sexta-feira, novembro 28, 2008

Zuindo de genial

Conheci poucos profissionais como o Jackson Drummond Zuim. Tenho alguns casos contados neste blogue sobre este criativíssimo redator mineiro. Como por exemplo: “O ‘caso’ do Barão”, postado em agosto de 2006 ou “O ‘caso’ do clube etílico”, este em março de 2007. Mas, para além desses e de um ou outro que eu tenha esquecido de relacionar aqui, ele é citado em diversas historinhas aqui transcritas.

Com o Zuim, participei do Clube de Criação de Minas, e, apesar de levarmos nossos cargos muito a sério, nos divertimos às pamparras. Pelo menos bebemos muitas... ou “todas”, isso posso garantir. Aliás, quando me indicaram para ser presidente daquele clube, topei, mas com a condição da formação de um triunvirato em que os presidentes eram, além de mim, o Zuim e o Marcos Vinícius, um RTVC de Goiás, que logo voltou para sua terra natal, nos deixando em dueto.

Como não tínhamos sede própria, a diretoria se reunia invariavelmente nos bares da vida. Nossos companheiros mais freqüentes eram o Jener e o Orlandinho. Mas vez por outra apareciam outros, como o Tonico ‘Mercador’, o Pedro, o Wanderley ou o Luis Márcio. Olha, varávamos as noites, e, claro, as reuniões começavam muito bem, mas depois de uma certa hora era um pileque só.

A última vez que o encontrei nos cruzamos na Savassi. Foi em 2000, quando eu trabalhava em Beagá. Paramos e ficamos a conversar por mais de meia hora. Ele com aquele vozeirão (um tremendo dum baixo) e sempre chamando a gente de “barão”... Um amigo nosso o apelidou de “o açougueiro da propaganda”. Mas o mais engraçado é que o cara com o seu jeitão de “Fred Flintstone” é um poeta sensível, que se defende por trás de uma aparência rude. Tanto que montou uma agência de publicidade e a batizou de Sabiá.

Recentemente soube por amigos que o Zuim está adoentado. Por isso publico aqui esta homenagem a ele. E aproveito para finalizar este artigo transcrevendo abaixo um poeminha de sua autoria, que li no “Pastelzinho”, o blogue do Maurilo (link ao lado), outro redator mineiro que conheci em época mais recente... mas, apesar disso é uma sujeito decente. E talentoso.

Poeminha Abstêmio
Depois que parei de beber
Minha vida mudou
Do vinho para a água
Jackson Drummond Zuim

terça-feira, novembro 25, 2008

O “caso” do espelho inteiro

A Dedé era tráfego da Sinal. A Sinal foi a agência que o João Moacir de Medeiros e o Fernando Barbosa Lima montaram em conjunto para atender a conta do Banco Nacional, naquela época, o terceiro banco do país. Era uma agência pequena e funcionava nos fundos da Esquire Propaganda, um palacete bem ali na Marquês de Olinda, quase esquina de Bambina. Tempinho bão... a publicidade era outra e o mundo habitado por indivíduos, creio eu, um pouco melhores do que hoje.

Quando eu digo nos fundos da Esquire, quero reforçar que esses fundos eram uns fundos de responça. O gigantesco palacete da Marquês de Olinda tinha uma casa de dois andares que ficava bem ao fundo mesmo. Mas olha, era um caso muito sério. Deve ter sido a casa dos empregados, mas era algo bem maior do que muita casa que a gente vê por aí. Ademais, emendava com uma subida para a montanha, montanha esta que fazia limites com os terrenos da Universidade Santa Úrsula, do outro lado, na rua Pinheiro Machado. O Favilla e eu costumávamos criar campanhas ali, em meio à natureza exuberante e apreciando a Enseada de Botafogo. Sim, porque o terreno era muito alto e a vista era deslumbrante.

Ademais o ambiente era do cacete, pois se nós da Sinal éramos uma pequena equipe de nove profissionais, a Esquire, lá na frente, era uma agência que reunia uma das maiores equipes do Rio de Janeiro. É mole? Eram cerca de 100 homens, mulheres, e, claro, eternas crianças que habitam este mundo da publicidade. Quase todos os dias íamos almoçar no Olinda (hoje Manolo’s) e saboreávamos aqueles quitutes maravilhosos do mestre cuca espanhol. E quase todas as sextas-feiras íamos encher a cara no Clube do Samba, nos bons tempos em que era ali em cima da sede do Flamengo, no Morro da Viúva.

