sábado, novembro 01, 2008

O “caso” do arrependimento

Quando o Líber Matteucci esteve no Brasil, em 2005, fomos, um pequeno grupo, almoçar com ele na Majórica. A conversa rolou agradável, regada a muito chope e a sempre excelente picanha fatiada daquele restaurante. Velhas recordações e botar o papo em dia com um profissional que, afinal de contas, está na Europa há cerca de 20 anos. O Líber saiu daqui, ainda nos 1980 para a TV Monte Carlo, a frustrada tentativa da Rede Globo na Itália. Depois ele foi pra Lisboa e lá ficou.

Lá pras tantas o João Bosco soltou uma pergunta: “Qual foi a peça que vocês fizeram e que se arrependem profundamente de ter criado?”. Isso ficou no ar. E eu juro, pelo que há de mais sagrado, não conseguia me lembrar de uma especificamente. O Bosco chegou a comentar algo do tipo: “Mas Jonga, você não tem nenhuma?” E o problema era que eu não conseguia apontar alguma em particular.

De fato, ao longo de minha vida de publicitário fiz uma certa quantidade de anúncios, filmes e participei de campanhas, que, no final eu não botei na pasta, justamente por isso. O problema era apontar a “tal” que seria a campeã absoluta. Existem muitos fatores que devem ser responsabilizados por esse tipo de reação. Desde aquela em que o “dedinho” do cliente influenciou caminhos errados, até aquela que a gente achou que era muito boa e depois viu que não era nada daquilo.

O negócio é que até hoje, não consegui concluir qual delas me proporcionou o maior grau de arrependimento. Coisas do “futebol”!

14 comentários:

redatozim disse...

Eu tenho uma inequívoca campeã nas minhas peças, criada para um certo hipermercado, mas enfim, melhor esquecer.

Anônimo disse...

Quantas e quantas. Fica mesmo difícil se dizer entre tantas qual a inesquecível.
Cantídio Tarsitano

Jonga Olivieri disse...

Sorte sua. Eu fico surpreso com a quantidade de peças que criei e detesto. Bem, coisas do futebol...

Jonga Olivieri disse...

É o que acabei de falar, Cantídio, quantas!!!

jr disse...

Boa pergunta a do Bosco. Mas é muito difícil de responder.

Jonga Olivieri disse...

pelo menos até hoje eu estou sem resposta. Não porque não tenha, ams porque tenho tantas... hihihi...

leonardo disse...

Que pergunta!

Jonga Olivieri disse...

Ora... se...

Anônimo disse...

Isso e muito dificil mesmo. Voce faz muito mais trabalhos que nao gosta, ate por causa de clientes do que os que curte.

Anonymous
New York

Jonga Olivieri disse...

É, mas acho até que o João se referia áquela peça que a gente gostou mas depois viu que não era nada daquilo. Sacou?

Anônimo disse...

Você até postou um desses seus engraçados artigos em que fala da diferença entre a grnade idéia e a grande merda. Pois é isso aí mesmo.
Ernani

Jonga Olivieri disse...

Obrigado pelo "seus engraçados artigos", Ernani. Isto deixa-me lisongeado.
Mas é isso mesmo. Só que talvez porque eu tenha tido excelentes diretores de criação, nunca corri muito o risco de tal coisa acontecer. Eles não deixavam a gente entrar nessas viagens louquérrimas.
E eu também, sempre que exerci o cargo, aprendi com eles a tentar sempre saber a diferença entre uma grande idéia e uma grande bosta. Taí, sei que tem horas que isso é difícil, confesso. Mas um Mauro Matos me ensinou o caminho das pedras. Com certeza.

adriana nolasco disse...

Jonguinha, talvez você simplesmente não tenha do que se arrepender. Não gostar, detestar, tudo bem. Quem não detesta uma boa parte do que fez que atire a primeira laranja. Mas talvez faça parte da graça da coisa. Engolir sapo é ruim demais, ver o cliente metendo o dedo cheio de gorduera no teu layout, nem se fala, mas alguns venenos fortificam o estômago. Outra coisa boa na eleição dos "piores" é nos fazer rir de nós mesmos, isso sim faz bem, alivia o espírito e evita os mesmos tropeços.E me parece que quem se acha muito bom o tempo todo perde a capacidade de fazer algo original.

Jonga Olivieri disse...

Adriana, você me fez lembrar um cliente que eu tinha em Portugal. O Mário.
Bem, criamos um personagem para ele, e um dia fomos apresentar uma nova campanha a ele.
O cara estava comendo um frango com as mãos, no melhor "Estilo D. João VI". Limpou as mãos na boca e ainda mastigando falou grosseiramente:
"Ó pá, não querem mais trabalhar? Ficam a apresntar idéias comeste japonês* e não criam mais nada!"

(*) O personagem era um japonês porque ele importava e colocava a marquinha dele em produtos dos "tigres asiáticos" e a gente queria dar 'status' aos produtos dele. Japonês era, na época (1991), o melhor na região.