segunda-feira, outubro 27, 2008

De “casos” e outros casos

Por mais de uma vez já me passaram e-mails (alguns leitores chegaram a telefonar) para saber por que este blogue passou por algumas mudanças nos últimos tempos. A principal delas é o fato de todos os artigos aqui não começarem mais com o “caso” disso ou daquilo. Quando comecei a postar matérias, tinha um livro pronto e registrado na Biblioteca Nacional, cujo título provisório era: “Casos que a propaganda não contou”. Havia dezenas de “casos” escritos até então.

No dia 26 de março deste ano, publiquei uma explicação acerca deste motivo no artigo “Mudanças no blog”. Ali, explico as razões que me levaram a modificar a estrutura até então mantida, pois, durante quase dois anos incluí “caso” em todas as postagens. No entanto – com o passar do tempo – percebi a necessidade de fazer alguns comentários pontuais sobre publicidade. Por outro lado, a inclusão da palavra, por vezes tornava-se uma camisa de força.

Claro que vão continuar a existir “casos”, quando os houver. Todavia, espero que esteja esclarecida a questão.

sexta-feira, outubro 17, 2008

Pique-esconde

Aproveitando esta fase em que os colaboradores deste blogue estão a mandar “casos” e mais “casos”, vai aqui mais este, que nos presenteia Luiz Favilla.

Ano: 1981.
Local: uma famosa agência na beira da Lagoa Rodrigo de Freitas.
Seis duplas de criação, mais o pessoal do estúdio e da produção fizeram um trato.
Todos os dias éramos obrigados a entrar pela porta dos fundos. No local, o pai do dono da agência se encarregava de anotar nome e horário de chegada de cada um.
Uma verdadeira humilhação que suportamos até aquela data.
Marcamos um encontro perto da portaria de serviço.

A idéia: entrarmos todos juntos, ao mesmo tempo, e subirmos correndo pelas escadas para que o porteiro progenitor-chefe não conseguisse distinguir nomes e caras. E foi o que fizemos. Pego de surpresa, o pobre homem quase teve um infarto, xingou, esbravejou, mas não identificou nenhum dos mais de quarenta moleques. Sua revolta foi imensa. Obrigou que seu filho, dono da agência, tomasse enérgicas providências contra os baderneiros.

O chefão reuniu toda a empresa no auditório e exigiu que os culpados se identificassem. Os funcionários se levantaram e assumiram a culpa. Os que fizeram e os que não fizeram a brincadeira. Demitir todos era impossível, a agência pararia.

A gargalhada foi geral e tudo acabou em pizza. O chefão, homem de criação, achou muita graça da idéia porque ajudamos a resolver um problema familiar. Após o incidente, o seu pai finalmente resolveu se aposentar e cuidar do haras da família. “Lá os cavalos me obedecem”, foram suas últimas palavras ao sair do prédio.

Pela porta da frente, é claro.

quarta-feira, outubro 15, 2008

O santo milagroso

Essa é rapidinha. E mais um exemplo que em meio à crise de criatividade nestes dias que vivemos, existem exceções, porque afinal de contas, a esperança é a última que morre.

Estava eu assistindo um desses telejornais da vida, quando apareceram aqueles “bichinhos-propaganda” da Ford, que por si só já são engraçados. Mas eis que de repente um deles diz algo no gênero de “ter um carro assim, só no dia de São Nunca”. Imediatamente o simpático santo gorduchinho despenca na cabeça deles, e, no seu estilo peculiar, sacode a poeira, e, meio que sem graça levanta-se, no conhecido jeito bonachão.

Fiquei feliz em assistir a peça no ar. Sinceramente, este é um dos melhores personagens que apareceram nos últimos anos. A prova de que boas idéias são simples. E ficam. É o milagre de São Nunca, dando a volta por cima.

sexta-feira, outubro 10, 2008

Genial!!!

Nosso parceiro Felipe Monsanto (está conosco desde agosto de 2007) nos envia mais este “caso”:

Esse cara é bom (1), e me lembrou um que durou 45 dias numa ilustre multinacional.

Mas foi o suficiente para o cara chamar o juiz (paulista) de ladrão, fdp e ainda jurar de porrada no fim do jogo, quando o cara apitava um jogo de futebol entre os escritórios do Rio e SP.
Desistiu da parte da “porrada no fim do jogo” quando foi substituído e devidamente informado que o juiz era o diretor-financeiro. E como era uma festa bebeu meia-dúzia de cervejas e ainda ficou amigo do diretor-financeiro...

Por razões óbvias não vou citar o nome deste cidadão, mas ele tava quase arrumando um aumento de salário, afinal agora almoçava com o diretor-financeiro paulista quando vinha ao Rio.

Só que em plena quinta-feira resolveu sair no horário (8 da noite), mas ainda tinha trabalho.
Mandou o chefe tomar bem no centro do cu e foi embora. Era final de ano, 15 de dezembro.
Pegou duas pranchas e foi para Garopaba surfar. Ficou lá por um mês e quando voltou acabou virando dono de agência.
Não da multinacional, claro, mas de uma pequena agência que funciona há mais de 10 anos...

Tb juro que é verdade!

(1) Referindo-se ao personagem de “Doidim” de Maurilo Andréas.

quarta-feira, outubro 08, 2008

Doidim

Direto de Belzonte, mais um “caso” de Maurilo Andréas o primeiro parceiro deste blogue.

Trabalhava em uma certa agência quando, por uma circunstância qualquer, um arte-finalista freelancer foi chamado. Já no primeiro trabalho, o cara recebe o layout, olha a peça e diz:

“Eu não vou finalizar isso nem fodendo. Tá muito ruim.”

“Que é isso, cara, tem que finalizar. Tá louco?”

“Quero falar com o diretor de arte, isso aqui tá muito ruim”

Tendo negado o pedido e enquanto todo mundo olhava espantado, o cara levanta e pergunta “onde fica a sala do presidente?”, já se encaminhando para a recepção.

Durou mais exatos 40 minutos na agência e nunca mais voltou.

E eu juro que é verdade.

sábado, outubro 04, 2008

A gente grava cada coisa

Comecei a participar de campanhas políticas em 1982. Lá vai tempo. De lá pra cá, fiz campanhas para todos os cargos, à exceção de Presidente da República. Ganhei e perdi. Ossos do ofício. Ao longo de todo este tempo fiz muitas dentro de agências em que trabalhava, não ganhando nada além do meu salário. Desde 2002 participei de todos os pleitos como frila.

Falei, outro dia mesmo, da campanha para vereadores no horário eleitoral, o melhor programa cômico da televisão brasileira. Mas, me ocorreu como também tem cada “josta” pra prefeito. E o pior não é isso. O pior mesmo é que quanto pior o jingle, mais a gente não esquece dele. Quem não ficava com aquela musiquinha chata de Roto-Rooter martelando? Ouvia-se pela manhã e não saia mais da cabeça o resto do dia. A mesma coisa com Insetisan. “Um pouco mais caro... mas é muito melhor!” Ai caramba...

A assinatura musical mais chata desta campanha para prefeito no Rio, sem dúvida foi a do Gabeira. E no entanto, eu ouvia aquele “troço” e a porcaria ficava batucando na minha cuca. Algo como algumas músicas pavorosas de duplas sertanejas. Mas, pelo menos me lembra o quanto eu não vou votar neste candidato, cujas ações notoriamente têm apenas o objetivo de promoção pessoal. Desde a sunguinha de crochê.