Mas eu comecei tudo isso aqui falando da Dedé. Bom, a Dedé para além de tráfego da Sinal era uma menina muito inteligente. E muito, mas muito engraçada. Eu me divertia com ela, porque tinha uma personalidade particular. A Dedé foi quem me apresentou a J. R. R. Tolkien. Mas isso em 1979. Gente, ninguém sabia o que era isso no Brasil. E a Dedé já conhecia o Hobbit. Eu o li enquanto trabalhava na Sinal e a única pessoa com quem podia trocar idéias sobre o livro (que me fascinou de cara) era ela, a Dedé.

Porém, para além disso a Dedé tinha outras curiosidades. Um dos casos mais curiosos que ela me contou foi o de que não tinha espelho inteiro no seu apartamento em Copacabana. Aí, ela tinha que fazer uma grande ginástica para se olhar no espelho quando ia a uma festa, por exemplo. E o quê que ela fazia? Bom, simplesmente a Dedé entrava no elevador do prédio, que obviamente tinha um espelhão, e ficava a se olhar. Só que quando o elevador parava ela disfarçava e fingia que estava apenas se deslocando. Figuraça essa Dedé...

segunda-feira, novembro 17, 2008

“Phrases”

Roberto Quintas é um diretor de arte mineiro. Seguramente um dos melhores que conheci. Quando fui ser diretor de criação da Asa em Beagá, ele trabalhava lá. Depois, fui para a Livre e ele já havia ido antes de mim. O reencontrei. Posteriormente trabalhei com ele em campanhas políticas.

Morador do bairro de Santa Teresa (em Belo Horizonte), na década de 80 era o “carnavalesco” da escola de samba local, sendo responsável pelas fantasias e decoração dos carros alegóricos. Figuraça!

Mas o Boca – como é popularmente conhecido – é o rei das tiradas e frases engraçadas. Quando por exemplo tem muito tempo que ele não o encontra ele larga aquela: “Cara... ocê tá mais sumido do que cabeça de bacalhau!”

Mas o Boca tem duas frases que eu considero “imortais”.

A primeira é:

“Se não me engano… eu não tenho certeza.
(pausa)
Mas eu acho… que não sei não.”

E a outra:

“Ih, não esquenta o cu em rola fina!”

São senhoras “phrases”.

segunda-feira, novembro 10, 2008

Um blogue demais!

“Encontrão de ex-Veessianos” (1). De fato é bom encontrar amigos e amigas de tantos anos de convívio. Além disso é também muito bom saber das novidades. Como, por exemplo, que a Nikita tem um blogue. E o melhor, após conferir, chegar à conclusão que o blogue dela é demais. Aliás, tão demais quanto ela...
Para comprovar, basta conferir. O nome da publicação é “Até quase perto” e o endereço é http://atequaseperto.blogspot.com/. Vale à pena. Em todo caso o link vai ficar aí ao lado e você poderá começar a lê-lo a qualquer momento.

(1) Vem a ser um meeting sazonal daqueles que trabalharam na VS. Ou V&S. Ou ainda VS Escala.

domingo, novembro 09, 2008

O “caso” Tarrim

Mais um “caso” de Delano D’Ávila

O Luciano foi a pessoa mais surpreendente que conheci no meio da propaganda.
Pela sua figura poderia ter um monte de profissões. Trocador de ônibus, feirante, balconista de botequim, jogador de futebol em Feira de Santana, dentre muitas, muitas outras.
Digo isso sem nenhum preconceito racial, apenas com o natural preconceito estético, coisa que a gente sabe muito bem, em qualquer lugar do mundo é assim. Os bonitos, os brancos, os cultos e os informados levam vantagem. Nestes dois últimos quesitos então, o cara era simplesmente péssimo. Falava errado, rapidissimo, meio que gaguejando e a gente quase não entendia nada.
Perguntado sobre como iam as coisas ele respondia sempre sorridente e simpático algo perto do indecifrável, que quando traduzido finalmente para o nosso idioma significava “tá ruim”. O som era apenas parte disso: Tarrim. E assim ficou o seu apelido.
Luciano era fotógrafo e laboratorista da Salles, dos mais competentes artistas técnicos com quem já convivi. Produzia imagens sofisticadíssimas a partir de solicitações subjetivas, misteriosas ou complexas dos diretores de arte da equipe (eu inclusive), e o danadinho invariavelmente encaçapava todas. Tarrim era o chamado aborto da natureza.

