segunda-feira, setembro 29, 2008

O celular e o sapateado

Há algumas pérolas que sobrevivem. Ou resistem. Também, se não são do próprio, pelo menos foram criadas na agência dele. Digo, do Olivetto. E onde tem o dedo do Washington, tem ouro. Que nem Midas... por isso sou até hoje seu fã de carteirinha.

O fato é que essa campanha da responsabilidade do voto é simplesmente ducacete mesmo. Tenho minha particular preferência pelo filme do sapateado que é simplesmente fora de série. A expressão patética do personagem na hora do casamento, a sapatear, nervoso, sem saber se olha pro padre ou para a noiva é uma das melhores coisas a que jamais assisti.

Mas, tem também a do celular. Gente, o quê que é aquilo? O sujeito debulhando em lágrimas toda vez que ouve o toque do seu telefone é demais. Uma situação surreal mas incrivelmente factível. Tem horas que determinadas músicas levam a gente ao choro mesmo. Sen-sa-cio-nal, como diria um velho conhecido meu.

São momentos que reforçam aquela velha tese de que propaganda tem que ter uma boa idéia. E uma dose de humor pode ajudar bastante. Mas, pelo amor aos deuses, humor fino.

quinta-feira, setembro 25, 2008

Um link em 30 segundos

Aí ao lado nos Links você vai encontrar um novo blogue: o 30 segundos. Seu autor é o José Guilherme Vereza, que chamamos carinhosamente de ZéGui.

O ZéGui, creio que não precisa ser apresentado para a maioria dos que habitualmente acessam este “Casos” da Propaganda. Mas pra quem não sabe ele foi diretor de criação na VS. E também o foi na Contemporânea, até recentemente.

Bem vindo, ZéGui.

Mais Paulinho

Elenice Mattos, querida colega e amiga da VS mandou este belo texto sobre o Paulinho (Paulo Cezar Costa), que transcrevo a seguir. Desta forma, Lelê torna-se a mais nova parceira nesta publicação.

Ano de 91, ele foi meu primeiro chefinho na VS. Quer dizer, chefe, mesmo, só no papel. Na verdade, um “gente como a gente”. Econômico no falar, infinito no sentir, exuberante no escrever. Mais ser humano do que competente? Ou mais competente do que ser humano? Pensei, pensei e não tenho a resposta. Só sei do resultado que me causou essa perda: mais vazio, menos paixão, menos sensibilidade, menos poesia.

Perdoem-me vocês, outros queridos criativos e de talento também transbordante. É que o primeiro a gente nunca esquece. Mais ainda quando vem embalado pra presente junto com doses abundantes de humildade, compaixão, intensidade. Doce e único Paulinho. A minha gratidão pelo privilégio. Com o carinho e a admiração da Lelê.

segunda-feira, setembro 22, 2008

Um velho ditado chinês

Conheci poucos redatores com o talento e a capacidade criativa de Paulo Cézar Costa, o Paulinho. Eu tive a honra de ter trabalhado com ele por dois períodos, ambos na VS. No segundo formamos uma dupla de criação por quase cinco anos. Depois, continuamos a trabalhar em frilas, e sempre que pude, contei com o seu toque de gênio.

Paulinho, entre outras coisas criou “Coca-Cola é isso aí”, quando diretor de criação da McCann-Erickson do Rio de Janeiro. Um tema que rodou o mundo, traduzido para sei lá quantos idiomas. E, na VS, a memorável campanha “Veja indispensável”, frase usada até hoje como slogan da revista e que faturou muitos prêmios, inclusive um Leão em Cannes.

Mas uma das características de Paulinho era o seu amor pela criação, encarando com o mesmo carinho uma grande campanha ou um pequeno anúncio. A outra era a sua simplicidade, humildade profissional e caráter.

