sexta-feira, outubro 17, 2008

Pique-esconde

Aproveitando esta fase em que os colaboradores deste blogue estão a mandar “casos” e mais “casos”, vai aqui mais este, que nos presenteia Luiz Favilla.

Ano: 1981.
Local: uma famosa agência na beira da Lagoa Rodrigo de Freitas.
Seis duplas de criação, mais o pessoal do estúdio e da produção fizeram um trato.
Todos os dias éramos obrigados a entrar pela porta dos fundos. No local, o pai do dono da agência se encarregava de anotar nome e horário de chegada de cada um.
Uma verdadeira humilhação que suportamos até aquela data.
Marcamos um encontro perto da portaria de serviço.

A idéia: entrarmos todos juntos, ao mesmo tempo, e subirmos correndo pelas escadas para que o porteiro progenitor-chefe não conseguisse distinguir nomes e caras. E foi o que fizemos. Pego de surpresa, o pobre homem quase teve um infarto, xingou, esbravejou, mas não identificou nenhum dos mais de quarenta moleques. Sua revolta foi imensa. Obrigou que seu filho, dono da agência, tomasse enérgicas providências contra os baderneiros.

O chefão reuniu toda a empresa no auditório e exigiu que os culpados se identificassem. Os funcionários se levantaram e assumiram a culpa. Os que fizeram e os que não fizeram a brincadeira. Demitir todos era impossível, a agência pararia.

A gargalhada foi geral e tudo acabou em pizza. O chefão, homem de criação, achou muita graça da idéia porque ajudamos a resolver um problema familiar. Após o incidente, o seu pai finalmente resolveu se aposentar e cuidar do haras da família. “Lá os cavalos me obedecem”, foram suas últimas palavras ao sair do prédio.

Pela porta da frente, é claro.

8 comentários:

jr disse...

Local: uma famosa agência na beira da Lagoa Rodrigo de Freitas. A questão é que isso pra mim deixa claro que agênci a é essa!

Armando Maynard disse...

Taí,muitos gestores no Brasil, deveriam seguir este exemplo,passando a gerenciar seus cavalos.Um abraço,Armando

Jonga Olivieri disse...

Sim, e o pai em questão foi dono de uma famosa loja de som e imagem no Rio, correto?

Jonga Olivieri disse...

Ou os coelhinhos, ou ovelhas, ou ainda galinhas...
Isso me faz lembrar um colega que dizia: "O "Fulano" podia ir para Paris e esperar que a gente manda o pró-labore dele todo mês".

Professor Texto disse...

Tudo que eu disser poderá ser usado contra minha pessoa?
Seja como for, os tempos eram outros. O romantismo ainda sobrevivia no mercado em 1981.
A gente ganhava bem e se divertia muito, né Yonga? Sorte minha fazer parte daquela equipe. Aprendi muito com os sonhos do criativo que usava salto carrapeta.
Nem precisava.
=)

Jonga Olivieri disse...

"...o romantismo ainda sobrevivia" (sic). Uma verdade para quem o presenciou. Havia, e muito. Éramos "mosqueteiros" da vida a enfrentar os desafios do mercado. A tentar emplacar a cada instante um novo tento... desde que fosse simplesmente espetacular.
Bons tempos, meu caro "Quijote", em que enfrentavamos os moinhos ao vento como gigantes a nos tentar esmagar.
Houve um tempo assim, acreditem os mais novos... se quiserem!

Anônimo disse...

E isso é a mais pura verdade. Aconteceu assim mesmo na "tal" agência da Lagoa.
Onde também um outro famoso, quando o "chefão" mandou todos desembarcarem do elevador para ele entrar com um cliente.
Cantídio Tarsitano

redatozim disse...

Pois lá em casa, nem os cachorros me obedecem : )