Uma outra figuraça da época, que por uma questão de delicadeza vou omitir o nome, era o oposto do nosso herói. Sempre de nariz empinado, elegantérrimo, prepotente, perfumado, cultíssimo e bem falante, esse senhor era desprovido de massa capilar em talvez 80 por cento da sua privilegiada cabecinha. Ele mesmo, tentando disfarçar a complexidade dos próprios sentimentos, contava para nós, a elite criativa da agência, sobre a perícia que precisava utilizar para levar seus cabelos laterais mais crescidos, desde antes da orelha praticamente fio por fio, até estendê-los sobre o luzidio aeroporto de moscas com sucesso. Levava, segundo ele, uns bons 40 minutos só nisso de tornar-se lindíssimo antes de sair de casa.

A festa de fim-de-ano foi marcada numa boate em Copacabana ou Ipanema, não tenho certeza. A certeza é que era um lugar de prestígio, daqueles desejados pela classe intelectual do negócio. Estava na moda.
Encarregado de iluminar e fotografar o evento, Tarrim foi mais cedo para o lugar.
Desenrolando fios, posicionando luzes e câmeras, analisando melhores ângulos Sozinho no ambiente Tarrim foi também enchendo a moringa. Passadas algumas horas de providências e gorós nosso ídolo era só descontração. E bota descontração nisso. Foi aí que apareceu o dono da escultura encefálica. Para averiguar os procedimentos e checar tudinho detalhadamente deu de cara com Tarrim num canto do salão.

Luciano olhou pra ele, cumprimentou-o cerimoniosamente, mas não se conteve.
Massageou freneticamente o cocuruto do diretor ao mesmo tempo em que revelava este seu incontido prazer: “Faz muito tempo que eu esperava por uma chance dessas, seu diretorzinho metido a besta.”

Tarrim era bom mesmo. Não foi demitido.
O outro assumiu a calvície.

segunda-feira, novembro 03, 2008

Mais um blogue

Estou colocando mais um blogue nos links ao lado. Trata-se do meu Portfólio Virtual, com peças de diversas épocas. Um detalhe importante: estão faltando os filmes, porque como os tenho ainda em VHS, estou a providenciar sua transcrição para mídias digitais. Mas assim que o tiver feito pretendo postá-los.

O endereço é: http://jonga-portfolio.blogspot.com/

sábado, novembro 01, 2008

O “caso” do arrependimento

Quando o Líber Matteucci esteve no Brasil, em 2005, fomos, um pequeno grupo, almoçar com ele na Majórica. A conversa rolou agradável, regada a muito chope e a sempre excelente picanha fatiada daquele restaurante. Velhas recordações e botar o papo em dia com um profissional que, afinal de contas, está na Europa há cerca de 20 anos. O Líber saiu daqui, ainda nos 1980 para a TV Monte Carlo, a frustrada tentativa da Rede Globo na Itália. Depois ele foi pra Lisboa e lá ficou.

Lá pras tantas o João Bosco soltou uma pergunta: “Qual foi a peça que vocês fizeram e que se arrependem profundamente de ter criado?”. Isso ficou no ar. E eu juro, pelo que há de mais sagrado, não conseguia me lembrar de uma especificamente. O Bosco chegou a comentar algo do tipo: “Mas Jonga, você não tem nenhuma?” E o problema era que eu não conseguia apontar alguma em particular.

De fato, ao longo de minha vida de publicitário fiz uma certa quantidade de anúncios, filmes e participei de campanhas, que, no final eu não botei na pasta, justamente por isso. O problema era apontar a “tal” que seria a campeã absoluta. Existem muitos fatores que devem ser responsabilizados por esse tipo de reação. Desde aquela em que o “dedinho” do cliente influenciou caminhos errados, até aquela que a gente achou que era muito boa e depois viu que não era nada daquilo.

O negócio é que até hoje, não consegui concluir qual delas me proporcionou o maior grau de arrependimento. Coisas do “futebol”!