Infelizmente, Paulinho nos deixou aos 57 anos. Mas os amigos só se recordam das coisas boas que fizeram dele o grande ser humano que sempre foi. Aí, lembrei daquele ditado chinês que diz algo como: “quando eu nasci, todos sorriam, apenas eu chorava... quando eu morrer, todos chorarão, apenas eu sorrirei”.

quinta-feira, setembro 18, 2008

Nomes. Nomes?

Passei uns tempos fora do Rio (1), mas, voltei ainda a tempo de assistir o melhor programa cômico da TV brasileira. O horário eleitoral gratuito para vereadores. É de rolar de rir. Seguem alguns dos nomes mais ‘trapalhões’ na ‘zorra total’ desta verdadeira ‘praça da alegria’. Não poderia deixar de começar pelo Sultão Abbas Mussalba, que se diz descendente do profeta Maomé. Mas tem Xica da Silva, tem Wagner e tem Mozart. Por quê não tem Beethoven? E Rodrigo, o pai dos quadrigêmeos! Mas que raios de quadrigêmeos, afinal de contas?

Continua com Tião Bigode e também Jorge Bigode. Serão parentes? Índio da Central, Cícero do Jegue (o cara possui um jegue, ou é bem dotado?), um gajo que eu não me lembro o nome, mas se intitula “o bom malandro”. Tem Biduca, Zé Nerson, Dom Calixto (este é mafioso), Tarzan, Mãe Loura, que vem a ser Verônica Costa, Jorge Baixa Renda. Dá pra acreditar? E a candidata que apontando o dedo na cara da gente (que nem o Tio Sam) diz: “Vote sério”. Uma tal de Aspásia.

Além desses tem Cacá da Fé, Jorge Mexicano, Bira do Táxi e Eva Manicure. E aquela que diz: “quem tem fé, vota em Nazaré”. Rima rica, hein sô! Personagens históricos? O Alexandre Magno, e um tal de Sei Lá Quem “Hobin Hood”. A Gabriela Enéas (não sei se é parenta do próprio). Zézinho da FAFERJ, Paulinho da AADEF, Nilson das Plantas, Claudinho da Academia, Viana dos Bonecos, Jorge das Vassouras, Tatá da Saúde, Arlindo do Gás, Raimundo Camelô, Aleixo da Auto Escola, Aníbal do Engenhão são os que têm os nomes ligados à atividade ou o local onde vivem.

Rogerinho, Lucinha, Renatinho, Wilsinho (que também se diz o xodó da vovó), são alguns dos diminutivos que eu tive o saco de anotar. Agora, têm os superlativos como Paulão, por exemplo. E os parentes de todo mundo: Tia Júlia, Tio Carlos, Tia Fina e o Vovô Gonçalves.

O Professor Uóston, é uma caso à parte. Tragédia típica do pai que queria botar no filho o nome de Washington e não sabia que o escrivão era analfabeto. Mas para completar tem “Amigo” Luciano. Amigo de quem? Meu é que não é. E o Marquinhos, que além de tudo é Mancha. Não sei se é sobrenome ou apelido, mas, uma coisa é certa, se for apelido, imagina o que o cara vai fazer na política. Bigú, Glória Pintinho (ainda bem que é mulher), Ricardo Tinha (será que não tem mais?), Johnny Guedes, esse é uma mistura de cantor de Rock com sertanejo. Babá e Elton Babú. Tem um tal de Zico, que fala em jogada, futebol e outros bichos, mas a gente vê logo que não é o ex-craque do Flamengo. Propaganda enganosa? E o Totó? Deve ser parente daquele velho cômico italiano. Mas o pior de todos é o tal do Abracadabra. Votar num cara com um nome desses, é dose! Por isso mesmo vou anular meu voto pra vereador. Pelo menos esse eu não jogo fora...

(1) Fui a Minas fazer campanha política. Mas juro, graças aos deuses era pra prefeito e não me envolvi com esses fantásticos vereadores e seus nomes estrombólicos, que por aí afora também são de amargar.