qualidade até hoje.
Mas concordo quando diz que essa geração de criadores é bem fraquinha. E olha que tem boas verbas nas mãos.
Leonardo

Jonga Olivieri disse...

Quando digo isso é uma certa forçada de barra, porque não me identifico com os novos criativos que estão por aí.
E, obrigado Leonardo, pelo elogio.

Selma Trigueiros disse...

Como é que pode a margem entre a grande idéia e a grande ***** ser tão tênue?
Na minha santa ignorância no assunto não poderia jamais imaginar uma coisa dessas.
Selma

Jonga Olivieri disse...

É um fiozinho de cabelo mesmo!